Gen Pinto Silva: VISÃO ESTRATÉGICA – Uma síntese, em linguagem objetiva, de ideias estratégicas

                                                                                   

VISÃO ESTRATÉGICA.
Uma síntese, em linguagem objetiva, de ideias estratégicas

Pinto Silva Carlos Alberto [1]

1. PROPÓSITO

Registrar que a visão estratégica, quando não estiver claramente subordinada à defesa dos interesses nacionais, não produzirá a estrutura de força de que o País necessita para prevenir riscos, dissuadir pressões e cumprir, com credibilidade, sua missão constitucional.

2. O DIÁLOGO ESTRATÉGICO E DA FORÇA

Diálogo estratégico não é mera troca de opiniões. É o processo pelo qual lideranças militares, poder político e sociedade buscam entendimento sobre ameaças, prioridades e objetivos, para que a defesa nacional deixe de ser assunto episódico e passe a ser tratada como questão permanente de Estado.

Estruturação da força, por sua vez, exige transformar objetivos em capacidades reais, por meio de doutrina adequada, efetivos compatíveis, preparo continuado, equipamentos pertinentes e tecnologia nacional, sempre em coerência com os prováveis conflitos do mundo moderno.

Por isso, esse processo tem de ser prospectivo, para antecipar ameaças; integrado, para articular as diversas expressões do Poder Nacional; e flexível, para responder às mudanças da guerra contemporânea, em que paz e conflito já não se apresentam como realidades claramente separadas.

Nessas condições, transformação militar não pode ser confundida com simples reequipamento. Ela pressupõe liderança, clareza de finalidade, preparo para o emprego, capacidade de adaptação e compatibilização entre estratégia, recursos orçamentários e necessidades operacionais, sob pena de se manter uma força nominalmente existente, mas insuficiente para o momento que se avizinha.

Sem os recursos orçamentários necessários não existe Estratégia de Defesa e nem sobrevive a Industria de Defesa [2] (Relevância De Lideranças Brasileiras Na Busca De Recursos Para As Forças Armadas – Gen Pinto Silva DefesaNet).

Em consequência, não haverá força eficaz sem pensamento estratégico claro, nem pensamento estratégico útil sem correspondência na estrutura, no preparo e na capacidade de emprego. O que está em causa, em última análise, é a aptidão do Estado para defender seus interesses, sua soberania e seu futuro.

3. ESQUEMA VISUAL 

O esquema a seguir ilustra como o diálogo estratégico se articula com a estruturação da força, segundo essa visão.

4. RESSALTAR E RESSALVAR

A “Guerra de Nova Geração” fundamenta-se no juízo de que é inadequado enfrentar frontalmente a capacidade operacional dos inimigos no campo de batalha, de modo que é preciso afastar o foco do conflito do domínio da arte da guerra convencional, e isso pode ser feito ampliando o espectro do conflito, para incluir vários elementos do poder nacional.

É imprescindível a integração das diversas ferramentas do Poder Nacional e dos grupos não estatais em benefício da defesa dos interesses nacionais do país; a articulação de vários campos de ação, elegendo os melhores instrumentos ou medidas, militares e não-militares, para executar as operações; e a combinação de todos os níveis de conflito do tático ao estratégico, forçando o oponente a confrontar vários campos de batalha, simultaneamente.

5. CONDIÇÕES INDISPENSÁVEIS

O diálogo estratégico é o ponto de partida, garantindo que todos os atores relevantes compartilhem uma visão estratégica comum.

Essa visão orienta a estruturação da força, que deve ser coerente com as necessidades e recursos disponíveis.

O ciclo é contínuo, com ajustes baseados em mudanças no cenário interno e externo.

Para a sincronia das operações simultâneas em diferentes locais, para integração das ferramentas do Poder Nacional empregadas e para a articulação dos vários campos de batalha, há a necessidade de excelência na atividade de inteligência artificial, segurança cibernética, espionagem eletrônica e guerra rede.


[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército Veterano da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa.

[2] Gen Pinto Silva – Relevância das Lideranças Brasileiras na Busca de …, https://www.defesanet.com.br/destaque/gen-pinto-silva-relevancia-das-liderancas-brasileiras-na-busca-de-recursos-para-as-forcas-armadas/.


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