COBERTURA ESPECIAL - Notas Estratégicas BR - Inteligência

19 de Janeiro, 2022 - 08:00 ( Brasília )

Notas Estratégicas BR - A questão Russo-Ucraniana e o Brasil

As reverberações da crise europeia chegam ao Brasil de muitas maneiras. Todas puxam o páis para um cenário muitas vezes desconfortável

 

“Se você não tem Planejamento de Longo Prazo constará do Planejamento de Longo Prazo de Alguém”

 
 
1 - O mundo está alarmado  com a possibilidade de a crise tripartite Estado Unidos - Rússia - OTAN escale para um conflito armado na Europa e com consequências imprevisíveis, nos próximos dias ou semanas.  Há meses, Putin ordenou desdobrar milhares de tropas nas fronteiras do país vizinho.

A Ucrânia pode não estar pronta para enfrentar uma guerra com a Rússia tanto com armas estratégias convencionais como a nuclear, ainda sim possui o terceiro maior exército da Europa, conhece as táticas e técnicas dos militares russos e tem cartas na manga, que podem surpreender a Rússia militarmente e impor pesadas perdas. O banho de sangue que consequentemente vai reacender conflitos internos e fronteiriços na Transnístria, Abecásia, Ossétia do Sul, outrora congelados na periferia do território russo, poderá incendiar o leste da Europa e a região do Cáucaso. Relembrar a recente cconvulsão interna no Cazaquistão.

A magnitude de um conflito entre Rússia e Ucrânia pode ter consequências inimagináveis e que não são sentidas no continente europeu desde 1945. Um cálculo errado pode destruir o mundo russo, acabar com a era Putin e iniciar uma fragmentação da Federação Russa. Um erro de avaliação da Rússia ou da OTAN poderá criar uma guerra com a Aliança Atlântica, já que Polônia, Estônia, Letônia e Lituânia sentem-se particularmente ameaçadas.
 
2 - A guerra na Ucrânia será uma guerra europeia com consequências e ações globais. A economia brasileira será uma das primeiras a sentir, pois a exportação de carne para Ucrânia e Rússia, e a importação de insumos para fertilizantes vai afetar o agronegócio. Até a indústria aeroespacial vai sofrer com a falta da matéria-prima, principalmente após a implementação de mais duras e novas sanções comerciais. 
 
3 - O Secretário de Estado dos EUA Antony Blinken já cobrou do Brasil uma posição clara. Estar ao lado da OTAN na defesa do direito internacional, apoiando a soberania territorial ucraniana, ou se aliar à Rússia de Putin, como faz Venezuela, Nicarágua e Cuba.  (Ver matéria DefesaNet) A escolha pode custar caro ao Brasil. A Suécia, que possui interesse particular na questão russo-ucraniana não quer ver o Brasil se aproximar da Rússia e isso pode afetar o projeto de fornecimento dos caças Gripen. O avião é sueco e o motor é norte-americano.

A Alemanha poderia embargar a construção das Fragatas Tamandaré. Os alemães já ficaram bastante preocupados em ver o Almirante de Esquadra da ativa Flávio Rocha se encontrando com autoridades militares e do governo russo. (Ver matéria DefesaNet)

Os projetos militares poderiam sofrer embargo imediatamente, inclusive a indústria de defesa brasileira teria dificuldade em fazer negócios e exportações. O Brasil deixaria de ser um parceiro confiável do Ocidente.  Por outro lado, a Rússia estaria pronta para desdobrar tropas regulares e irregulares e estacioná-las em território venezuelano. A ameaça russa foi clara. (Ver a matéria do jornal espanhol ABC)

4 - Motivo de preocupação é a possibilidade de ativação de avançados sistemas de defesa antiaérea, guerra cibernética e eletrônica para a Venezuela, o que colocaria o Brasil em situação difícil do ponto de vista militar, já que até o momento não possui modernos meios militares estacionados na região.

A necessidade de sistemas de guerra eletrônica, inteligência de comunicações e sinais e veículos blindados de combate são as maiores prioridades da parte do Exército.  Se  nos próximos dias o presidente Bolsonaro declarar apoio à Guiana na questão do Esequibo, a ira de Nicolás Maduro vai se voltar contra o Brasil. Infelizmente, não temos meios nem sistemas capazes de operar naquela região e dissuadir qualquer ameaça.


O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, em post incisivo no Twitter.

Há anos o Brasil convive com o desbalanceamento do poder militar na região e com a concentração de armamentos e a ameaça dos mísseis antiaéreos venezuelanos S-300. Os militares brasileiros não têm construído as capacidades necessárias para neutralizar ou destruir a ameaça dos sistemas de defesa antiaérea que poderia interditar o espaço aéreo e ameaçar o sucesso de qualquer operação militar brasileira no estado de Roraima, ou além.

Infelizmente, o Exército tem gastado bilhões de dólares numa Linha Maginot tecnológica e ineficaz na fronteira oeste contra oo narcotráfico enquanto a prioridade militar sempre esteve na fronteira com a Venezuela. Uma oportunidade para rever o escopo e abrangência do SISFRON.

5 - O Brasil possui a terceira maior colônia ucraniana no mundo, com laços afetivos muito profundos com a pátria-mãe. A maioria dessa população está no estado do Paraná. O peso político e econômico dessa população é um fator que pode vir  a interferir nas eleições presidenciais brasileiras e também cobrar uma posição do governo atual. Como o Planalto responderia a isso? 
 
6 - Uma política exterior inteligente e destinada a alcançar objetivos estratégicos e defender os interesses do Brasil saberia o que fazer. Negociaria uma posição  de neutralidade em troca do compromisso da Rússia em retirar o apoio militar à Venezuela e às ações de desestabilização nas fronteiras do Brasil. Qualquer outro cenário ou caminho a ser seguido vai prejudicar a indústria, economia, a segurança nacional e os interesses estratégicos do Brasil, colocando em risco a imagem do país como um parceiro confiável no concerto das Nações. 

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