Periódico da UFSM amplia sua inserção no debate estratégico brasileiro ao reunir estudos sobre governança, capacidades militares, Base Industrial de Defesa, cibersegurança, logística, A2/AD, diplomacia de defesa e autonomia tecnológica.
A Revista InterAção, periódico acadêmico-científico de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, publicou a edição v. 17, n. 2, de 2026, dedicada ao dossiê “A Defesa e a Segurança Pública no Sul Global: Governança, Capacidades e Autonomia Estratégica”. A edição marca um passo relevante na aproximação entre universidade, defesa nacional, segurança pública, estudos estratégicos e reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelos países do Sul Global.
-> Edição v. 17, n. 2, de 2026 – Link: https://periodicos.ufsm.br/interacao/issue/view/2958
Mais do que uma publicação acadêmica convencional, a edição revela o esforço de consolidar um espaço de pensamento estratégico capaz de articular pesquisadores civis, especialistas militares, analistas de segurança, estudiosos de Relações Internacionais e profissionais vinculados ao debate sobre capacidades nacionais. Em um cenário internacional marcado pela competição tecnológica, pela ampliação das ameaças híbridas, pelo retorno da centralidade militar e pela disputa por soberania informacional, a InterAção propõe uma agenda que conecta defesa, governança, tecnologia e autonomia estratégica.
O dossiê reúne artigos que abordam diferentes dimensões da segurança contemporânea. O texto “Entre gastos e autonomia: indústria de defesa e hierarquias regionais no Oriente Médio, 2010-2024”, de Erico Duarte e Aramis Dawas, examina a relação entre investimentos militares, autonomia industrial e hierarquias regionais em um dos ambientes geopolíticos mais instáveis do sistema internacional.
Na mesma direção, o artigo “A2/AD e construção de capacidades no Sul Global: fundamentos teóricos, restrições materiais e agendas de adaptação estratégica”, de Marcelo Carvalho Ribeiro, discute os desafios da construção de capacidades de antiacesso e negação de área em países periféricos, relacionando doutrina, tecnologia, território, logística e autonomia decisória.
A dimensão territorial e logística aparece em “Logística, desenvolvimento e defesa: o papel estratégico do Tocantins na integração nacional”, de Juliana Barbosa Lovis Santana, Maria Roberta de Castro Silva, Nelciara Limeira Batista Fonseca e Gills Lopes Macedo Souza. O artigo trata a infraestrutura logística como elemento de integração nacional e de fortalecimento das capacidades estatais.
Outro eixo relevante é a diplomacia de defesa. Em “Diplomacia de defesa e diplomacia militar: análise do Estado do Conhecimento (2009-2024)”, Eduardo Porto de Miranda Marques sistematiza a produção acadêmica brasileira sobre o tema e contribui para o amadurecimento conceitual de uma área cada vez mais importante para a inserção internacional do Brasil.
A edição também aborda a dimensão cognitiva e tecnológica da defesa. O artigo “Simulação e soberania cognitiva no Sul Global: dependência epistemológica e autonomia estratégica”, de Erlei Roldan Melgarejo, Guilherme Lopes da Cunha e Marcelo Viera Pustilnik, chama atenção para o papel dos modelos, jogos, simulações e matrizes analíticas na formação do pensamento estratégico. A questão central é saber se os países do Sul Global serão apenas consumidores de metodologias produzidas nos grandes centros ou se conseguirão desenvolver instrumentos próprios de análise e decisão.
Na interface entre defesa e segurança pública, o artigo “Da reação à antecipação: prospecção estratégica como eixo estruturante da integração entre defesa e segurança pública”, de Renato Pires Moreira, Luiz Augusto Vieira de Oliveira e Luiz Carlos Ferreira, defende a necessidade de superar respostas meramente reativas diante de ameaças complexas, especialmente criminalidade organizada, ameaças híbridas e dinâmicas transnacionais.
A preocupação com a segurança cibernética aparece em “Do Ato de Securitização à Capacidade Organizacional: proposta de Framework Estratégico e Modelo de Maturidade para a Gestão de Riscos Cibernéticos em Cadeias de Suprimentos Aeroespaciais”, de Andre Luiz Anjos de Figueiredo e Brigadeiro Linhares. O texto trata as cadeias aeroespaciais como infraestruturas críticas e propõe um modelo de maturidade para a gestão de riscos cibernéticos.
Fechando o núcleo do dossiê, “Da lição estratégica à capacidade nacional: governança em defesa, capital humano tecnológico e Base Industrial de Defesa no Brasil”, de Marcelo Carvalho Ribeiro e Mauro Beirão, propõe uma reflexão sobre como transformar aprendizado estratégico em capacidade nacional, articulando formação de recursos humanos, inovação, Base Industrial de Defesa e governança institucional.
A edição também traz entrevistas de interesse para o público de defesa. A entrevista com Augusto César Dall’Agnol discute defesa, segurança pública e Sul Global em perspectiva crítica. Já a entrevista com o General de Divisão Marcelo Lorenzini Zucco aborda a Operação Taquari II, realizada no contexto das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, oferecendo registro relevante sobre atuação militar em apoio humanitário, coordenação interagências e emprego das Forças Armadas em situação de calamidade.
A publicação ocorre em momento de ampliação da visibilidade internacional da InterAção. Em maio de 2026, a revista anunciou sua aprovação para indexação na ERIH PLUS, índice europeu de referência para Humanidades e Ciências Sociais, reconhecimento que fortalece sua inserção internacional e amplia a circulação da produção acadêmica brasileira.
Ao reunir artigos sobre indústria de defesa, capacidades A2/AD, logística nacional, diplomacia militar, simulação, soberania cognitiva, cibersegurança aeroespacial, Base Industrial de Defesa e segurança pública, a Revista InterAção afirma-se como espaço de convergência entre academia e pensamento estratégico.
A edição demonstra que o debate sobre defesa no Brasil não se limita aos documentos oficiais ou aos ambientes militares. Ele também se constrói nas universidades, nos periódicos científicos, nos grupos de pesquisa e nas redes intelectuais capazes de produzir diagnósticos, conceitos e propostas para os desafios nacionais.
No contexto atual, pensar defesa é pensar soberania, tecnologia, governança, território, conhecimento e capacidade de antecipação. É nesse campo que a Revista InterAção busca ampliar sua contribuição: oferecendo uma plataforma qualificada para que o Brasil e o Sul Global discutam seus próprios problemas estratégicos com densidade acadêmica, responsabilidade institucional e vocação pública.
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