Maynard Marques de Santa Rosa
General de Exército Veterano
28 Junho 2026
Achei sintomático o comentário de renomado “especialista” de televisão ao noticiar a invasão da Ucrânia, em 24 Fev 2022: “Putin acaba de dar um tiro no pé e não vai conseguir sobreviver”. Mas os fatos, contrariando a presunção do comentarista, mostram que ele sobreviveu e mantém firme a liderança da Rússia.
A percepção de cenários sofre as limitações da natureza humana, onde cada um interpreta o contexto segundo a sua visão de mundo. A experiência demonstra que a razão é necessária, mas não suficiente para decifrar a realidade completa. Nossos sentidos só captam 14 % da realidade material, e há outras dimensões do conhecimento somente acessíveis pela intuição. Além disso, há o efeito subjacente da mentalidade ou “espírito da época”, que condiciona a crença de cada geração.
Jung intuiu que o racionalismo esterilizou a dimensão mítica da mente, alijando a contribuição do inconsciente à compreensão da realidade. E antes dele, Alexandre Herculano comentou, em sua coletânea romântica “Lendas e Narrativas”: “A alma por onde passou a procela da filosofia pende desanimada e triste; e, na claridade baça do ceticismo que torna pesada e fria a atmosfera da inteligência, não pode aquecer-se aos raios esplêndidos do sol de uma crença viva”.
Além de tudo, é notória a infusão de propaganda e ideologia no noticiário diário a distorcer o conteúdo informativo, para induzir o povo a formar opinião.
Portanto, a realidade percebida depende da capacidade de discernir e da sabedoria do observador; é sempre parcial ou incompleta e retrata, quando muito, pequeno ângulo de visão da realidade absoluta.
A presunção é o vício que induz intelectuais e artistas a impor a hegemonia da sua opinião, como se ungidos ou iluminados fossem, mas omitindo o compromisso com resultados. As inovações que difundem são sempre persuasivas, mesmo quando impregnadas de má fé.
Stalin proclamou que: “A força das ideias é maior do que a força das armas” e promoveu a propaganda ideológica, apoiado por intelectuais do mundo inteiro. Colapsado o comunismo na Europa, outros movimentos globalistas passaram a patrocinar ideologias anormais que flagelam as sociedades, como a teoria de gênero.
Na América Latina, de sociedades imaturas, e sobretudo no Brasil, de cultura permissiva, a propaganda ideológica e o aparelhamento político pelos partidos do Foro de São Paulo já afetam os fundamentos das instituições.
O pouco que já se sabe do caso Master é suficiente para revelar a abrangência da corrupção patrimonialista que avilta a elite dos Poderes da República.
A manipulação midiática em favor do governo só não é percebida por quem é cego ou não quer ver, o que qualifica o pior tipo de cegueira.
Quem compreende o quadro sombrio do nosso país tem o dever de se manifestar, antes que o faça uma inevitável intrusão estrangeira.





















