Sem soldados, a vida será pacífica, a harmonia reinará!
DE CAUSAS … E CONSEQUÊNCIAS. [1]
Pinto Silva Carlos Alberto [2]
Considerando o que a imprensa difundiu na primeira quinzena de julho, “Maior reforma das Forças Armadas desde 1999”, este texto não tem por objetivo apoiar ou contrariar a referida proposta ou a ideia lançada, busca, apenas lembrar um antigo argumento apresentado no Curso de Política, Estratégia e Altos Estudos do Exército (CPEAEX) há alguns anos.
RAZÕES E EFEITOS
“E O PROFETA, OLHAR PERDIDO NO INFINITO GRITOU:
– é preciso acabar com as Forças, Armadas! Destruir o armamento! Mandar os militares para casa! Assim haverá paz! Sem soldados, a vida será pacífica, a harmonia reinará, enfim, todos serão irmãos!
O PRIMEIRO DISCÍPULO, DEMONSTRANDO QUE TINHA APRENDIDO A LIÇÃO, FALOU:
– Acabemos com os sacerdotes e as igrejas, porque assim eliminaremos o pecado do mundo!
OUTRO DISCÍPULO DISSE:
– Destruamos os hospitais e os medicamentos, acabemos com os médicos e as escolas de medicina, e não haverá doenças!
O TERCEIRO ACRESCENTOU:
– Chega de. policiais, delegacias, juízes advogados e prisões! Sem eles, garantiremos à humanidade uma vida sem ladrões, assassinos nem patifes!
– Acabemos com as escolas e os professores, e não teremos mais ignorância no mundo!
– Queimemos os agasalhos, e nunca mais sentiremos frio!
– Eliminemos totalmente os agrotóxicos nunca mais haverá fome!
EM ÊXTASE, O QUARTO DISCÍPULO COMPLETOU:
– Vamos acabar com a profissão de coveiro, e destruamos os cemitérios, e todos terão vida e eterna!
Então o profeta, que além de santo e bem-intencionado, de bobo nada tinha, percebeu que se estava confundindo as consequências com as causas, e lembrando-se de que de boas intenções está o inferno cheio, disse:
– Irmãos! Sabem de uma coisa? Vamos deixar os militares trabalharem em paz, oremos para que eles cumpram as suas tarefas e nos assegurem a vida pacífica e a harmonia que todos queremos.
Isto feito, na bacia onde, como ‘PILATOS, lavava as mãos, pôs suas barbas postiças de molho.”
UMA PRUDENTE POSIÇÃO
– Mudanças na “Area de Defesa” não devem ser feitas em ano eleitoral.
– Não realizar mudanças nas Forças Armadas no cenário específico da atual conjuntura, procurar uma visão estratégica.
– Desenvolver uma teoria (Esclarecer conceitos e ideias) que mantenha o equilíbrio institucional na “Tríade Extraordinária Atual”.
– Buscar o apoio público, que deve ser parte essencial do Planejamento Estratégico, e dar ao Congresso responsabilidade funcional de legitimar tal apoio.
– Entender o papel do Ministério da Defesa e dos comandos militares, ou seja, suas esferas de atribuição, suas competências e os limites de suas ações, se apresenta como fundamental.
– Os líderes militares precisam possuir uma compreensão da política nacional, desenvolvida durante toda sua carreira, desde as escolas de formação, tendo em vista ser sua missão a conquista de objetivos formulados pelo Poder Político, e para poder aquilatar os efeitos políticos colaterais das ações militares.
– Sobretudo ouçam o que tem a dizer os homens das armas, são eles que oferecerão suas vidas e deixarão seus corpos na defesa da Pátria.
[1] Autoria: Instrutores e alunos do CPAEx 1992. Passados trinta e quatro anos e o assunto continua atual.
[2] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército Veterano da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa.





















