FAB intensifica preparo para crises QBRN e integra formação atitudinal na EEAR

Exercício operacional no Rio de Janeiro reforça capacidade de resposta a cenários extremos e evidencia integração entre formação técnica e desenvolvimento comportamental na Aeronáutica

Por Redação DefesaNet

A Força Aérea Brasileira ampliou, no primeiro semestre de 2026, sua ênfase em cenários de alta complexidade ao conduzir um exercício operacional voltado à Defesa Químico, Biológico, Radiológico e Nuclear (DQBRN). A iniciativa consolida uma agenda de preparo que transcende o combate convencional, incorporando ameaças difusas, de baixa previsibilidade e alto impacto.

Realizado na Base Aérea dos Afonsos, no Rio de Janeiro, o Exercício Operacional de Evacuação Aeromédica com foco em Defesa QBRN (EXOP EVAM DQBRN) reúne militares da Aeronáutica, do Exército e da Marinha em um ambiente simulado que replica condições extremas de contaminação e crise sanitária em larga escala.

O objetivo central é ampliar a capacidade de resposta das Forças Armadas em situações nas quais o tempo de reação é determinante para salvar vidas e conter danos estruturais.

Integração operacional e capacidade de resposta

O treinamento envolve o emprego coordenado de meios aéreos e equipes médicas especializadas, com destaque para aeronaves como o KC-390 Millennium, o C-105 Amazonas e o H-36 Caracal, utilizadas em missões de resgate, estabilização e transporte de vítimas contaminadas.

A operação simula desde evacuações aeromédicas sob risco químico até a atuação em áreas urbanas afetadas por agentes biológicos ou radiológicos.

Mais do que um exercício técnico, a atividade reforça a integração entre saúde operacional e aviação militar, promovendo o entendimento mútuo entre tripulações e equipes médicas, além de otimizar o uso de recursos em cenários de crise.

Doutrina e tendência estratégica

A doutrina aplicada está alinhada às diretrizes contemporâneas de defesa, nas quais eventos não convencionais passam a exigir respostas coordenadas, rápidas e multidimensionais.

Nesse contexto, a capacidade de evacuação aeromédica em ambientes contaminados se consolida como vetor estratégico, combinando mobilidade aérea, prontidão logística e expertise médica em um único sistema operacional.

Esse movimento acompanha uma tendência internacional de ampliação do escopo da defesa para incluir ameaças híbridas e eventos de alto impacto sobre populações civis e infraestrutura crítica, elevando o papel das Forças Armadas como instrumento de resposta em crises complexas.

Formação atitudinal na base da força

Paralelamente ao esforço operacional, a Aeronáutica também fortalece a formação de seus quadros desde a base. A Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) promoveu um Exercício de Desenvolvimento Atitudinal voltado a alunos do último semestre, com foco na consolidação de competências comportamentais essenciais ao ambiente militar.

A atividade busca desenvolver atributos como liderança, resiliência, tomada de decisão sob pressão e trabalho em equipe — capacidades críticas quando transpostas para cenários reais como os simulados no exercício BNQR. Ao expor os alunos a situações desafiadoras e controladas, a EEAR alinha formação técnica e preparo psicológico.

Convergência entre preparo humano e operacional

A convergência entre o treinamento operacional em larga escala e o desenvolvimento atitudinal na formação revela uma diretriz clara da FAB: preparar seus efetivos não apenas para o emprego de meios, mas para a atuação eficaz em ambientes complexos, incertos e de rápida evolução.

Dessa forma, a Aeronáutica consolida uma abordagem integrada de preparo, na qual doutrina, tecnologia e fator humano são tratados como elementos indissociáveis da capacidade militar. Em um ambiente estratégico cada vez mais marcado por ameaças não convencionais, essa integração tende a se tornar decisiva para a eficácia das operações e para a proteção da sociedade.

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