- Uma Superpotência tem de lutar por uma ideia que exerça apelo além de sua fronteira.
(Samuel Huntington)
As motivações futuras para uma ingerência política no Brasil poderão ser a defesa do meio ambiente; dos direitos dos povos indígenas; a falta de proteção aos mananciais de água; o uso abusivo e incorreto da água no agronegócio; a falta de proteção ao Pantanal e aos Aquíferos Guarani e Alter do Chão; a proteção de minorias; a violência urbana; e as riquezas da Amazônia Verde e Azul.
Pinto Silva Carlos Alberto [1]
1. ENTRE O INCONTESTÁVEL E O INEVITÁVEL
No atual contexto das nações, o Brasil, a despeito de suas dimensões continentais e extensas fronteiras, sobressai pela forma pacífica com que, ao longo da história, tem preservado a sua integridade territorial, política, cultural e econômica, ao mesmo tempo em que a evolução constante do ambiente internacional já coloca o país como um importante ator, o que lhe acarreta atritos, com tendência ao agravamento, à medida que a Nação cresce, o que, inegavelmente requer suporte de defesa para salvaguardá-lo de interesses e ameaças externas.
Nesse ambiente, à estratégia militar do país falta uma definição clara dos objetivos a serem alcançados e que possam definir o Perfil Estratégico do Brasil, com isso propiciando melhor orientação às políticas do preparo e do emprego das Forças Armadas.
Há necessidade de objetivos perfeitamente definidos, responsabilidades firmemente estabelecidas e de uma nova metodologia, que nos forneça indicativos do que deva ser o Perfil Estratégico do Brasil, tudo isso considerando a capacidade nacional de aprestamento, mobilização, verificando os fatores de custo, as reais possibilidades e probabilidades do emprego violento da expressão militar e a possível reação do oponente.
Ressaltamos, que o reaparelhamento e transformação da Forças Armadas Terrestre não podem ser improvisados para atender a casos de emergência, devido à complexidade da guerra moderna e dos sistemas de armas, aos orçamentos dramaticamente curtos e a pequena percepção da sociedade em relação a necessidade de defesa.
Manter as Forças Armadas modernas e preparadas, como o nosso País requer e nossa sociedade deseja, deve ser o compromisso moral do governo, legisladores, militares e da sociedade.
2. FUTURO DESDE ONTEM, HOJE JÁ COMEÇA A SER PASSADO
Especular sobre o futuro para preparar os caminhos das novas gerações, eis um dos grandes desafios para o “time” que responde, na atualidade, pelos destinos das Forças Armadas.
A dinâmica desse novo mundo cibernético em que estamos exige uma capacidade de transformação acelerada. É preciso, pois, adaptar-se aos novos tempos.
Assim, não cabe mais, nesse ciclo tecnológico e moderno, somente, o raciocínio, a lógica, a estrutura e a decisão cartesiana. É hora e a vez da visão sistêmica, da descentralização em todos os níveis, da subsidiariedade [2], da valorização da iniciativa e de se buscar a eficácia[3] em vez de se privilegiar apenas a eficiência [4].
Do estudo, da avaliação, interpretação e adaptação destes conceitos, visando sua incorporação, teremos dado o primeiro passo importante na direção do futuro e estabelecido as bases para as grandes discussões em torno da transformação das Forças, do seu dimensionamento e da redefinição de suas missões.
E num mundo onde a tecnologia substitui inúmeras qualificações do homem, até mesmo a coragem física, no cotidiano do campo de batalha, ela não será capaz de substitui-lo no que ele sempre será essencial, na tomada de decisão. Neste momento, a coragem moral continuará sendo fundamental, particularmente quando implicar em mudar o velho que funciona, pelo novo que desafia.
As forças militares convencionais cumprirão ação predominante para a esfera estratégica, em que a integração do planejamento estratégico e a coordenação das ferramentas de Estado torna-se o denominador crítico.
A verdadeira novidade é como combinar o emprego de forças militares sincronizadas com as ferramentas tipicamente de Estado.
3. REMEMORAR PARA NÃO SER IGNORADO
“Se as Forças Armadas são o que alguns pensam, meramente um sistema logístico e gerencial destinado “organizar, treinar, e equipar forças da ativa e da reserva”, elas seriam um sucesso não qualificado [5].”[6]
“A vitória sorri aqueles que antecipam o caráter da guerra e não aos que esperam para se adaptar depois que ela ocorra.” (Douhet)
O futuro é agora “É UMA IDEIA BASÍCA”. As decisões com vistas a objetivos a serem atingidos em dez anos devem ser tomadas agora.
“Não é porque as coisas são difíceis que nós não ousamos, é porque não ousamos que as coisas são difíceis”. (Sêneca)
“Palavras sem ato são como tiros sem balas, atroam não ferem”. (Pe Antônio Vieira)
“Abrir os portões” do país a um inimigo, mesmo que muito mais poderoso, nem mesmo como peça de retórica deve ser mencionado.
4. UMA PRUDENTE E OPORTUNA REPETIÇÃO DE UMA POSIÇÃO JÁ PUBLICADA .[7]
– Mudanças na “Area de Defesa” não devem ser feitas em ano eleitoral.
– Não realizar mudanças nas Forças Armadas no cenário específico da atual conjuntura, procurar uma visão estratégica.
– Desenvolver uma teoria (Esclarecer conceitos e ideias) que mantenha o equilíbrio institucional na “Tríade Extraordinária Atual”.
– Buscar o apoio público, que deve ser parte essencial do Planejamento Estratégico, para o preparo e emprego e dar ao Congresso responsabilidade funcional de legitimar tal apoio.
– Entender o papel do Ministério da Defesa e dos Comandos Militares, ou seja, suas esferas de atribuição, suas competências e os limites de suas ações, se apresenta como fundamental.
– Os líderes militares precisam possuir uma compreensão da política nacional, desenvolvida durante toda sua carreira, desde as escolas de formação, tendo em vista ser sua missão a conquista de objetivos formulados pelo Poder Político, e para poder aquilatar os efeitos políticos colaterais das ações militares.
– Sobretudo ouçam o que tem a dizer os homens das armas, são eles que oferecerão suas vidas e deixarão seus corpos na defesa da Pátria.
[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército Veterano da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa.
[2] A subsidiariedade é um princípio que determina que uma autoridade superior, um nível de governo maior ou uma norma central só deve agir ou intervir quando o nível local, menor ou mais básico não puder resolver um problema sozinho.
[3] A eficácia é a capacidade de alcançar um objetivo ou produzir o efeito desejado,
[4] Capacidade de realizar tarefas ou produzir resultados, focando em fazer as coisas da maneira certa
[5] A expressão “sucesso não qualificado” (uma tradução literal do inglês “unqualified success”) significa um sucesso absoluto, total e sem restrições. Nesse contexto, a palavra “qualificado” não tem a ver com competência ou habilidades, mas sim com limitações ou condições.
[6] Leslie H. Gilb e Richard K. Betts (USA – Guerra do Vietinam)
[7][7] De Causas … E Consequências





















