COBERTURA ESPECIAL - Pandemic War - Naval

04 de Abril, 2020 - 13:20 ( Brasília )

Destituição do Comandante do USS Theodore Roosevelt detona o maior motim do tempo moderno

Afastado pelo Pentágono, capitão de porta-aviões CVN-71 USS Theodore Roosevelt afetado pelo coronavírus é aclamado como herói

 
Redação DefesaNet
e Agências


WASHINGTON - O capitão do porta-aviões nuclear americano  CVN-71 USS Theodore Roosevelt, foi afastado do comando por sua ação do surto de Covid-19 registrado no navio, foi aclamado como herói pelas tropas em sua partida, segundo vídeos publicados nesta sexta-feira, 3, em redes sociais.

As imagens mostram o capitão Brett Crozier - afastado do comando, em 02ABR2020,  depois que sua carta de advertência à US Navy vazou para a imprensa - deixando o navio enquanto passava por centenas de marinheiros, que o homenagearam com saudações militares, gritos e aplausos. O comandante já em terra bateu continência para tripulação e entrou em um carro que o aguardava.

Em carta de quatro páginas a seus superiores, que chegou ao San Francisco Chronicle, Crozier pede o desembarque  imediata dos quase 5 mil militares do navio, após o registro de vários casos de Covid-19.

"Não estamos em guerra. Os marinheiros não precisam morrer", diz a carta, publicada na última terça-feira pelo jornal californiano, localizado em San Francisco.

O secretário da Marinha, Thomas Modly, não gostou da carta. "Não estamos em guerra no sentido literal, mas tampouco estamos completamente em paz", comentou Modly, em entrevista coletiva, na quinta-feira. Ele chegou a anunciar a remoção do capitão. No entanto, após a grande repercussão negativa da decisão, Modly voltou atrás nesta sexta-feira e disse que Crozier será apenas "transferido".

Modly disse que 114 casos de coronavírus foram registrados na tripulação até agora, mas nenhum grave, e que Crozier exagerou quando sugeriu que os marinheiros morreriam sem uma ação rápida.

"Crozier mostrou ter um julgamento extremamente deficiente em meio a uma crise", disse Modly. O Pentágono pede aos militares que expressem suas críticas a seus superiores, respeitando as patentes. O Exército americano reclama que o capitão permitiu que sua carta chegasse à imprensa ao enviá-la com cópia para dezenas de pessoas.

Além disso, indicou o Pentágono, o comandante tomou a decisão de dar cinco dias de folga para suas tropas na última escala do Theodore Roosevelt, no começo de março, no Vietnã, quando o coronavírus atingia a Ásia.
 


O Roosevelt, um dos dois porta-aviões da Marinha dos EUA no Pacífico, está agora atracado em Guam, onde a maioria da tripulação está sendo alojada em terra para descontaminar o navio.

Ao chegar ao Roosevelt, o surto de coronavírus prejudicou uma peça-chave da prontidão militar dos EUA, embora as autoridades de defesa americanas digam que não há ameaças estratégicas imediatas e que o navio pode ser levado ao mar rapidamente, se necessário.

Crozier é acusado por ter enviado a sua carta ao Pentágono, para mais de 30 destinatários, muitos sem a necessidade de estarem na lista. A ação foi vista como intenção de vazar o documento para a imprensa o que ocorreu com a publicação pelo San Francisco Chronicle, cidade natal do comandante, em sua edição de 31 Março 2020.


O assunto tem várias implicações político-militares, entre estas:

- O comandante de um porta-aviões é um oficial selecionado com muito cuidado. Seu status é tão alto que o Chefe de Operações Navais da US Navy, o mais alto posto militar, é seu convidado quando a bordo;

- Isto causa um impacto enorme no moral da US Navy;

- O desembarque do Capitão Crozier e a ação da tripulação pode ser visto com um ato de insubordinação;

- Se for visto assim seria o maior Motim da história da US Navy;

-  Após o desgaste de perdoar as acusações contra o SEAL Eddie Gallagher , acusado de conduta incorreta no Iraque, a Administração Trump enfrenta o mais grave conflito com os militares.


 


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