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08 de Dezembro, 2018 - 16:16 ( Brasília )

Odebrecht ajudará a construir submarinos

Franceses, que fecharam negócio de 7 bi com Marinha, farão joint venture com construtora Wi




DefesaNet 21 Janeiro
2009
OESP 21 Janeiro 2009


Odebrecht ajudará a construir submarinos

Franceses, que fecharam negócio de 7 bi com Marinha,
farão joint venture com construtora

Wilson Tosta, RIO

Nota DefesaNet

Este artigo foi adiantado com exclusividade por DefesaNet, publicado dia 23 Dez 2008. "Acordo sobre Submarinos ainda depende de Discussões - Questão Industrial é Crítica" - Nelson During - DefesaNet - Dezembro 2008

 

Também o importante artigo sobre a revisão do programa de investimentos da Petrobras:Petrobras vai renegociar contratos de 700 projetos - Cláudia Schüffner - Valor


A Construtora Norberto Odebrecht será sócia na construção dos cinco submarinos contratados pelo Brasil com a França - um negócio estimado em 7 bilhões (R$ 21,4 bilhões) ao longo de 20 anos, acertado no fim de 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu colega francês, Nicolas Sarkozy. A DCNS, empresa que tem 75% de suas ações controladas pelo Estado na França e 25% pela Thales, afirmou que a Odebrecht foi escolhida por sua especialização nas áreas nuclear e de offshore. Formará com os franceses uma joint venture para fazer as embarcações.

A empreiteira construirá ainda o estaleiro onde as embarcações serão montadas e uma nova base naval no Porto de Sepetiba, no Rio. O contrato entrará em vigor no segundo semestre.

Um porta-voz da empresa, pedindo anonimato, disse que o projeto "é o contrato mais importante já assinado pela DCNS". Será a primeira parceria industrial DCNS-Odebrecht. Segundo o porta-voz, "a Odebrecht tem um painel de atividades, assim como projetos industriais na área nuclear e de offshore que correspondem à realidade do projeto dos submarinos". Ele reforçou que "essas atividades são complementares às da DCNS". A empresa francesa não divulgou cifras do negócio, considerado confidencial.

A joint venture construirá, com assistência da DCNS, os quatro submarinos convencionais Scorpène, a propulsão diesel-elétrica. Cada um terá menos de 75 metros de comprimento, deslocará até 2 mil toneladas na superfície e poderá levar de 30 a 45 pessoas. Terá sistemas de torpedos pesados de nova geração e poderá ser equipado com mísseis antinavio.

MONTAGEM

O primeiro submarino será em parte feito na França, em Cherbourg - os outros terão seus cascos montados no Brasil, depois de manufaturados na Nuclep, em Itaguaí (RJ). A DCNS dará assistência para o design da parte não-nuclear do submarino, a ser feita pela joint venture, e às obras para construção do estaleiro e da nova base. A DCNS alegou confidencialidade para não revelar valores e data de entrega de quatro das cinco embarcações. A primeira estará operacional em 2015.

Desde o início, o estaleiro a ser construído pertencerá à Marinha do Brasil, que vai cedê-lo à joint venture DCNS-Odebrecht para a construção dos submarinos. Serão abertas vagas de trabalho para 500 pessoas ao longo de 20 anos. Outras empresas francesas, como Thales, Jeumont Electric e Sagem, também participarão do projeto, como fornecedoras de equipamentos. Equipes de engenheiros e técnicos brasileiros serão reunidas em Cherbourg, durante a fabricação da parte do primeiro submarino. Mais de cem empregados da DCNS trabalharão no Brasil, entre permanentes e temporários.

O grupo DCNS tem 13 mil funcionários em dez localidades da França e faturamento de 2,8 bilhões. O grupo tem filiais na Grécia, Arábia Saudita, Malásia, Cingapura, Índia e Itália. Tem mais de 50 governos como clientes.

A assessoria da Odebrecht, procurada ontem pelo Estado, informou que caberia à Marinha do Brasil comentar o assunto.

Marinha diz que escolha foi exclusiva dos franceses

Wilson Tosta, RIO

O comando da Marinha do Brasil esclareceu ontem que a escolha da Odebrecht como sócia do projeto de construção dos submarinos foi feita exclusivamente pela empresa francesa DCNS. "Apesar de solicitada, a MB recusou-se, sequer, a indicar as empresas possíveis, haja vista que qualquer indicação seria inevitavelmente uma fonte de controvérsias futuras", afirma nota enviada ao Estado.

O "problema", diz o texto, ficou a cargo da DCNS. A Marinha também informou que, para a operação do estaleiro, será constituída uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com 50% das cotas sob controle da Odebrecht, 49% com a DCNS e 1% com a Marinha do Brasil.

A participação do governo federal brasileiro, contudo, será mais que simbólica, pois terá direito de veto em questões estratégicas, como ocorre na Embraer desde sua privatização. Não fica claro se esta é a mesma sociedade referida pela DCNS, cujo controle majoritário, segundo disse ao Estado o porta-voz da própria empresa, ficará com os franceses. Para operar o estaleiro não haverá joint venture, diz a nota da Marinha.


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