17 de Julho, 2015 - 16:05 ( Brasília )

Aviação

O que ocorreu com o voo MH17?

Há um ano, o Boeing da Malaysia Airlines foi abatido quando sobrevoava o leste ucraniano. Na queda do avião, morreram 298 pessoas. O que se sabe sobre a tragédia? Veja as principais perguntas e respostas.

O que é fato até agora?

O Boeing da Malaysia Airlines com número de voo MH17 estava viajando em 17 de julho de 2014 de Amsterdam para Kuala Lumpur. A rota tinha sido aprovada pelo controle aéreo europeu (Eurocontrol) e pela Organização da Aviação Civil Internacional (Icao). Por volta de 13h20 (hora local ucraniana), o avião foi atingido por um míssil, caindo imediatamente e matando todos os 298 ocupantes. A maioria das vítimas era da Holanda.

Qual é considerada a causa da queda?

Um relatório preliminar da autoridade de segurança aérea holandesa (OVV), responsável pela investigação da queda, indica que danos na parte dianteira da aeronave são indícios de que uma série de objetos penetrou o avião a partir do exterior, partindo a aeronave. O relatório não contém evidências de defeitos técnicos ou de falha do piloto. No início de outubro deste ano, a OVV vai apresentar o seu relatório final.

No que se baseia a tese de que o avião foi atingido por um míssil?

Ela é apoiada pela grande maioria dos peritos internacionais. No próprio dia da queda, surgiram suspeitas de que um míssil terra-ar Buk poderia ter atingido a aeronave. Buracos na cabine dos pilotos e na fuselagem dianteira são tidos como indícios claros. Especialistas acreditam que eles foram causados por estilhaços de uma ogiva de míssil. Autoridades de inteligência americanas declararam que imagens de satélite também forneceram evidências do lançamento de um foguete. Até mesmo o serviço de informação científica militar IHS Janes acredita que a queda foi causada por um Buk M1. Pedaços de metal encontrados no local da queda foram atribuídos a uma ogiva de míssil Buk. Fotos e vídeos considerados genuínos também sugerem que o avião foi abatido por um míssil terra-ar russo.

A rota era considerada perigosa?

Sim. A rota de voo MH17 passava por uma área de crise, ou seja, no leste da Ucrânia. A região até hoje é palco de batalhas entre forças ucranianas e separatistas pró-russos. Várias companhias aéreas internacionais já tinham decidido evitar a área. Em 1° de julho, as autoridades ucranianas bloquearam o espaço aéreo do sudeste do país. Sem permissão especial, aviões civis só podiam sobrevoar a região em altitudes acima de cerca de oito quilômetros. Ao contrário de outras companhias aéreas, a Malaysia Airline optou por continuar sobrevoando a região. Mas ela não era a única empresa que decidiu assim. Na semana anterior ao acidente, cerca de 900 outros voos regulares passaram pela região.
 

Quem é considerado responsável pela queda?

Isso não foi inteiramente esclarecido. A Ucrânia e os países ocidentais suspeitam que os rebeldes pró-russos derrubaram o avião com um míssil terra-ar. Moscou rejeita essa tese e culpa o governo de Kiev.

Mas há muitas indicações de que o míssil foi disparado a partir das fileiras separatistas. Já em 18 de julho, o Ministério do Interior ucraniano divulgou um vídeo realizado nos dias posteriores da queda, mostrando um sistema Buk com um conjunto incompleto de foguetes, afirmando que o equipamento pertence aos rebeldes.

O Departamento Federal de Informações da Alemanha (BND) também chegou à conclusão de que o voo MH17 foi abatido por separatistas com um sistema BUK capturado de militares ucranianos. Gravações de áudio sugerem, entretanto, que o MH17 foi confundido com um avião militar ucraniano.

Foram encontradas provas materiais?

Sim. O gravador de dados de voo foi recuperado no dia do acidente e entregue pelos rebeldes ucranianos a representantes da Malásia, quatro dias depois. Os equipamentos não apresentavam sinais de adulteração. Os dados foram, então, analisados por autoridades britânicas especializadas em acidentes aéreos. Os resultados do trabalho foram disponibilizados às autoridades holandesas.

Como as famílias das vítimas reagiram legalmente?

Um ano após a queda, elas cobram judicialmente uma indenização de cerca de 826 milhões de euros de um líder separatista. Na ação, eles se baseiam numa lei americana contra tortura e assassinatos extrajudiciais, que pode ser aplicada contra estrangeiros. Um dos advogados das vítimas afirmou estar interessado menos na compensação financeira do que em obter respostas. Além disso, o processo visa, segundo ele, aumentar a pressão sobre a Rússia.
 

Quem as famílias das vítimas consideram culpados?

Elas entraram com ação judicial contra o cidadão russo Igor Girkin. Ele atuou temporariamente como ministro da Defesa da não reconhecida "República Popular de Donetsk". Elas acusam-no de ter ordenado, apoiado ou favorecido a derrubada do Boeing 777, através de seu exército rebelde e com aprovação do Kremlin.

Como os fatos devem ser esclarecidos de forma conclusiva?

A Malásia pediu que o acidente seja julgado por um tribunal da Organização das Nações Unidas. Para isso, o país apresentou na semana passada um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU. O texto pede a criação de um tribunal conforme o capítulo sete da Carta da ONU. Caso haja resistência aos esforços investigativos do tribunal, o prosseguimento dos trabalhos deve ser garantido através da aplicação de sanções. A Holanda apoia esta proposta.

Nota DefesaNet:

Esclarecimento - Comunicado Almaz-Antey

O relatório completo e detalhado da análise efetuada pelos especialistas da Almaz-Antey foi entregue para a Comissão Internacional. O consórcio ressalta que é criador de sistemas de defesa antiaéreos de mísseis, além de sistemas de misseis terrestres de longitude média BUK.

A companhia possui competência exclusiva no que se refere ao conhecimento, composição e funcionamento de seus mísseis. Não obstante, as conclusões finais sobre como e com o quê foi destruído o avião só poderão ser feitas após a realização de todas as perícias tecnológicas.

Os especialistas da Almaz-Antey analisaram minuciosamente todas as informações existentes relativas ao acidente e que foi entregada pela Comissão Internacional criada para investigar as causas do desastre. Com base nos resultados obtidos, o consórcio afirma que: para que o Boeing 777 tivesse sido atingido pelo sistema de defesa antiaéreo “BUK”, essa possibilidade somente seria possível caso fosse utilizado o míssil 9M38 (M1) do sistema de defesa antiaéreo “BUK-M1”, localizado mais ao Sul, em especial na região de Zaróschenskoie.

A Almaz-Antey alerta que o míssil 9M38 (M1) utilizado no sistema de defesa antiaéreo “BUK-M1” foi retirado de produção em 1999. Além disso, toda a produção restante foi vendida para clientes estrangeiros. Por conta disso, o consórcio – que apenas foi fundado em 2002 – não teria como vender o equipamento.


Até o momento, o consórcio não possui toda a informação completa sobre as análises efetuadas pela Comissão Internacional.


Leia o comunicado Oficial da Almaz-Antey, publicado pelo DefesaNet , sobre o acidente com MH17 (Link).