A certificação das Forças de Emprego de Prontidão, a realização da Operação Aratu XI e a conclusão das Operações Harpia II e SISDAC evidenciam o aperfeiçoamento do modelo de preparo operacional do Exército Brasileiro, fortalecendo a integração entre adestramento, certificação e sustentação logística para ampliar a capacidade de resposta da Força Terrestre diante dos desafios do ambiente estratégico contemporâneo
Por Redação DefesaNet
(RDN) A Guerra da Ucrânia redefiniu brutalmente o conceito de sustentabilidade militar no século XXI, provando que o moderno ecossistema de combate pune severamente o gargalo logístico e a falta de padronização.
No leste europeu, a capacidade de manter blindados e sistemas de artilharia operacionais sob fogo contínuo — priorizando a revitalização e o suprimento imediato em vez da dependência de arsenais novos — tornou-se o real divisor de águas entre a sobrevivência e o colapso.
É sob a ótica dessas duras lições contemporâneas que se desenha a atual transição doutrinária da Força Terrestre nacional. Este artigo analisa como o Exército Brasileiro vem moldando seu modelo de “prontidão permanente”, integrando certificação rápida, adestramento realista e logística de manutenção para transformar restrições orçamentárias em capacidade operacional e dissuasória real.
A Força Terrestre diante dos desafios do ambiente estratégico contemporâneo
Em um período de poucos dias, o Exército Brasileiro divulgou três iniciativas que, analisadas isoladamente, representam avanços importantes em áreas distintas da atividade militar. Em conjunto, entretanto, elas evidenciam uma mudança mais profunda na forma como a Força Terrestre compreende a geração de poder militar.
A certificação das Forças de Emprego de Prontidão (FORPRON), o exercício da Brigada de Infantaria Aeromóvel durante a Operação Aratu XI e a conclusão das Operações Harpia II e SISDAC pela Base de Apoio Logístico do Exército revelam uma estratégia integrada baseada na preparação permanente das tropas, na validação operacional de capacidades e na sustentação logística dos meios empregados.
Em um ambiente internacional marcado por conflitos de alta intensidade, rápida evolução tecnológica e crescente importância da capacidade de resposta imediata, a prontidão deixou de representar apenas um indicador administrativo para assumir posição central na credibilidade operacional de qualquer força armada.

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A prontidão como eixo da transformação doutrinária
Historicamente, grande parte das forças armadas concentrou seus esforços na modernização de equipamentos ou na ampliação de seus efetivos. A experiência recente dos conflitos contemporâneos, entretanto, demonstrou que possuir material moderno não garante capacidade operacional caso as tropas não estejam permanentemente treinadas, certificadas e sustentadas logisticamente.
Nesse contexto, o Sistema de Prontidão Operacional desenvolvido pelo Exército Brasileiro procura integrar diferentes componentes da atividade militar em um único processo contínuo.
A certificação conduzida pelo Comando de Operações Terrestres (COTER) representa justamente essa mudança de paradigma. Mais do que verificar o cumprimento de cronogramas de instrução, o processo busca validar se uma organização militar possui condições efetivas de ser empregada em operações reais, considerando treinamento, comando, comunicações, logística, interoperabilidade e padronização doutrinária.
Na prática, trata-se da substituição da lógica do treinamento periódico por um conceito de disponibilidade operacional permanente.

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Da certificação ao emprego: a Operação Aratu XI
A certificação somente produz efeitos quando submetida à realidade do terreno. É nesse contexto que a Operação Aratu XI assume papel estratégico.
A mobilização de mais de mil militares, dezenas de viaturas e meios da Aviação do Exército demonstra que o objetivo ultrapassa o simples adestramento de tropas. O exercício reproduz um ambiente operacional complexo, exigindo coordenação entre diferentes organizações militares, planejamento, comando e controle, infiltração aeromóvel, apoio logístico e tomada de decisões sob pressão.
Esse tipo de atividade aproxima o treinamento das condições encontradas em operações reais, reduzindo a distância entre a preparação em tempo de paz e o eventual emprego em situações de crise, defesa territorial, operações de paz ou apoio à defesa civil.
Ao mesmo tempo, fortalece a interoperabilidade entre diferentes capacidades da Força Terrestre, elemento cada vez mais valorizado nas operações militares modernas.




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A logística como fator decisivo da capacidade militar
Entre as três iniciativas anunciadas, talvez a menos visível ao público seja justamente aquela que produz efeitos mais duradouros sobre a capacidade operacional.
As Operações Harpia II e SISDAC evidenciam que a Base de Apoio Logístico desempenha papel fundamental na manutenção da disponibilidade dos sistemas de armas e equipamentos empregados pelo Exército.
A recuperação de obuseiros M101 de 105 mm, a revitalização de viaturas e a modernização do Sistema Digitalizado de Artilharia de Campanha demonstram que o conceito contemporâneo de prontidão depende tanto da manutenção eficiente quanto da incorporação de novos equipamentos.
Em um ambiente de restrições orçamentárias, ampliar a disponibilidade operacional do material existente pode produzir resultados estratégicos superiores à simples aquisição de novos sistemas sem adequada capacidade de sustentação.
A experiência internacional confirma essa realidade. Diversos conflitos recentes demonstraram que perdas logísticas, indisponibilidade de equipamentos e dificuldades de manutenção frequentemente limitam mais as operações do que a ausência de novos armamentos.

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As lições incorporadas dos conflitos contemporâneos
Embora as publicações do Exército não façam referência direta aos conflitos internacionais, é difícil dissociar essa evolução das lições observadas em operações recentes, particularmente na Guerra da Ucrânia.
O conflito evidenciou que fatores como mobilização rápida, manutenção contínua, disponibilidade de meios, reposição logística, integração entre sensores, comunicações e apoio de fogo passaram a exercer influência decisiva sobre o desempenho das forças em combate.
Nesse cenário, a capacidade de gerar forças prontas em curto espaço de tempo tornou-se um ativo estratégico tão relevante quanto a quantidade nominal de equipamentos disponíveis.
O conceito de prontidão passa, portanto, a ser compreendido como um processo permanente de geração de capacidades e não como um estado eventual atingido após grandes exercícios.




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Muito além das missões convencionais
Outro aspecto relevante dessa transformação reside na flexibilidade operacional proporcionada por forças permanentemente certificadas.
O Brasil possui responsabilidades que vão muito além da defesa convencional de seu território. Operações de garantia da lei e da ordem, apoio à população em desastres naturais, missões humanitárias, participação em operações internacionais de paz e proteção de infraestruturas críticas exigem elevada capacidade de mobilização em prazos reduzidos.
Nesse contexto, manter unidades certificadas amplia significativamente a capacidade de resposta do Estado brasileiro diante de diferentes tipos de crise, reduzindo o tempo necessário entre a decisão política e o emprego efetivo das tropas.

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A prontidão depende apenas de treinamento?
Os avanços observados representam uma evolução importante na doutrina operacional do Exército Brasileiro. Entretanto, a consolidação desse modelo depende de fatores que extrapolam o ciclo de certificação.
A manutenção de elevados níveis de prontidão exige estabilidade orçamentária, disponibilidade de peças de reposição, renovação gradual dos equipamentos, continuidade dos programas de modernização e investimentos permanentes em capacitação de pessoal.
Existe ainda o desafio da obsolescência de parte do material empregado pela Força Terrestre. Embora programas de recuperação e revitalização ampliem significativamente a vida útil dos equipamentos, determinadas capacidades somente poderão atingir novos patamares mediante a incorporação gradual de sistemas mais modernos.
Por outro lado, concentrar investimentos exclusivamente na aquisição de novos armamentos sem assegurar treinamento, manutenção e logística produziria capacidades apenas aparentes. A experiência internacional demonstra que equipamentos tecnologicamente avançados perdem rapidamente seu valor operacional quando não acompanhados por uma estrutura robusta de sustentação.
O equilíbrio entre modernização, manutenção e preparo humano permanece, portanto, como um dos principais desafios estratégicos da Força Terrestre.




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Contextualização estratégica
A estratégia atualmente desenvolvida pelo Exército Brasileiro aproxima-se de uma tendência observada em diversas forças armadas ocidentais, particularmente entre países membros da OTAN.
Nos últimos anos, a prioridade deixou de ser apenas a expansão quantitativa dos efetivos ou a aquisição de plataformas sofisticadas. O foco passou a recair sobre a capacidade de mobilização rápida, disponibilidade operacional contínua, interoperabilidade e sustentação logística.
Essa transformação responde diretamente ao ambiente estratégico contemporâneo, caracterizado por crises de rápida evolução, conflitos híbridos, operações multidomínio e necessidade de integração permanente entre diferentes componentes das forças militares.
Ao estruturar um sistema baseado em certificação, exercícios realistas e fortalecimento da logística, o Exército Brasileiro demonstra convergência com essa evolução doutrinária internacional, adaptando-a às necessidades e limitações nacionais.

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Implicações para a capacidade militar brasileira
Caso esse modelo seja mantido de forma contínua, seus efeitos tendem a extrapolar o âmbito estritamente operacional.
A consolidação de uma cultura institucional baseada na prontidão permanente pode aumentar a eficiência do emprego dos recursos públicos, melhorar a disponibilidade dos meios existentes, reduzir tempos de mobilização e fortalecer a credibilidade da Força Terrestre tanto em operações nacionais quanto em compromissos internacionais.
No campo industrial, programas de revitalização e manutenção estimulam o desenvolvimento de competências nacionais em suporte logístico, integração de sistemas e engenharia de defesa, contribuindo para preservar conhecimentos estratégicos e ampliar a autonomia operacional.
Do ponto de vista doutrinário, a integração entre certificação, treinamento e logística tende a produzir um ciclo permanente de aperfeiçoamento operacional, no qual cada exercício retroalimenta o desenvolvimento de procedimentos, normas e capacidades futuras.




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Evolução doutrinária
As três iniciativas recentemente divulgadas pelo Exército Brasileiro revelam mais do que atividades rotineiras de treinamento ou manutenção. Em conjunto, demonstram a consolidação de um modelo de geração de capacidade militar baseado na integração entre preparo humano, validação operacional e sustentação logística.
Em um cenário internacional no qual a velocidade de resposta passou a ser um dos principais indicadores de poder militar, a prontidão permanente tende a assumir importância equivalente à incorporação de novos sistemas de armas.
A efetividade de uma força deixa de ser medida apenas pelo volume de equipamentos disponíveis e passa a depender, cada vez mais, da capacidade de manter pessoas, meios e estruturas aptos para o emprego imediato.
Nesse contexto, a estratégia adotada pelo Exército Brasileiro sinaliza uma evolução doutrinária consistente, na qual treinamento, certificação e logística deixam de ser atividades independentes para constituir um único sistema de geração contínua de poder terrestre.

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Fonte: https://www.eb.mil.br/
- Certificação das Forças de Emprego de Prontidão capacitam tropas do Exército para missões reais
- Exército realiza exercício com mais de mil militares e evidencia prontidão de brigada
- Base de Apoio Logístico conclui operações Harpia II e SISDAC e fortalece capacidades estratégicas da Força Terrestre
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