Os tradicionais hangaretes vistos em todas as bases aéreas mostram sérias deficiência para proteger além dos raios do sol ou intempérie
Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet
Fotos CECOMSAER
Os conflitos recentes estão transformando profundamente a forma como as forças aéreas precisam proteger seus meios. Durante décadas, acreditou-se que estacionar aeronaves em hangares convencionais ou em linhas de voo dispersas era suficiente para garantir sua sobrevivência. Essa realidade mudou.
A proliferação de drones de ataque, munições vagantes e armas de precisão de baixo custo tornou as bases aéreas alvos extremamente vulneráveis. Hoje, um sistema que custa poucos milhares de dólares pode destruir uma aeronave avaliada em dezenas ou centenas de milhões.
Os acontecimentos mais recentes na guerra entre Rússia e Ucrânia ilustram essa mudança. Na Operação Spiderweb, a Ucrânia demonstrou que é possível atingir aeronaves estratégicas russas estacionadas em suas próprias bases, causando perdas significativas. Nesta semana, ataques russos também atingiram aeronaves ucranianas durante operações de reabastecimento, inclusive dentro de hangares.
A principal conclusão é clara: um hangar convencional deixou de representar uma proteção efetiva contra as ameaças modernas. Essas estruturas foram projetadas para proteger as aeronaves das intempéries e facilitar a manutenção, não para resistir a drones explosivos ou munições guiadas de precisão.

As proteções usadas na Base Aérea de Anápolis para os F-39 Gripen em alerta mostram também limitações
Isso não significa que hangares sejam inúteis ou que drones, por si só, sejam capazes de eliminar toda uma força aérea. A sobrevivência das aeronaves depende de um conjunto de medidas integradas: abrigos reforçados (Hardened Aircraft Shelters), sistemas antidrones, defesa antiaérea de curto alcance, guerra eletrônica, sensores de vigilância, dispersão das aeronaves e procedimentos operacionais rigorosos.
Para o Brasil, a lição é evidente. Grande parte das aeronaves da Força Aérea Brasileira permanece estacionada em linhas de voo abertas ou em hangares convencionais, que oferecem pouca proteção contra as ameaças observadas nos conflitos atuais. A modernização da aviação militar não pode se limitar à aquisição de novos caças, aeronaves de transporte ou helicópteros. É igualmente indispensável investir na proteção das bases aéreas.
Na guerra moderna, vencer não depende apenas da capacidade de decolar e combater. Depende, antes de tudo, da capacidade de manter as aeronaves vivas enquanto ainda estão no solo. Afinal, uma força aérea destruída em sua própria base jamais terá a oportunidade de entrar em combate.

Áreas de manutenção também mostram uma proteção frágil



















