Plataforma apresentada no COP International 2026 combina dados de diferentes fontes, análise geoespacial e inteligência artificial para apoiar operações, identificar padrões e ampliar a consciência situacional
Transformar informações dispersas em inteligência capaz de orientar uma operação em campo é uma das propostas da Black Spirit, empresa brasileira de tecnologia voltada à segurança pública e defesa, que participa da COP International 2026. A companhia desenvolve soluções para integrar sistemas que tradicionalmente funcionam de maneira fragmentada e criar capacidades adaptadas às necessidades de diferentes instituições.
A estratégia passa por reunir informações provenientes de múltiplas fontes em um ambiente seguro e auditável e, a partir delas, identificar relações que dificilmente seriam percebidas em uma análise isolada. A plataforma Black Spirit utiliza recursos de inteligência artificial, análise de dados, visualização geoespacial e correlação de eventos para transformar grandes volumes de informações em conhecimento aplicável às decisões operacionais.
“Nosso trabalho parte de um problema muito concreto da segurança pública: existem muitos dados e sistemas disponíveis, mas nem sempre essas informações conversam entre si. A proposta é integrar essas fontes e transformar os dados em inteligência que possa efetivamente apoiar quem está tomando decisões e quem está na operação”, explica Diego de Carvalho, CEO da Black Spirit.
Segundo a empresa, os algoritmos empregados pela plataforma permitem identificar padrões, anomalias e correlações complexas, além de apoiar análises de risco e o monitoramento contínuo. Informações atuais também podem ser combinadas com dados históricos para a construção de cenários prospectivos, ampliando a capacidade de antecipação e auxiliando na distribuição dos recursos disponíveis.
Entre as aplicações previstas estão análise térmica para identificação de anomalias, monitoramento de movimentações em condições de baixa visibilidade, vigilância e análise comportamental de áreas remotas e fronteiras, mapeamento e proteção de infraestruturas críticas, identificação de padrões de atividade não convencionais e produção de inteligência para operações de campo.
Integração chega às operações
A atuação da Black Spirit não se restringe à análise de informações. A empresa desenvolve tecnologias para conectar serviços e sistemas já existentes nas instituições públicas.
Entre os projetos realizados estão a integração de diferentes serviços de órgãos de trânsito e o desenvolvimento de tecnologia de rastreamento utilizada no apoio a forças policiais em operações que resultaram na localização de foragidos e recuperação de veículos roubados.
“Não se trata simplesmente de colocar mais uma tecnologia dentro da instituição. Trabalhamos para entender a realidade operacional de cada órgão e desenvolver capacidades que façam sentido naquele ambiente. Em segurança pública, a tecnologia precisa estar conectada à operação para produzir resultado”, afirma Carvalho.
Mais recentemente, a empresa iniciou uma atuação junto à Secretaria de Segurança do Rio Grande do Norte. O trabalho envolve integração de dados e aplicação de inteligência às operações estaduais. De acordo com a Black Spirit, o projeto ainda está em fase inicial e detalhes técnicos e operacionais são mantidos sob acordos de confidencialidade.
A arquitetura da plataforma foi concebida para diferentes contextos e missões e busca oferecer aos gestores uma visão mais ampla do cenário operacional. Na prática, a lógica é permitir que informações antes distribuídas entre diferentes bases sejam relacionadas e interpretadas para auxiliar decisões mais rápidas e fundamentadas.
Engenheiros dentro da realidade operacional
Outro elemento da estratégia da Black Spirit é o modelo de Forward Deployed Engineers (FDEs). Em vez de desenvolver uma solução distante do ambiente em que será utilizada e entregá-la posteriormente à instituição, engenheiros da companhia trabalham diretamente com as agências para compreender processos, necessidades e particularidades da operação.
“Os nossos engenheiros atuam lado a lado com as agências. Isso permite compreender o problema dentro do contexto em que ele realmente acontece e adaptar a tecnologia às necessidades específicas de cada instituição, em vez de tentar encaixar a operação em uma solução pronta”, diz Carvalho.
Além da inteligência artificial, a empresa afirma trabalhar com um conjunto de tecnologias proprietárias. A combinação entre integração de sistemas, análise automatizada e atuação próxima às equipes operacionais pretende atacar justamente um dos desafios da transformação digital da segurança pública: fazer com que o volume crescente de informações disponíveis deixe de ser apenas um conjunto de registros e passe a funcionar como ferramenta de consciência situacional.
Nesse modelo, o objetivo final não é apenas visualizar o que já aconteceu. Ao correlacionar eventos, identificar comportamentos fora do padrão e analisar informações históricas e atuais, a Black Spirit busca oferecer às instituições elementos para antecipar cenários, direcionar recursos e apoiar operações em campo.




















