Expectativa é promover mais de 40 mil atendimentos anuais em comunidades ribeirinhas da Amazônia Oriental a partir do segundo semestre
Por Agência Marinha de Notícias
O primeiro navio da Marinha do Brasil (MB), na história recente, a ostentar um nome feminino deve entrar em operação já no segundo semestre. O Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Anna Nery”, em homenagem à enfermeira que atuou voluntariamente na Guerra da Tríplice Aliança, encontra-se em fase de testes no Estaleiro Bibi, em Manaus (AM), onde foi construído com tecnologia totalmente nacional e recursos do Fundo Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde.
A escolha do nome retoma uma tradição histórica da Força Naval. No período monárquico, a MB batizou navios em homenagem a mulheres da Casa Imperial, como a Corveta “Dona Isabel”, incorporada em 1855 em referência à Princesa Isabel.
Na década de 1950, a heroína da Pátria Alferes Maria Quitéria de Jesus deu nome a uma barca d’água construída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, posteriormente reclassificada como navio-tanque e rebatizada de “Gastão Moutinho”.
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Atendimento em áreas de difícil acesso
Com capacidade para aproximadamente 500 atendimentos diários em comunidades ribeirinhas da Amazônia Oriental, o “Anna Nery” funcionará como uma unidade de saúde flutuante completa. Sua estrutura conta com:
- Seis consultórios (médicos e odontológicos);
- Centro cirúrgico para procedimentos de pequena complexidade;
- Exames de imagem: mamografia, raios X e ultrassonografia;
- Suporte: farmácia, laboratório de análises clínicas e leitos de internação.
O navio reforçará as atividades hoje desempenhadas pelo Navio-Auxiliar (NA) “Pará” e pelo NAsH “Sargento Lima” na área de competência do Comando do 4º Distrito Naval, que compreende os estados do Pará, Amapá, Maranhão e Piauí. O calado menor — distância entre a superfície da água e a quilha do navio — possibilita ao NAsH “Anna Nery” atuar em regiões onde o leito do rio apresenta profundidade reduzida, ampliando o raio de ação das operações de assistência à saúde.
O futuro Comandante do navio destaca o impacto social da incorporação do novo meio na ampliação da assistência à população em áreas de maior vulnerabilidade:
“O NAsH ‘Anna Nery’ incrementará as capacidades assistenciais do Estado com atendimentos especializados em algumas das regiões que apresentam os menores índices de desenvolvimento humano do País. Isso se traduz em mais pessoas em condição de vulnerabilidade social, que residem em comunidades ribeirinhas, sendo assistidas”, afirma o futuro Comandante do navio, Capitão de Corveta Diego Luiz de Sá Rodrigues.
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Testes de equipamentos e sistemas
Atualmente, a embarcação passa por testes em seus equipamentos e sistemas, como geradores de energia, motores de combustão, engrenagens redutoras reversoras (que alteram velocidade e sentido de rotação do motor), sistemas de controle e monitoramento da propulsão, governo do navio, combustível, aguada (provisão de água potável), esgoto e combate a incêndio. Nessa etapa também foi iniciado o embarque e a instalação dos aparelhos hospitalares.
“Os testes são fundamentais para o comissionamento e a entrega técnica de equipamentos e sistemas, uma vez que permitem a verificação da integridade e dos parâmetros de seu funcionamento, bem como a realização dos ajustes necessários, a fim de garantir que a Marinha receba o navio com as capacidades esperadas e fundamentais à sua operação”, explica o Capitão de Corveta Diego Rodrigues.
Essa etapa de verificação deve ser concluída em três meses, quando o novo Navio de Assistência Hospitalar poderá ser incorporado à estrutura operativa da Marinha do Brasil. A cerimônia está prevista para o início do segundo semestre, em Belém (PA), ocasião em que o navio será oficialmente batizado de “Anna Nery”. Trata-se do primeiro navio da Força, na história recente, a receber um nome feminino.
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Anna Nery: primeira enfermeira do Brasil
O nome é uma homenagem a Anna Justina Ferreira Nery, que se voluntariou como enfermeira para atuar em hospitais de campanha brasileiros durante a Guerra da Tríplice Aliança. Ela cuidou dos feridos em condições adversas, como falta de higiene, escassez de recursos e superlotação. Perdeu um filho no conflito e, ao retornar ao País, foi reconhecida pela imprensa da época como “mãe dos brasileiros”.
“Que impacto não deve ter sido a notícia da morte do filho? E ainda assim ela continua, não desiste, não muda seu comportamento. Ela pedia para ser chamada quando todo e qualquer soldado estivesse morrendo, ia até ele com o rosário, orava e esperava até o último suspiro. Era ela quem fechava seus olhos. Esse pedido já a conota não como uma mulher de guerra, mas uma mãe. Acho que é a partir daí que vem esse título”, explica a trineta dela, Solange Fiori Nery.
Segundo o Capitão de Corveta Diego Rodrigues, a atribuição de nomes para os novos meios navais segue critérios pré-definidos. No caso de Anna Nery, é uma homenagem póstuma a uma personagem histórica de grande relevância para o País. “Seus feitos corroboram com essa escolha, uma vez que se trata de uma personalidade de caráter altruísta, que devotou parcela de sua vida ao cuidado com o próximo, vindo a ser reconhecida como a pioneira da enfermagem brasileira.”
Solange acredita que, apesar do perfil discreto, que dispensava qualquer reconhecimento, Anna Nery teria gostado deste, pela qualidade do trabalho que o navio desenvolverá.
““Esse quesito ‘vaidade’ não existia nela, mas nós, da família, ficamos impactados com a homenagem, de como a trajetória dela coincidiu com o objetivo do navio, que é cuidar, amar. Todo o nosso agradecimento à Marinha de levar adiante a memória de Anna Justina.”
Fonte: Agência Marinha de Notícias
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