Evento reuniu debates sobre defesa, energia nuclear e desenvolvimento tecnológico, além de experiências interativas abertas ao público
Por Capitão de Corveta (T) Lara , Edwaldo Costa – Jornalista e Segundo-Tenente (RM2-T) David Marcondes
A Marinha do Brasil (MB) participou da primeira edição da São Paulo Innovation Week (SPIW), realizada entre os dias 13 e 15 de maio, no Mercado Livre Arena Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo (SP). A programação do evento foi voltada à inovação, à tecnologia e a temas estratégicos para o País.
Durante o evento, a Força integrou debates sobre energia nuclear, segurança energética, geopolítica, inovação aplicada à defesa e resposta a desastres ambientais, além de apresentar ao público projetos e tecnologias em desenvolvimento por meio de simuladores, sistemas virtuais, robótica e maquetes de programas estratégicos navais.
A participação da Marinha na SPIW também reforçou a aproximação da Força com os setores de ciência, tecnologia, empreendedorismo e indústria reunidos no evento. Durante a exposição, o Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, destacou a importância desse diálogo para o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o País.
“A participação da Marinha do Brasil na São Paulo Innovation Week é uma oportunidade importante de aproximação com o ecossistema de inovação reunido aqui em São Paulo. O evento conecta tecnologia, empreendedorismo, indústria, economia criativa, inteligência artificial e transformação social, temas que dialogam diretamente com o nosso Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação. É nesse ambiente que desenvolvemos pesquisas e tecnologias estratégicas para o Poder Naval em áreas como nuclear, defesa, oceanografia e cibernética”, afirmou o Almirante de Esquadra Rabello.
No dia 13 de maio, a conferência “Geopolítica, Litorais e Desastres Ambientais: o papel da inovação” reuniu representantes dos setores de defesa, indústria e desenvolvimento para discutir proteção do litoral brasileiro, infraestrutura crítica e resposta a emergências ambientais.
O painel reuniu o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga; o Diretor-Presidente do SIMDE, Carlos Frederico Queiroz Aguiar; a representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bruna Pretti Casotti; e o Capitão de Mar e Guerra Leonardo Faria de Mattos, moderador do debate.
Durante a conferência, o Almirante Carlos Chagas ressaltou a importância estratégica da Amazônia Azul e a necessidade de proteção das águas jurisdicionais brasileiras, diante da relevância econômica, energética e logística da região para o País.
“Temos que proteger as nossas águas jurisdicionais, que nós chamamos de Amazônia Azul, uma imensidão de 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Muita coisa acontece ali. Muitos não sabem, mas 95% do nosso petróleo sai de lá, 80% do gás, 95% do nosso comércio exterior chega e sai por ali, além de 99% dos cabos submarinos”, afirmou o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais.
Entre os destaques do evento, no dia 14 de maio, esteve o painel “A contribuição da energia nuclear na segurança da matriz energética brasileira e o papel das novas tecnologias de reatores – SMR e Microrreatores”, que reuniu especialistas para debater o papel da energia nuclear na diversificação da matriz energética nacional e no fortalecimento da soberania tecnológica do País.
Participaram do debate o Diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), Vice-Almirante (Engenheiro Naval) Sérgio Luis de Carvalho Miranda; o Diretor-Presidente da AMAZUL, Vice-Almirante Newton de Almeida Costa Neto; o Diretor-Presidente da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), Marlos Costa de Andrade; e o Presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Tomás Antônio Albuquerque de Paula Pessoa Filho.



Ao abordar os impactos do avanço tecnológico e o crescimento da demanda global por energia, o Vice-Almirante Miranda destacou o potencial da energia nuclear para o desenvolvimento nacional, a segurança energética e as aplicações duais da tecnologia nuclear brasileira.
“O avanço da inteligência artificial e da digitalização tem ampliado significativamente a demanda por energia no mundo. Nesse cenário, a energia nuclear ganha relevância por oferecer geração estável, segura e com baixa emissão de carbono. O Brasil reúne condições estratégicas nesse setor, com todo o conhecimento acumulado pelo Programa Nuclear da Marinha (PNM). Esse desenvolvimento possui caráter dual, contribuindo tanto para a defesa nacional quanto para aplicações voltadas à sociedade, como os Reatores Modulares de Pequeno Porte (SMR), além de micro e nano reatores, capazes de atender diferentes necessidades energéticas do País”, destacou o Diretor do CTMSP.
Ainda durante o mesmo painel, o Diretor-Presidente da AMAZUL ressaltou o potencial dos SMRs e microrreatores para ampliar o acesso à energia de forma segura, estável e sustentável.
“A matriz elétrica brasileira é uma das mais renováveis do mundo, mas eventos recentes mostraram a importância de diversificarmos nossas fontes de geração. A energia nuclear tem um papel importante nesse cenário porque oferece energia firme, previsível e de baixo carbono, funcionando como uma âncora para o sistema elétrico nacional. Os SMRs e microrreatores surgem justamente como uma evolução dessa tecnologia, com estruturas menores, mais flexíveis e redução significativa no tempo e nos custos de implantação. Para o Brasil, essas soluções abrem oportunidades importantes, principalmente para regiões remotas, sistemas isolados, mineração, data centers e até projetos de dessalinização e produção de hidrogênio”, explicou o Vice-Almirante Newton.
No último dia da SPIW, o painel “Energia Nuclear: SMRs e Ciclo do Combustível” reuniu o Deputado Federal Júlio Lopes, o ex-Ministro de Minas e Energia, Almirante de Esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior e o Diretor da J. Forman Consultoria, John Milne Albuquerque Forman, para debater os avanços das novas tecnologias nucleares e os desafios relacionados ao ciclo do combustível nuclear.

Ao abordar os desafios e oportunidades do setor nuclear, o ex-Ministro de Minas e Energia destacou a posição estratégica do Brasil no setor nuclear, ressaltando o domínio do ciclo do combustível nuclear, o conhecimento acumulado ao longo de décadas e o potencial das novas tecnologias nucleares diante do crescimento da demanda mundial por energia.
“O Brasil possui um diferencial importante no setor nuclear: domina o ciclo do combustível nuclear e acumula décadas de desenvolvimento tecnológico e formação de pessoal qualificado. Esse conhecimento coloca o País em uma posição estratégica diante do crescimento mundial da demanda por energia e do avanço das novas tecnologias nucleares”, destacou o Almirante de Esquadra Bento.
Durante os quatro dias de evento, a MB apresentou, em seu estande, tecnologias inovadoras e experiências imersivas voltadas à divulgação das capacidades operativas e dos projetos estratégicos da Força Naval.
O público pôde conhecer equipamentos, simuladores e sistemas desenvolvidos pela Marinha, entre eles o “robô expedicionário”, utilizado em missões de reconhecimento e monitoramento de ameaças NBQR, e o Simulador de Navegação de Paraquedas, desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), que utiliza realidade virtual para reproduzir a experiência de um salto de paraquedas.
Também estiveram em exposição o Simulador Virtual de Estudo de Terreno (SVETT/SAGRES-N), o simulador de tiro com Blue Gun e maquetes do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), do reator nuclear e da Fragata Classe Tamandaré. O espaço “Vem pra Marinha” integrou o estande com informações sobre formas de ingresso e oportunidades de carreira na Força Naval.
A participação da MB na São Paulo Innovation Week reforçou o compromisso da Força Naval com o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial do País. Ao apresentar seus Programas e Projetos Estratégicos, a Marinha reafirmou sua atuação em áreas essenciais para a soberania nacional, a defesa da Amazônia Azul e o fortalecimento da capacidade operativa brasileira.
Fonte: Agência Marinha de Notícias





















