Colômbia avalia treinamento na Itália e M-346FA após escolha do Gripen E Foto O Leonardo M-346 FA, aqui visto com mísseis IRIS-T e I-Derby ER.
Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet
A recente visita do comandante da Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC), o General Carlos Fernando Silva Rueda, à Itália representa mais um passo no processo de modernização da aviação de combate colombiana após a decisão de adquirir o caça Saab JAS 39 Gripen E. A viagem ocorreu na sequência de uma visita à Suécia, onde a delegação colombiana teve a oportunidade de voar e avaliar a aeronave junto à Saab.
Com a definição do Gripen E como futuro vetor de superioridade aérea do país, a atenção da FAC volta-se agora para a formação de pilotos e para a construção de uma estrutura de transição operacional. Nesse contexto, an agenda na Itália incluiu reuniões com a Aeronautica Militare e visitas à International Flight Training School (IFTS), instalada na Base Aérea de Decimomanu, em Cagliari, na ilha da Sardenha.
Criada em parceria entre a Aeronautica Militare e a Leonardo S.p.A., a IFTS tornou-se um dos principais centros internacionais de formação de pilotos de caça. O programa utiliza o treinador avançado Aermacchi M-346 Master e um sistema integrado de treinamento que combina simuladores de alta fidelidade, cenários virtuais de combate e voos reais.
Um aspecto relevante desse modelo é que pilotos da própria Swedish Air Force destinados a voar o Gripen também realizam a chamada fase 4 de formação na IFTS, utilizando o M-346 antes da conversão operacional no caça. A participação sueca reforça o prestígio do centro de treinamento de Decimomannu e demonstra a adequação do sistema para preparar pilotos que operarão aeronaves de última geração.

Para a Colômbia, a utilização da estrutura italiana poderia acelerar a formação das primeiras tripulações do Gripen E, reduzindo riscos no processo de transição para o novo sistema de armas.
Durante a visita, a delegação da FAC também analisou o potencial do Leonardo M-346FA (Fighter Attack), versão armada do M-346. A aeronave vem sendo promovida como uma plataforma multifuncional capaz de combinar treinamento avançado com missões de ataque leve, apoio aéreo aproximado e vigilância armada.
Segundo a FAC, na Colômbia, o M-346FA poderia preencher a lacuna operacional deixada pela aposentadoria dos veteranos Cessna A-37B Dragonfly, aeronaves que por décadas atuaram em missões de ataque leve, especialmente no norte do país. Com sua retirada de serviço, abriu-se espaço para uma plataforma de combate leve capaz de operar com custos relativamente reduzidos, mas com sensores e armamentos modernos.
O M-346FA também pode desempenhar um papel importante como elo intermediário entre os turboélices de combate e os novos caças supersônicos. Atualmente, a Força Aérea Colombiana utiliza o Embraer A-29 Super Tucano em missões de apoio aéreo aproximado e operações contra-insurgência. Embora extremamente eficaz nesse tipo de missão, o A-29 opera em um ambiente tecnológico bastante distinto daquele encontrado em caças modernos.
Nesse cenário, o M-346FA ocuparia um espaço intermediário entre o Super Tucano e o Gripen E, permitindo uma transição gradual de pilotos e doutrina operacional. Equipado com radar multimodo e aviônica avançada, o M-346FA possui capacidade de combate além do alcance visual (BVR), podendo empregar mísseis como o AIM-120 AMRAAM e o MBDA Meteor em missões de defesa aérea e interceptação.
No ataque ao solo, a aeronave também apresenta um conjunto significativo de capacidades. O M-346FA pode empregar bombas guiadas a laser da família Lizard 2 e Lizard 4 para ataques de precisão, além de poder operar pods de ataque eletrônico capazes de interferir em radares inimigos e degradar sensores adversários durante operações de combate.
Com essas características, o M-346FA pode atuar simultaneamente como plataforma de treinamento avançado e aeronave de combate leve, complementando o emprego dos Gripen em missões de menor intensidade e reduzindo custos operacionais.
A eventual combinação entre o A-29, M-346FA e o Gripen E permitiria à Fuerza Aeroespacial Colombiana estabelecer uma estrutura escalonada de treinamento e emprego operacional, na qual cada plataforma desempenha um papel específico dentro da doutrina de combate.
Nesse modelo, o Super Tucano continuaria dedicado às missões de baixa intensidade e apoio às operações de segurança interna, o M-346FA atuaria como plataforma de transição e combate leve, enquanto o Gripen E assumiria as missões de defesa aérea, superioridade aérea e ataque de maior complexidade tecnológica operacional.




















