10 de Dezembro, 2015 - 07:20 ( Brasília )

Terrestre

Ordem do Dia - Gen Ex Etchegoyen

A Ordem do Dia proferida pelo Chefe do Estado-Maior do Exército Gen Ex Sergio Westphalen Etchegoyen traduz o espírito do Exército Brasileiro

Ordem do Dia aos Novos Generais

SAUDAÇÃO ÀS AUTORIDADES.
BOM DIA A TODOS!
 
Presenciamos mais uma cerimônia de entrega de espadas aos oficiais-generais recém-promovidos, escolhidos dentre aqueles que o Exército entende como os seus mais bem qualificados coronéis.
 
Dando continuidade à tradição deste momento, cabe-me a honra, por delegação do nosso Comandante, de transmitir-lhes a mensagem da Força Terrestre que vibra com o êxito dos senhores, na certeza de que ela mesma se renova melhorada a cada promoção como esta.
 
A espada, que em poucos minutos lhes será entregue pelos ilustres Chefes militares que elegeram como padrinhos, simboliza, ao mesmo tempo, o poder bélico, a justiça e a autoridade de quem a conduz, aspectos que se potencializam nas responsabilidades do general.
 
O talento e a percepção do arquiteto estilizaram este símbolo, sagrado a todos os exércitos, para transformá-lo em monumento que guarnece o conjunto do Quartel-General do Exército.
 
Ali está a espada a lembrar-nos diariamente do nosso compromisso com os valores essenciais ao exercício das nossas responsabilidades de Chefes militares, os quais devemos praticar, ensinar, promover e cultuar.
 
É por essas tantas razões que esta cerimônia se envolve de significados tão variados quanto intensos.
 
Em todos os momentos da formação da nacionalidade, a espada esteve presente, invicta, conduzida por generais que se sucederam no cumprimento de seus deveres nos fatos que escreveram a História pátria.

Acompanhou, ao lado da cruz, o descobridor português que, no alvorecer denossa existência, desembarcou na costa da Bahia, trazendo-nos o idioma e a fé que embasaram a unidade nacional.

Nas mãos do bandeirante indomável, rasgou o sertão, empurrou nossas fronteiras muito mais para o Oeste, estendeu o Brasil, descobriu novas riquezas, conquistou a imensidão amazônica.

Irmanou os primeiros brasileiros – negros, mestiços e índios – no amor à terra e no repúdio à ocupação estrangeira, lançando-se guerrilheira na luta contra o holandês invasor, para derrotá-lo nos Montes Guararapes, nas primeiras luzes da nacionalidade.

Vigiou os críticos momentos da Coroa Portuguesa e as sérias decisões que caracterizaram o início do século XIX, as quais resultaram na nossa independência.

No Ipiranga, na mão forte de D. Pedro I, reforçou-lhe o brado de liberdade ao anunciar, apontando o céu, sua disposição para imolar-se na luta para garanti-la.Inspirou o patriotismo e a bravura nos primeiros momentos da vida militar do jovem tenente Luis Alves de Lima e Silva na guerra da independência.

No período imperial, empunhada por Caxias, marchou à frente de suas expedições pacificadoras, trazendo magnânima para a fortaleza da sua proteção os sediciosos vencidos nas lutas pela unidade nacional, antepondo-se
aos rancores e ódios para sedimentar a coesão da Pátria.

No seu esforço incansável pela conciliação, o grande Pacificador nos ensinou o verdadeiro sentido da anistia com a solidez de suas convicções: “Maldição eterna aos que reviverem as nossas dissensões passadas”.

Seu gume cortou o frio vento pampiano nas guerras cisplatinas, impondo a soberana vontade brasileira aos que ousaram contestá-la.

Reluziu no punho de Osorio em Monte Caseros, na brilhante manobra de flanco empreendida pela sua audaciosa cavalaria, que em carga tresloucada decide o combate

Desembainhada por Caxias, transpôs o Itororó, magnetizando seus soldados e arrastando-os pela histórica convocação.

Percorreu incansável os campos de Tuiuti, a liderar a invencível Divisão Encouraçada de Sampaio; cobriu- se de pólvora e glória, junto à inigualável artilharia-revólver de Mallet; agitou-se frenética nas formidáveis cargas dos centauros de Andrade Neves; lançou-se intrépida às águas do Paraná e aos chacos paraguaios, com os destemidos engenheiros de Villagran Cabrita.

No Campo de Santana impôs, conduzida pelo Marechal Deodoro, a vontade popular e proclamou a República, em 15 de novembro de 1889.

Incansável e humanista, marchou milhares de quilômetros na epopeia de Rondon, desbravando os sertões, inserindo no mapa nacional as imensidões até então inexploradas, levando assistência e inclusão a populações antes condenadas ao isolamento.

No século passado, há 70 anos, cruzou o Atlântico e, levada pela mão serena e confiante do Marechal Mascarenhas de Moraes, assegurou a vitória na campanha da Itália.

Teimosa e obstinada, chegou ao topo do Monte Castelo; ensanguentada, expulsou o inimigo de Montese; impetuosa, rompeu definitivamente as defesas alemãs nos Apeninos; atrevida e irresistível, disparou em sua perseguição; generosa e humanitária, libertou do jugo nazista e assistiu a nação italiano nas cidades e povoados por onde passava.

Mais recentemente, cingindo os uniformes de nossos oficiais integrantes de missões internacionais, colabora para a paz entre os povos e projeta o prestígio do Brasil na comunidade das nações.

Solidária e pioneira tem, desde sempre, socorrido nossos patrícios nas dificuldades e emprestado seu talento empreendedor ao esforço pelo desenvolvimento nacional.

Idealista, confiante e determinada tem, ao longo de nossa história, guiado as decisões dos Chefes militares que se sucederam na condução da Força Terrestre, cujas ações, segura e discretamente, ajudaram a plantar e a
fortalecer a democracia de que desfrutamos e as sólidas instituições que lhe dão vida.

Esta espada, senhores generais, tem estado vigilante, sempre ao lado do nosso povo, na defesa da democracia e das instituições, oferecendo-lhes proteção contra aventuras, aventureiros ou radicalizações descabidasque tentem conduzir-nos a rupturas sociais pela manipulação que transforma divergências em ódio.

Este é o valor do símbolo que lhes será confiado e o peso da responsabilidade que a guarda de seu legado lhes impõe, garantir a soberania da Nação, defender os interesses do povo a que servimos e cooperar para a estabilidadeindispensável à prosperidade que nos levará ao inevitável destino de grandeza que nos aguarda.

Ao apresentar-lhes os cumprimentos do Exército Brasileiro, estendo-os aos seus familiares, que, de forma incondicional, os acompanharam até este momento.

Quantas vezes essas esposas que hoje vemos radiantes de orgulho pelas suas conquistas, os conduziram, discretas e quase imperceptíveis, em momentos de incerteza.

Quantas vezes foram flagradas vibrando em nossas simples mas solenes formaturas, cantando nossas canções, bradando nossas saudações, incorporando por amor o entusiasmo típico dos soldados por vocação.

Quanto conforto e solidariedade distribuíram, secundando-os em seus deveres de Chefes, como verdadeiros anjos que, com doce coragem e suave determinação, dão vida e sentido ao que chamamos de família militar.

É delas também este momento. Por isso, também a elas a homenagem e o reconhecimento do Exército Brasileiro.
 
Por fim, desejo-lhes continuado sucesso nas entusiasmantes missões que os esperam e muitas felicidades junto a suas famílias.
 
A todos, que desfrutem de um fim de ano muito feliz.

Que Deus os inspire e proteja.

General de Exército Sergio Westphalen Etchegoyen
Chefe do Estado-Maior do Exército