Dois anos depois das maiores enchentes da história gaúcha, Comando Militar do Sul eleva prontidão e reforça capacidade de resposta a desastres naturais.
Exercício realizado, em 30 Abril 2026, em Porto Alegre reuniu mais de 40 militares e representantes de órgãos de segurança pública para testar o plano de resposta do Exército a catástrofes no Sul do Brasil
Comando Militar do Sul
30 Abril 2026
Porto Alegre – Com 184 mortos, 2,4 milhões de afetados e impacto econômico estimado em R$ 88,9 bilhões — segundo relatório conjunto do Banco Mundial, Banco Interamericano de Defesa e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe —, as enchentes de 2024 deixaram marcas que o Rio Grande do Sul ainda enfrenta. Nesta quinta-feira (30), o Comando Militar do Sul (CMS) realizou seu maior exercício de planejamento de ajuda humanitária dos últimos anos, iniciativa que
integra o ciclo permanente de adestramento do Exército Brasileiro e a avaliação constante de planejamento, bem como reforça a capacidade de resposta a desastres naturais de grande escala na região Sul do país.

O EXERCÍCIO
Realizado no Auditório do Centro de Coordenação de Operações (CCOp), no Quartel-General do CMS em Porto Alegre, o exercício reuniu militares de dez organizações do Exército e representantes da Brigada Militar, dos Bombeiros Militares e da Defesa Civil.
Com base em um cenário tático fictício de enchentes severas no Vale do Taquari — região que figurou entre as mais afetadas em 2024 —, o exercício testou o acionamento do CCOp em sua configuração completa de Estado-Maior, incluindo a ativação do Centro de Coordenação Civil-Militar (C3M), da Sala de Imprensa e da estrutura de videoconferência operacional.
A situação simulada exigiu planejamento integrado de ações de logística humanitária, engenharia de emergência e coordenação interagências. O exercício foi conduzido sob responsabilidade do General de Brigada Renato Souza Pinto Soeiro, Chefe do Centro de Coordenação de Operações do CMS.

OS DESAFIOS DO CENÁRIO SIMULADO
O roteiro criado pelos planejadores do Exército reproduziu condições próximas às vividas em 2024: chuvas acima de 300 milímetros em 24 horas, rompimento de barragem, 15 municípios afetados, pontes destruídas cortando o acesso a hospitais, torres de celular fora do ar e comunidades isoladas sem possibilidade de resgate terrestre.
Diante desse cenário, as equipes precisaram responder a questões operacionais concretas: como distribuir água potável para 100 mil pessoas quando as estradas estão destruídas? Como garantir segurança nos pontos de distribuição de alimentos quando a ordem pública se deteriora? Como coordenar helicópteros, caminhões, equipes médicas e agências civis a partir de um único centro de comando com comunicações limitadas?


ESTRUTURA DE RESPOSTA DO EXÉRCITO
Ao ser acionado para uma catástrofe, o Exército Brasileiro opera a partir de planos previamente desenvolvidos e testados. O Centro de Coordenação de Operações do CMS é o nó central desse sistema — de onde partem as decisões estratégicas durante uma crise, integrando tropas de múltiplas organizações militares, sistemas tecnológicos e agências civis em uma única estrutura de comando.
No exercício desta quinta-feira, o CCOp foi ativado em sua configuração máxima: dez seções especializadas trabalhando simultaneamente, com responsabilidades que vão da análise de inteligência sobre a área afetada ao controle financeiro dos recursos empregados na operação. Ao lado da estrutura militar, foi ativado também o C3M, que garante a integração com prefeituras, governo do estado e demais órgãos civis envolvidos no socorro.
O EXERCÍCIO EM NÚMEROS
| O QUE | QUANTO / DETALHE |
| Militares participantes | Mais de 40, de 10 organizações militares |
| ências civis representadas | Brigada Militar, Bombeiros Militares e Defesa Civil |
| Duração 09h30 às 16h20 | 09h30 às 16h20 |
| Células Funcionais ativadas | 10 células simultâneas (Pessoal, Inteligência, Operações, Logística, Planejamento, Comando e Controle, Comunicações, Assuntos Civis, Jurídico e Finanças) |
ADESTRAMENTO CONTÍNUO
O exercício incorporou diretamente os aprendizados acumulados pelo Exército Brasileiro na resposta às enchentes de 2024 — a maior operação de ajuda humanitária conduzida pelo CMS em décadas.
Entre os aspectos aprimorados: a coordenação entre dezenas de organizações militares e civis, a ativação de estruturas de assessoria jurídica e de comunicação social desde o início da crise, e a manutenção
das operações em ambientes com energia elétrica, internet e estradas indisponíveis.
“Cada operação real gera conhecimento que alimenta nosso ciclo de adestramento. Em 2024, o Exército atuou com determinação e salvou milhares de vidas — e é esse padrão de excelência que buscamos elevar continuamente.”
— General de Brigada Renato Souza Pinto Soeiro, Chefe do CCOp/CMS
PRÓXIMOS PASSOS
O Comando Militar do Sul manterá o calendário de exercícios de adestramento ao longo de 2026, sustentando o grau de prontidão necessário para responder com rapidez e eficácia a qualquer situação de emergência na área de responsabilidade do Sul do Brasil.





















