COBERTURA ESPECIAL - Embraer - Aviação

12 de Maio, 2015 - 13:00 ( Brasília )

Embraer avisa que levará fábrica do Phenom para os EUA



Júlio Ottoboni
Correspondente DefesaNet


Como se não bastassem os intensos comentários junto aos funcionários de novas demissões na fábrica em consequência aos calotes do governo federal, a EMBRAER confirmou para o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, na última sexta-feira, dia 8, que irá transferir a produção do avião Phenom para sua unidade nos Estados Unidos, em 2016.

O Sindicato vai estudar, junto com uma equipe técnica, o impacto que essa medida pode trazer para os trabalhadores. Mas a decisão por parte da empresa, que cada vez mais se internacionaliza e retira sua produção do Brasil, é certa.

A confirmação aconteceu em reunião entre o Sindicato e a EMBRAER. Segundo a empresa, a transferência faz parte de uma estratégia de mercado e do projeto de ampliação do espaço físico da matriz da fábrica, em São José dos Campos (SP), que está saturada.  Embora a EMBRAER tenha a opção de comprar o prédio desativado da Avibras 1, que é contigua a sua unidade.

Entretanto, para o Sindicato, essa medida  faz parte do ‘ processo de desnacionalização dos aviões da EMBRAER’ e trará consequências diretas aos trabalhadores, como fechamento de postos de trabalho e interferência no plano de carreira dos funcionários que hoje atuam na produção do Phenom. Desde meados do ano passado a montagem dos aviões executivos vem sendo diminuída e os postos de trabalho estão sendo fechados.

O setor que produz o modelo movimenta cerca de 1.500 trabalhadores, direta e indiretamente.  Em 2014,  foram entregues 73 aeronaves Phenom 300, fazendo dele o jato executivo o com o maior número de entregas no mundo.

A EMBRAER é a maior empresa nacional do setor aeronáutico e uma das maiores empregadoras do Vale do Paraíba. Dos cerca de 40 mil metalúrgicos representados pelo Sindicato, cerca de um terço está empregada no setor.  A desnacionalização dos aviões da EMBRAER traz impactos também nas empresas da cadeia produtiva do setor aeronáutico.

A C&D, por exemplo, que realizava em Jacareí a fabricação dos interiores das aeronaves Phenom 100, Phenom 300 e dos E-Jets 170 e 190, já transferiu a produção para uma joint venture entre Embraer e a C&D Zodiac, no México. A fábrica, que chegou a ter em 2010 cerca de 200 funcionários em Jacareí, hoje tem apenas 70.

“O Sindicato vai dar início a uma campanha, junto com os trabalhadores,  para manter a produção do Phenom no Brasil. Vamos fazer assembleias na fábrica e lutar em defesa do emprego. É um absurdo a Embraer continuar com essa política de desnacionalização, que tanto prejudica o país quanto os trabalhadores”,  afirma o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros.

 A EMBRAER anunciou sua transferência para os EUA em maio de 2008, com a construção de uma fábrica na Flórida, para montagem e acabamento de aviões executivos, numa iniciativa que demandou investimentos na faixa de 51 milhões de dólares. O anúncio foi feito após uma reunião entre o presidente da fabricante brasileira de aviões, Frederico Curado, e o então governador da Flórida, Charlie Crist, terem escolhido como sede do novo projeto a cidade de Melbourne, a 140 milhas ao norte de Miami.

"O desenvolvimento desta nova instalação permitirá à EMBRAER suprir as crescentes demandas de seu negócio de aviação executiva", disse Frederico Fleury Curado, diretor-presidente da EMBRAER.

Em comunicado oficial, o governo do estado da Flórida informou na época que: “A nova fábrica será a primeira de sua categoria nos Estados Unidos. Será dedicada à montagem final, à pintura e à entrega do produto, além de um escritório de atenção ao cliente, que administra os pedidos do jato executivo Phenom”.

 O compromisso da empresa é criar mais 600 postos de trabalho, num total aproximado de 800 empregados, até 2016, que incluem especialistas em montagem de aviões, planejamento por produto, qualidade e logística, design interior do avião, administração, algumas funções de engenharia, pintura dos aviões, entrega do produto e vôos de teste, entre outras funções.

E o processo de transferência de parte da linha de fabricação do Brasil para os Estados Unidos começou com a unidade de Mesa - Arizona. Implantada em 2008, executa serviços de manutenção, reparo e revisão na linha de aviões executivos Phenom e Legacy.

No mesmo ano veio a Unidade Windsor Locks - Connecticut, que também faz serviços de manutenção, reparo e revisão na linha executiva. Mas o golpe final veio com a Unidade Melbourne - Flórida. Implantada em 2011, é a primeira unidade nos Estados Unidos que realiza a montagem final de aeronaves. Produz a linha de executivos Phenom 100 e Phenom 300. Em novembro de 2012 tiveram início as obras de um Centro de Engenharia e Tecnologia na unidade de Melbourne, o mais avançado da Embraer.

Em julho 2011 o primeiro jato executivo foi produzido nos Estados Unidos, ainda recebendo peças de São José dos Campos. Em outubro de 2014 a direção da EMBRAER iniciou a construção da fábrica para montagem das aeronaves Legacy 500 e Legacy 450 nos Estados Unidos. Em cerimônia com a presença do Governador da Flórida, Rick Scott e outras autoridades locais, a Empresa celebrou a ampliação dos atuais 20 mil metros quadrados da Unidade localizada no Aeroporto Internacional de Melbourne.

Hoje a unidade de São José dos Campos que produz os jatos executivos tem cerca de 1,5 mil funcionários. A unidade de Évora, em Portugal, também produzirá aviões desta categoria voltados ao mercado da Europa. O que reduz em muito a sobrevivência da unidade fabril em solo brasileiro.

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Em visita ao Brasil no mês de Dezembro o Vice-Premiê russo Rogozin, responsável por toda a área industrial de defesa a aeronáutica da Federação da Rússia declarou à DefesaNet:
:
"A EMBRAER é na verdade uma empresa norte americana, entendemos isso".

Leia a íntegra da reportagem:

Russos querem criar fábrica de avião no Brasil independente da Embraer Link