COBERTURA ESPECIAL - Eleições - Tecnologia

29 de Novembro, 2019 - 10:00 ( Brasília )

TPS 2019: investigadores são convidados a acompanhar a leitura dos códigos-fonte da urna eletrônica em 2020

Comissão reguladora avalia que todas as equipes evoluíram em suas linhas de investigação nesta quinta (28), mas nenhuma obteve avanços significativos

No quarto dia do Teste Público de Segurança (TPS) 2019 do Sistema Eletrônico de Votação, realizado nesta quinta-feira (28), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os investigadores individuais e em grupo deram continuidade aos seus planos de ataque ao sistema.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, conversou com cada um dos participantes para saber o andamento dos trabalhos e, também, para convidá-los a acompanhar a leitura dos códigos-fonte da urna eletrônica, que ficarão disponíveis durante os seis meses que antecedem as Eleições Municipais 2020.

A avaliação do secretário de TI sobre o andamento dos testes nestes quatro dias é a de que os investigadores estão bastante motivados e comprometidos a contribuir, de forma efetiva, para o aperfeiçoamento do sistema eletrônico de votação. “Esse é o espírito do TPS: dar espaço à sociedade. As equipes estão trabalhando com todo o seu conhecimento para, efetivamente, melhorar o processo, e não simplesmente competir ou apontar eventuais falhas, mas, sim, dar a sua contribuição para que o sistema fique cada vez melhor”, destaca.

Janino explica que, até o momento, o TSE verificou, após depoimentos dos participantes do TPS 2019, que o sistema está robusto, seguro e bem estruturado. “Os investigadores tiveram uma grande dificuldade de passar pelas barreiras de segurança. Tivemos essa impressão ao analisar o andamento dos trabalhos”, afirma.

Quanto ao convite feito aos investigadores, o secretário explica que a ideia é que eles possam dar continuidade a seus trabalhos ao participarem ativamente da leitura dos códigos-fonte, pois, ao terem maior contato com o sistema, poderão cooperar com mais conhecimento.

“Ano que vem, teremos seis meses de abertura do sistema e queremos que eles [os investigadores] sejam convidados a participar, a analisar e a criar planos estruturados para dar sua contribuição nesse momento, ocasião em que poderão, inclusive, verificar se suas sugestões e achados durante o TPS 2019 foram efetivamente implementadas”, esclarece Janino.

O presidente da Comissão Avaliadora do TPS e assessor especial da Presidência do TSE, Rogério Galloro, avalia que a edição de 2019 do evento está atingindo o objetivo a que se propõe. Segundo ele, o fato de pessoas e grupos de fora do TSE estarem dispostos a invadir, a modificar e a verificar falhas ajuda a melhorar ainda mais o sistema.

“Esse é o objetivo do TPS, que, além disso, demonstra transparência por parte da Justiça Eleitoral. O que eu verifico é que existe uma dificuldade muito grande dos grupos em conseguir, de fato, invadir o sistema. Isso demonstra a rigidez e os atributos do sistema. Contudo, estão ocorrendo alguns avanços nos testes, que nos ajudarão a melhorar cada vez mais”, ressalta.

Resultados

O chefe da Seção de Voto Informatizado (Sevin) do TSE e integrante da Comissão Reguladora do TPS, Rodrigo Coimbra, conta como foi o andamento dos trabalhos desta quinta. De acordo com ele, em geral, todas as equipes avançaram em suas linhas de investigação, mas nenhuma obteve avanço significativo no sentido de romper barreiras de segurança.  

“Vimos muita investigação, muitas análises do código, vimos uma compreensão melhor sobre alguns mecanismos da urna, como o registro digital do voto. Teve equipe que passou a compreender melhor o funcionamento do software e de seus mecanismos de segurança”, relata. 

Rodrigo Coimbra destaca que a equipe do Grupo 4 avançou bastante no entendimento do arquivo do Registro Digital do Voto (RDV), e que começou a fazer sua trilha de investigação, que é montar um modelo de inteligência artificial para tentar sequenciar os votos digitados na urna. A equipe ainda não apresentou nada conclusivo. 

O chefe da Sevin revela ainda que a equipe da Polícia Federal, que faz parte do Grupo 5, avançou no entendimento do funcionamento do software do sistema Gerenciador de Dados, Aplicativos e Interface com a Urna Eletrônica (Gedai-UE), mas não conseguiu, até o momento, alterar nenhum tipo de arquivo.

O coordenador do Grupo 4 e professor doutor da Universidade de Taubaté (SP), Luis Fernando de Almeida, afirma que sua equipe, que iniciou seus trabalhos na terça-feira (26), já conseguiu avançar em alguns testes. O teste do Grupo 4 analisa a possibilidade de rotinas inteligentes serem capazes de criar um modelo hábil para mapear a geração dos números aleatórios e, consequentemente, comprometer o sigilo do voto.

“Conseguimos alguns resultados que não esperávamos e outros que já estavam previstos. Com base nesses resultados que nos pegaram de surpresa, faremos outras análises para verificar se até amanhã a gente consegue alguma ocorrência que possa, de fato, validar ou dar alguma reposta em relação à proposta do nosso teste”, completa o professor, ao lembrar que ele e seus alunos já participaram do TPS em outras duas oportunidades, em 2012 e 2015.

Ao final do quarto dia, nenhum dos grupos alcançou achados significativos nos planos de teste contra a urna eletrônica.

Museu do Voto

Os investigadores do Grupo 1 conheceram nesta quinta (28) o Museu do Voto do TSE.  O espaço foi criado em 2010 com a finalidade de pesquisar, preservar e difundir a história eleitoral brasileira e a memória da Justiça Eleitoral. Para atingir esse objetivo, o Museu desenvolve atividades de pesquisa, de tratamento do acervo museológico, educativas e expositivas. Atualmente, está em cartaz a exposição Eleições no Brasil: a Conquista da Transparência e da Legitimidade.

O gerente da Comissão Reguladora do TPS, Cristiano Peçanha, acompanhou os investigadores até o Museu. Segundo ele, é importante que os participantes do evento conheçam o passado da Justiça Eleitoral e também o progresso da urna eletrônica.  “Os investigadores conheceram ainda vários protótipos desenvolvidos pelos estados brasileiros ao longo dos anos, cada um fazendo do seu jeito. É muito bonito saber como ela [a urna eletrônica] nasceu e como a gente avançou até aqui”, destaca.

O chefe do Museu do Voto, Edmilson Júnior, recebeu os investigadores. Na oportunidade, ele fez uma apresentação acerca da história das eleições no Brasil, explicando como a Justiça Eleitoral chegou à solução da urna eletrônica. “Esclarecemos também todo o contexto das fraudes eleitorais que aconteciam pelo Brasil com o voto em papel e como elas foram eliminadas após a criação da urna”, conta. 

O integrante do Grupo 1 Alan Papafanurakis Heleno diz que ficou surpreso com o que viu, pois não esperava encontrar um Museu dentro do TSE com a história da democracia brasileira. “Foi uma ótima oportunidade para conhecer o contexto histórico das eleições em nosso país, saber sobre o voto em papel e conhecer os primeiros modelos de urnas eletrônicas”, avalia.

Finalidade do TPS

Criado para aprimorar o processo eletrônico de votação, o Teste Público de Segurança (TPS) é um evento permanente do calendário da Justiça Eleitoral. Realizado preferencialmente no ano anterior às eleições, traz a participação e a colaboração de especialistas na busca por problemas ou fragilidades que, uma vez identificados, serão resolvidos e testados antes da realização do pleito.

A íntegra da programação do TPS 2019 pode ser conferida na página do evento, no Portal da Justiça Eleitoral. 

Encerramento

O encerramento da quinta edição do Teste Público de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação está marcado para esta sexta-feira (29), às 17h, no Auditório III do Tribunal Superior Eleitoral. O evento é aberto ao público em geral.



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