COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações - Geopolítica

10 de Maio, 2013 - 15:36 ( Brasília )

Para lembrar vitória na Segunda Guerra, Rússia faz demonstração de força

No 68º Aniversário da Vitória, uma atmosfera de algo muito importante e solene envolveu praticamente tudo em Moscou: as fitas de São Jorge na roupa dos seus habitantes, as bandeiras nas fachadas dos edifícios e as colunas de tropas na Praça Vermelha.

A Rússia comemorou nesta quinta-feira passada a vitória sobre o regime nazista em 1945 com um desfile de 11 mil soldados na Praça Vermelha, em Moscou, e bombardeiros no céu, uma demonstração de força digna da antiga e poderosa União Soviética.

Caminhões militares transportando mísseis estratégicos e outras armas pesadas desfilaram pelo centro da capital russa para marcar o fim da Segunda Guerra Mundial, celebrada em 9 de maio na ex-URSS. A rendição alemã foi assinada durante a noite de 8 de maio em Berlim, mas 9 de maio no horário de Moscou.

Exatamente às 10h00 (03h00 no horário de Brasília) no relógio do Kremlin, um grande silêncio se instalou na Praça Vermelha repleta de militares, e na tribuna oficial o presidente Vladimir Putin e convidados, incluindo muitos ex-combatentes cheios de medalhas.

O desfile militar começou com a revisão das tropas pelo ministro da Defesa, Sergei Shoigu, que passou em uma descoberta limusine preta, acolhendo milhares de soldados e oficiais que gritavam em coro o seu tradicional "Hooray!", sob um céu azul e uma temperatura de primavera.

"Vamos sempre lembrar que foi justamente a Rússia, a União Soviética, que frustrou os projetos hediondos, sangrentos, dos nazistas e que os impediu de controlar o mundo", declarou Putin, em um breve discurso.

"Nossos soldados salvaram a liberdade e a independência ao defenderem abnegadamente sua pátria, libertando a Europa e conquistando uma vitória cuja grandeza será lembrada por séculos", acrescentou.

"Nós faremos tudo para que pessoa alguma possa começar uma guerra em qualquer lugar. Nós nos esforçamos para melhorar a segurança do planeta", disse Putin.

Após a queda do regime soviético em 1991, os desfiles militares foram reduzidos a uma dimensão mais histórica. Mas a Rússia recuperou a tradição das demonstrações de poder, algo caro a Vladimir Putin, que atingiu o apegou com o aniversário de 65 anos da vitória em 2011, quando as tropas da OTAN foram convidadas pela primeira vez.

Antes de seu retorno ao Kremlin há um ano para um terceiro mandato como presidente, depois dos de 2000-2008 e um interlúdio como primeiro-ministro em 2008-2012, Putin prometeu um rearmamento "sem precedentes" da Rússia frente os Estados Unidos, planejando gastar 23 trilhões de rublos (590 bilhões de euros) nesta década.

Desfiles militares, com a participação de cerca de 40 mil soldados ocorreram em 24 cidades da Rússia, de Vladivostok (Extremo Oriente) a São Petersburgo (noroeste), passando pela Sibéria.

Em Moscou, vários regimentos do Exército russo marcharam em passo cadenciado, seguidos por veículos transportando tropas 82A e rampas de lançamento do sofisticado míssil terra-ar S-400.

Estes veículos cruzaram o centro da capital, sob os olhos de muitos espectadores agrupados atrás de barreiras de metal ao longo do percurso fechado pela polícia.

No céu, 68 helicópteros e aviões, incluindo os bombardeiros Tu-160 e MiG-29 voaram sobre Moscou.

Mais de 25 milhões de russos morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Autoridades russas acusam regularmente a historiografia ocidental de minimizar o papel da União Soviética na vitória.

As celebrações da "Grande Guerra Patriótica" na Rússia, que geralmente fazem pouco caso do desembarque dos aliados na Europa, são marcadas ao longo do dia por muitos eventos (concertos, exposições, filmes e queima de fogos).