09 de Setembro, 2013 - 10:03 ( Brasília )

Defesa

Amorim vê pioneirismo no desenvolvimento de uma identidade sul-americana de defesa


O ministro da Defesa, Celso Amorim, destacou, na quinta-feira passada (05/09/2013), a importância de os países sul-americanos construírem uma identidade única em estratégias de defesa. “Para mim, cabe aos sul-americanos cuidarem da defesa da América do Sul”. A declaração foi feita durante aula magna do segundo Curso Avançado de Defesa Sul-americano (CAD-Sul), na Escola Superior de Guerra (ESG).

Aos 28 novos estagiários da segunda edição do CAD-Sul, o ministro Amorim ressaltou o apoio recente do Conselho de chefes de Estado e de Governo da Unasul para a criação da Escola de Defesa Sul-americana. “A pluralidade é a tônica da integração da defesa da América do Sul”.

De acordo com o ministro, as iniciativas que estão sendo implantadas como o Centro de Estudos Estratégicos, do Conselho de Defesa Sul-Americano (CEE/CDS), com sede em Buenos Aires, e o estabelecimento administrativo da Escola de Defesa Sul-americana, em Quito (Equador), junto com os cursos da ESG, vão favorecer um pensamento estratégico regional de defesa.

Amorim explicou que a Escola de Defesa é concebida “como um centro para estudos superiores e coordenação de redes entre as iniciativas nacionais dos países membros para a formação e capacitação de civis e militares em matéria de defesa e segurança nacional”.

Para o ministro, a escola agrega ideias e diálogos. “A América do Sul tem um papel a desempenhar na ordem global”, complementou.

Recursos Naturais

Em seu discurso, Celso Amorim declarou que o CDS deve aprofundar seu debate sobre o tema da proteção dos recursos naturais. Para ele, a competição dos países por recursos naturais aumenta o risco de conflitos e disputas territoriais.

“A América do Sul aparece como uma região sujeita a operações maciças de espionagem. É preciso que nos indaguemos sobre as causas desse grande interesse”, disse o ministro. Segundo Amorim, em uma região com imenso patrimônio natural como a América do Sul, a defesa contra esse tipo de monitoramento “é parte indispensável do exercício da soberania nacional e da gestão econômica”.

Expectativa dos novos estagiários do CAD-Sul

A segunda edição do CAD-Sul, que acontece entre setembro e novembro deste ano, é composta por 28 estagiários da Argentina (2), Bolívia (2), Brasil (6), Chile (1), Colômbia (5), Equador (2), Paraguai (2), Peru (2), Suriname (2), Uruguai (2) e Venezuela (2).

O estagiário equatoriano Mario Estrella pretende aprimorar seus conhecimentos e crê na necessidade conjunta de fortalecer a defesa do continente.

Já Tania Buzarquiz, estagiária do Paraguai, espera que o contato entre os participantes promova um pensamento estratégico sul-americano.

10º Congresso Acadêmico sobre Defesa Nacional

À tarde, o ministro Amorim proferiu palestra para os participantes do 10º Congresso Acadêmico sobre Defesa Nacional, na Escola Naval, no Rio de Janeiro.

Sobre o tema “O Brasil e as grandes questões da segurança internacional”, o ministro falou sobre o papel do país em se tornar um “provedor de paz” e a importância do Brasil influir na ordem internacional.

O ministro da Defesa mais uma vez salientou a importância dos países sul-americanos no fortalecimento de um ambiente de paz. Ele citou exemplos de sucesso do Brasil no plano global, como a participação em operações de paz no Líbano e no Haiti.

Amorim também lembrou a vulnerabilidade do continente com relação ao monitoramento das informações governamentais. Para ele, a solução é investir pesado em defesa cibernética, ou quem sabe, na criação de um código de conduta para diminuir os riscos.

A palestra foi assistida por cerca de 500 alunos da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman); da Academia da Força Aérea (AFA); da Escola Naval, além de integrantes da Marinha Mercante e de instituições civis de ensino superior.