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27 de Março, 2019 - 01:00 ( Brasília )

BR-US - Ministro Azevedo discute Venezuela com Bolton

General Azevedo defende 'solução pacífica' e diz que assessor de Segurança Nacional americano não mencionou apoio a ação militar contra Nicolás Maduro

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Beatriz Bulla
Correspondente / WASHINGTON,
O Estado de S.Paulo

 
 
WASHINGTON - O ministro da Defesa do Brasil, general Fernando Azevedo e Silva, discutiu a situação da Venezuela com o assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, nesta terça-feira, 26. Ao falar com a imprensa após a reunião, o general afirmou que Bolton não falou sobre eventual ação militar na Venezuela e os dois não trataram sobre apoio logístico do Brasil aos EUA em uma possível intervenção.

"Conversamos sobre vários assuntos, esse foi um deles. Sobre a situação da Venezuela, que não é uma situação normal", disse o ministro. "As Forças Armadas brasileiras, no meu pensamento, esperam ter uma solução pacífica em relação à Venezuela, mas que se resolva isso, porque estamos há mais de um ano com a Operação Acolhida na fronteira do Brasil com a Venezuela", afirmou o ministro.

O Brasil, como os EUA, reconhece o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, o opositor Juan Guaidó, como presidente interino. Ao visitar os EUA, o presidente Jair Bolsonaro adotou a estratégia americana e deixou no ar a possibilidade de o Brasil apoiar uma eventual intervenção militar contra Nicolás Maduro. Depois disso, em viagem ao Chile, no entanto, Bolsonaro descartou a possibilidade de apoio a uma intervenção militar no país vizinho.


 


O ministro da Defesa evitou responder o que Bolton espera dos militares brasileiros com relação à Venezuela. Fontes na Casa Branca informaram esperar que os brasileiros abram diálogo com militares venezuelanos que ainda apoiam o regime chavista. Questionado sobre o assunto, o ministro afirmou que a conversa foi "franca e oportuna". 

"Não comentamos sobre apoio logístico. Eu lembrei para ele a nossa Operação Acolhida, que é pouco divulgada, mas a própria ONU acha o cartão de visitas de uma ajuda humanitária. Nós estamos lá há mais de um ano, são 600 militares envolvidos nisso. É bom ver como acolhemos o povo venezuelano, com atendimento médico, alimentação, com materiais, levamos para o interior do Brasil. Essa logística nós já fazemos, estamos presentes na fronteira", afirmou o general.

 




 

 

A chegada de aviões russos a Caracas, com pessoal e equipamento militar, precisa ser "avaliada", segundo o general. Ele disse não ter detalhes sobre o assunto. "Nós estamos preocupados com a situação do povo da Venezuela. Sempre tivemos boas relações na linha da diplomacia militar com a Venezuela, então temos que avaliar esse novo fato", completou. (ver matéria -Crise na Venezuela: O que se sabe sobre os aviões militares russos que chegaram ao país Link)

Depois do encontro com Bolton, o general tem um almoço organizado na residência do embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, com autoridades brasileiras e americanas. A secretária-adjunta de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kim Breier, é uma das convidadas.

O ministro está nos EUA para a Conferência de Ministros da Defesa na Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre sexta-feira em Nova York. Em Washington, ele se encontrou com Bolton e vai se reunir com o secretário de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan. Antes da reunião, Bolton afirmou no Twitter que os dois "continuavam" com as conversas entre os dois países e mencionou a designação que os EUA pretendem dar ao Brasil como aliado preferencial fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A designação extra-OTAN foi anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, durante a visita de Bolsonaro a Washington, no dia 19 de março. Ao tratar do assunto, o ministro da Defesa afirmou que a novidade pode representar uma "facilidade burocrática", mas minimizou a importância da designação para os militares.

"Vendo assim parece que o Brasil vai ser privilegiado em relação a isso, não é. Membros não-OTAN (fora da OTAN) existem vários países. A Argentina por exemplo é membro desde 1998. Então, o Brasil será mais um parceiro, para parceiro preferencial não Otan. Isso é um alinhamento que está sendo feito, mas é uma regulamentação de praxe, mas que nos envaidece muito", afirmou o general.


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