COBERTURA ESPECIAL - Task Force Brazil - Inteligência

13 de Agosto, 2021 - 12:30 ( Brasília )

Economista do Santander divulga relatório em defesa de golpe contra Lula

Relatório aponta o ex-presidente como ameaça à economia do país e lembrou das acusações de corrupção nos governos petistas; banco informou que texto não corresponde visão da instituição

IG - Brasil Economico
12 Agosto 2021

 

Um suposto relatório divulgado por um economista do banco Santander defende o golpe de Estado para evitar uma possível eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de 2022. A nota é assinada pela consultoria CAC, e enviada pelo economista Victor Cândido, um dos funcionários da instituição. Em contato com iG , o Santander informou que o texto citado não corresponde, "sob qualquer hipótese, a uma visão da instituição".

Segundo o documento, que teria sido enviado a clientes e operadores financeiros, o retorno de Lula representaria uma forte ameaça para o país e citou o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), como exemplo de enfraquecimento caso o ex-presidente seja eleito.

 

“Em suma, ninguém apoiará um golpe em favor de Bolsonaro, mas é possível especular sobre um golpe para evitar o retorno de Lula. Ele era inelegível até outro dia, por exemplo, pode voltar a sê-lo”, concluiu. 

Em nota, o Santander informou que o "texto citado não corresponde, sob qualquer hipótese, a uma visão da instituição, que restringe suas análises econômicas a variáveis que impactem a vida financeira de seus clientes, sem qualquer viés político ou partidário". O banco ressaltou que o relatório é de uma consultoria independente e que não há ligação com a instituição.

O iG apurou que o funcionário responsável pela publicação não faz parte do corpo de economistas com autorização para falar em nome do banco. Segundo fontes do portal, o documento foi apenas entregue pelo funcionário e não assinado por ele. 

Leia a nota completa do Santander

"O Santander esclarece que o texto citado não corresponde, sob qualquer hipótese, a uma visão da instituição, que restringe suas análises econômicas a variáveis que impactem a vida financeira de seus clientes, sem qualquer viés político ou partidário. O conteúdo trata-se, tão somente, de avaliação feita por uma consultoria independente - que não censuramos e por cujo teor não nos responsabilizamos -, repassada a um grupo restrito de investidores que necessitam embasar suas decisões em diferentes visões do cenário nacional."

Confira a íntegra do suposto relatório enviado pelo economista do Santander 

"Brasília, 11 de agosto de 2021 – nº 10464 

Sobre vários tipos de golpe
 

Um escritor alemão advertiu que a História, quando se repete, é como farsa e, ontem, o experimento do presidente Bolsonaro para repetir 1964 terminou como farsa, com seus blindados da Guerra do Vietnã e seus generais funcionários. Não há apoio social, nem apoio do establishment, nem radicalismo de esquerda para justificar uma aventura, que terminaria de forma melancólica com algumas prisões. Por fim, não há interesse do sistema político em um regime bolsonarista. 

Dito isso, é preciso reconhecer um problema na eleição de 2022: a perspectiva de retorno ao poder da máquina de corrupção do governo Lula. Basta comparar os esquemas de corrupção do Mensalão e do Petrolão com as aventuras cômicas de reverendos e militares da reserva tentando uma comissão na compra de vacinas pelo governo Bolsonaro. Os recursos desviados pelas máquinas políticas dos governos passados ainda não apareceram. Ou seja, se o sistema político e judicial, se o establishment político brasileiro acha cômico o governo Bolsonaro, o retorno de Lula e seus aliados representa uma ameaça bem mais séria. Hoje, Lira é o presidente da Câmara, mas sob um governo do PT, seria um modesto aliado abrigado em um cargo menor. 

Em suma, ninguém apoiará um golpe em favor de Bolsonaro, mas é possível especular sobre um golpe para evitar o retorno de Lula. Ele era inelegível até outro dia, por exemplo, pode voltar a sê-lo".



Nota DefesaNet

 

Em junho de 2014, a funcionária do banco Santander, Sinara Polycarpo, foi responsável por um documento divulgado a um grupo de clientes que afirmava que a reeleição da então presidente seria negativa para os mercados.

Segundo o texto, se Dilma voltasse a subir nas pesquisas e fosse reeleita, o "câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes". "Esse último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos", dizia a análise.

À época, o extrato com a análise econômica do Santander foi noticiado por parte da imprensa, e ganhou repercussão nas redes sociais - parte o interpretou como uma campanha contra a na época presidente da República.

A funcionária foi demitida do Santander, e o próprio Board Mundial do Santander, teve uma reunião com a Presidente Dilma

Após uma decisão inicial em 2015, favorável a Sinara, o Banco reverteu em 2019, quando a 4ª turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) absolveu a instituição do pagamento de R$ 450 mil à ex-superintendente de consultoria de investimento. A defesa de Sinara Polycarpo sustentava que a divulgação pública de seu nome e de sua demissão havia prejudicado sua imagem profissional.

No entanto, os ministros entenderam que o caso foi divulgado pela imprensa, e não pela instituição — o que não justificaria, segundo eles, o Santander ter de indenizar a ex-funcionária. No entendimento da Justiça, por se tratar de um caso envolvendo a presidente da República, era natural que a decisão repercutisse.

O relator do recurso de revista do Santander, ministro Caputo Bastos, disse que não viu na decisão do TRT fato que comprovasse o ato ilícito do banco capaz de atingir a vida da consultora a ponto de justificar a indenização. "Não se poderia exigir da instituição bancária que ela impedisse a veiculação na mídia do ocorrido", diz a sentença.

O drama é que quem seguiu as previsões da funcionária do banco teve ganhos expressivos.

O editor


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