COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

20 de Julho, 2020 - 11:45 ( Brasília )

Fortalecendo os atributos da Liderança Estratégica


Coronel TIAGO CORRADI JUNQUEIRA PINTO

1. INTRODUÇÃO

Liderança é Poder. (Nye Jr, 2008)

Umas das grandes preocupações na atualidade, tanto das Forças Armadas, quanto de empresas por todo o mundo é a formação de líderes. O modelo de liderança militar foi utilizado por muitas décadas, porém nos dias atuais, onde vivemos a globalização e a inundação tecnológica, a busca da liderança requer novas abordagens.

O manual americano ¨Estrategic Liedership Primer, 2010, define o mundo como VUCA, (volatility, uncertainty, complexity, and ambiguity), traduzindo para o portugués; volátil: altas taxas de mudanças do meio-ambiente; incerto: não se sabe quais serão as mudanças no futuro; complexo: grande dificuldade de entender as múltiplas variantes do ambiente, e ambíguo: que permite diferente interpretações.

Essas atuais características do mundo se confrontam com os aspectos culturais da sociedade, transformando o pensamento coletivo das instituições. E neste ambiente, onde vários fatores atuam, as decisões devem ser tomadas para que organizações sobrevivam e conquistem poder.

Neste contexto, ter a capacidade de Influenciar pessoas dentro deste ambiente complexo, para conquistar os objetivos, se torna uma capacidade fundamental para os tomadores de decisão.

Estes líderes devem pensar estratégicamente para entender o ambiente onde sua Instituição esta inserida, devem saber a política e as metas de sua instituíção e as carecteristicas culturais de seus integrantes para que possam planejar, tomar sua decisão e influenciar sua equipe na busca dos objetivos fundamentais e transformar os processos, conforme o esquema abaixo
.

Segundo a IP 20-10, Liderança Militar, o lider deve possuir, acima da média, atributos importantes ou desenvolvê-los para que possa influenciar seus subordinados, tais como:

- Inteligência
- Conduta Irrepreensível
- Comunicação
- Mestre na arte da estratégica
- Visão
- Conhecedor da História
- Habilidades organizacionais
- Confortável na complexidade
- Habilidades Políticas
- Alta resistência ao stress físico
- Inteligência Contextual mental
- Coragem Moral
- Habilidades mentais

Todas estas qualidades podem ser desenvolvidas para que os chefes se tornem líderes. Da mesma forma, outras ferramentas também podem ser utilizadas para potencializar estas capacidades e facilitar a arte de influenciar as pessoas. Se observarmos a figura 1 verificamos claramente três fases.

A primeira onde se analisa todos os fatores envolvidos no problema, a política da instituição, onde se observa os objetivos fundamentais e traça as metas a atingir. Ainda nesta fase é importante entender a cultura da organização e quais são os valores da equipe e entender o problema.

A segunda fase é onde se faz o planejamento e se toma a decisão, neste momento todos os holofotes se viram para o líder e ele terá que possuir coragem moral para tomar a decisão. Por último, a terceira fase são transmitidas as decisões.

Esta fase envolve uma série de atividades para que o grupo entenda o que realmente se quer e que tenha ou se estabeleça uma disciplina intelectual para se realizar as tarefas, sendo por influencia ou por intimidação.

Para fortalecer este processo de liderança, vamos utilizar duas ferramentas muito estudadas na atualidade, que são: O Pensamento Estratégico e a Comunicação Estratégica. (Figura 2)

A utilização do Pensamento Estratégico nos ajuda a entender o ambiente, as caracteristicas culturais da organização, ajuda a visualizar o melhor método de atuar e a melhor linha de ação a adotar. Com o Pensamento estratégico, o líder vai conhecer as forças e fraquezas de sua organização, além das ameaças e oportunidades que se apresentam.

Após definida a estratégia, o líder deve saber transmiti-la. Para isso poderá utilizar a Comunicação Estratégica para atingir com maior facilidade seu público alvo, atuando nos corações e nas mentes, influenciando sua equipe, a fazer exatamente o que ele deseja, e fortalecendo a organização no cenário externo.


2. PENSAMENTO ESTRATÉGICO

Pensar estratégicamente é verificar os problemas e os objetivos a partir de uma perspectiva mais ampla. Geralmente o pensamento estratégico atua no amploespéctro e no ambiente VUCA. Suas preocupações são voltadas para o futuro, geralmente os assuntos dizem respeito às políticas da organização, ou seja, dos objetivos e metas a longo prazo.

Segundo, Sun Tzu, o inicio da guerra significa o fracasso da política.

Isso faz ressaltar que o líder estratégico corre riscos e deve estar preparado para se responsabilizar pelos resultados. Uma das razões pela qual os liderados seguem seus lideres é por que eles confiam que os objetivos serão alcançados e que as estratégias planejadas irão superar os adversarios.

Prepare-se para tomar decisões. Essa é a qualidade mais importante em um bom líder". (George Patton)

Dessa forma, pode-se dizer que o Pensamento Estratégico é a habilidade de fazer um estudo complexo e amplo dos fatores principais que afetam uma organização e o ambiente onde ela esta inserida para obter sucesso e superar seus concorrentes.

É a capacidade de visualizar as necessidades futuras e as transformações necessárias para a manutenção desta liderança e assegurar que a organização “vença” no futuro. “Pensar estrategicamente é a arte de superar um adversário sabendo que ele está tentando fazer a mesma coisa com você”. (Dixit/Nalebuff, 1991)

Quando nos deparamos com problemas estratégicos as soluções devem ser apresentadas no mesmo nível e para isso, o líder estratégico deve conduzir seus liderados a construirem as melhores decisões.

Outras formas de pensar contribuem para este objetivo, que são, o pensamento sistêmico, o pensamento crítico e o pensamento criativo, além da Inteligéncia Emocional. O Pensamento Sistêmico é pensar no todo.

O todo é mais importante que a soma de todas as partes. É se basear no conceito de que tudo na vida esta conectado e tudo faz parte de um sistema.

Assim os relacionamentos possuem maior importancia que os contatos bilaterais, as redes possuem papéis prioritários perante a hierarquia, os planejamentos buscam aprimorar os processos, cada vez mais complexos, para facilitar o inter-relacionamento das estruturas. Neste pensamento a qualidade supera a quantidade e a cooperação da equipe potencializa os resultados.

O pensamento sistémico não procura culpados pelos fracassos, ele atua na causa para melhorar os processos e busca pontos de alavancagem, a fim de estabelecer a sinergia dos subsistemas, medelando seu comportamento. (Dixit/Nalebuff, 1991)

O Pensamento Crítico é a habilidade de blindar nosso pensamento das análises feitas pela mente coletiva e avaliar as questões sem interferencias, tendencias ou crenças externas, criando os próprios argumentos e conclusões.

O pensamento crítico combate o dogmatismo, “sempre foi assim”, buscando uma interpretação e avaliação ativa, sem emoções, fortalecendo assim a razão. (Dixit/Nalebuff, 1991)

O objetivo é identificar, analisar, avaliar e raciocinar sobre os argumentos a fim de chegar a conclusões lógicas e racionais sobre os problemas. Deve-se estimular a capacidade de questionar, duvidar e justificar. Para isso, pode ser usado uma lista de verificação do Pensamento Crítico. Um bom argumento deve ser, claro, exato, preciso, relevante, profundo, abrangente e lógico.

Não se pode confundir com crítica, no sentido literal da palavra, nem com opiniões ou explicações. Este pensamento visa o questionamento. Inicialmente deve-se definir o problema, tomando cuidado para não ver somente uma parte, e sim o todo. Levantado o problema, busca-se os argumentos para se contrapor. Um bom argumento deve possuir premissas suficientes para neutralizar a análise do oponente.

“O Pensamento Crítico deve obedecer a um processo que inclua a análise das hipóteses apresentadas, de forma racional e reflexiva, e chegar a uma conclusão que leve em consideração todos os fatores envolvidos, para analisar e interpretar os estímulos que recebemos todos os dias”. (Robert Ennis, 1996).

Segundo Pereira, 2011, quando nos deparamos com uma nova situação devemos realizar algumas perguntas importantes para o exercício do Pensamento Crítico.

- Qual o objetivo do apresentador?
- Por que isto é importante?
- Quais são os problemas ou questões apresentadas?
- Quais são as suposições feitas? (tendências, preconceitos, paradigmas, valores)
- Quais os conceitos básicos apresentados?
- Que ponto de vista é apresentado?
- Que informação ou evidência é apresentada?
- Quais as conclusões obtidas?
- Quais são as implicações?
- A apresentação/discussão mudou meu ponto de vista? Como?
- Que perguntas/dúvidas ainda tenho?

Como alicerce de todo este modo de pensar, a Inteligência Emocional auxilia o líder a usar suas emoções, ou seja fazer com que as emoções trabalhem a seu favor. Segundo Goleman, a inteligência emocional é uma característica que todos os líderes mais eficazes da história possuem.

Este mesmo autor acrescenta que a inteligencia emocional mostrou-se duas vezes mais importante que qualquer outra habilidade para os cargos mais altos dentro das empresas.

Estrutura, ainda, a Inteligência emocional em três pilares. Componentes Intrapessoais: que são a autoconciencia e a autogestão, saber entender e gerenciar suas próprias características e emoções; a comunicação: que é a arte de saber ouvir e falar, pois nem sempre o que se fala é entendido pelo público alvo; e os componentes interpessoais: que são a empatía e a habilidade pessoal, ou seja se colocar na situação dos outros para entender seus problemas. (Goleman, 2011)

Dessa forma, ao observarmos que na Figura Nr 2, onde foi apresentada a necessidade do líder entender o ambiente onde sua organização esta inserida, as políticas e metas fundamentais da empresa, além do pessoal envolvido, podemos verificar que a ferramenta do Pensamento Estratégico potencializa os atributos necessários para ser realizado um bom entendimento da situação.

3. COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA

Os Lideres devem ser mestres na comunição. Finalizados os planejamentos, segue-se o momento em que o líder necessita transmitir sua decisão. A capacidade de influenciar as pessoas requer a sinergia de vários atributos, dentre eles a Comunicação.

Da mesma forma que o líder é estratégico a comunicação deve ser estratégica, a fim de potencializar ainda mais esta capacidade e atingir os níveis mais altos da organização, atuando nos objetivos e metas de longo prazo.

Atualmente não há uma definição consolidada sobre o tema, porém existe um consenso que a comunicação estratégica visa integrar a comunicação social com as estratégicas maiores da Instituição para se alcançar os objetivos e metas fundamentais. Corrobora com a definição acima, o entendimento dado pelo manual norte-americano Commander’s Handbook for Strategic Communication and Communication Strategy:

“Esforço Focado do Governo para entender e engajar os principais públicos para criar, fortalecer ou preservar condições favoráveis ao avanço dos interesses, políticas e objetivos do governo através do uso de programas coordenados, planos, temas, mensagens e produtos sincronizados com as ações de todos os instrumentos do poder nacional.” (EUA, 2010)

Ainda dentro do espectro da comunicação estratégica pode-se utilizar a Comunicação Social atuando em conjunto com as Operações Piscológicas.

Segundo Rodrigues, 2013, “a interação da Força com seus diversos públicos-alvo não se faz apenas por intermédio da comunicação social. As operações psicológicas constituem outro ramo da Força que também faz esse tipo de ligação”.

O Manual EB70-MC-10.230, define Operações Piscológicas como procedimentos técnico especializados sistematizados, aplicáveis desde o tempo de paz, com o objetivo de motivar públicos amigos, neutros ou hostis a manifestarem comportamentos desejáveis, com o intuito final de apoiar a conquista de objetivos estabelecidos.

Dessa forma, podemos empregar técnicas das operações piscológicas para potencializar as ações de comunicação estratégica. A integração destes dois vetores pode tornar a comunicação extremamente eficaz na transmição das decisões, na busca pelo apoio dos diversos públicos envolvidos e anulando comportamentos contrários.

No ámbito do Exército Brasileiro entende-se que “a comunicação estratégica pode ser definida como a comunicação integrada, sincronizada e alinhada com as ações realizadas por uma organização para atingir seus objetivos.

Pressupõe a combinação das práticas adotadas no âmbito da comunicação social tradicional, com relações institucionais sistematizadas e com o emprego das mídias digitais, aí incluídas as mídias e redes sociais.” (Nunes, 2019).

O Manual EB 20-MF-03.103, define Comunicação Social como processo pelo qual se podem exprimir ideias, sentimentos e informações, visando a estabelecer relações e somar experiências. Compreende as atividades de Relações Públicas, Assessoria de Imprensa e Divulgação Institucional. Estas atividades são desenvolvidas de forma harmônica e integrada.”

Estas três atividades são fundamentais para que o líder transmita suas decisões e crie um sentimento de responsabilidade em relação a Instituição. Aplicando este conceito para o Líder Estratégico, as atividades de Relações Públicas podem apoiar o líder na busca e na integração com seus públicos-alvo. Contribui diretamente para o aprimoramento da imagem do líder e atua como canal de comunicação entre ele e seus integrantes.

O principal objetivo é estabelecer uma empatía com seu público interno e buscar uma imagem favorável junto ao ambiente externo. A Assessoria de Imprensa atua para informar e responder questionamentos com os diversos públicos, em particular os órgãos da mídia. Este canal é empregado para se transmitir a resposta oficial de uma Instituição.

Finalmente, a Divulgação Institucional confecciona diversos produtos de comunicação social para divulgação nas mídias existentes. Estas ferramentas de Comunicação devem ser utilizadas em todas as ocasiões, de forma mais ampla possível, a fim de potencializar a imagem do líder e aumentar a coesão dos integrantes da organização.

Muitas vezes a imagem que o público tem de seu líder, não condiz com a realidade e com suas características pessoais, por isso, “os líderes carismáticos, quase que invariavelmente, cultivam e administram tal imagem” (Kinni, 2008).

Em linhas gerais, após estar bem seguro do objetivo a ser atingido o Líder deve identificar seus públicos-alvo. O conhecimento do público-alvo é fundamental, pois a interpretação das peculiaridades culturais e os desejos dos diversos clientes mostrará ao Líder a melhor maneira de desenvolver a Comunicação.

Finalmente irá levantar as ideias-força à explorar. Neste momento utilizará de ferramentas da Propaganda para a difusão da informação, idéia ou doutrina, visando gerar emoções, provocar atitudes, influenciar opiniões ou dirigir o comportamento de individuos ou grupos.

E ao mesmo tempo conhecimentos de Contrapropaganda com a finalidade de rebater e neutralizar a propaganda adversa. Cabe ressaltar que considera-se pilares da comunicação estratégiaca, quatro aspectos fundamentais, a Credibilidade, a Oportunidade, a Transparência e a Sinergia das Ações.

Com estas ferramentas, entre muitas outras, os líderes poderão manter o controle da narrativa e fazer com que seu público saiba exatamente suas intenções, contribuindo para que ocorra as transformações necessárias para crescimento da organização.

4. CONCLUSÃO

As decisões de líderes estratégicos afetam milhares de pessoas, tornando sonhos ou pesadelos em realidade. A complexidade dos dias atuais, a busca pelo poder, exige ainda mais a presença de líderes. A busca do dominio de todos os atributos da liderança pode parecer um objetivo intangivel, porém, como observamos neste estudo, estes atributos, em vários casos, podem ser adquiridos e fortalecidos.

O Pensamento Estratégico e a Comunicação Estratégica foram somente dois exemplos de ferramentas que podem fortalecer a capacidade da liderança. Pensar e transmitir, dois momentos críticos no processo de tomada de decisão, foram potencializados por ferramentas simples e eficazes para influenciar equipes, mostrando o melhor caminho do dever.

As ferramentas do pensamento crítico e do pensamento sistémico foram exemplos de como alcançar o que realmente interessa, empregando uma estratégia sem perder de vista o sistema como um todo. A comunicação apoiada por diversos vetores de propagação, se mostrou fundamental na transformação do pensamento coletivo, conquistando corações e mentes e se tornando a base para o desenvolvimento das relações.

Fortalecida estas capacidades, o líder poderá conquistar e manter sua credibilidade em níveis elevados, conduzindo sua equipe pelo exemplo, fornecendo respostas adequadas e oportunas para que sua instituição atinja seus objetivos propostos.

-x-

Sobre o autor: Coronel de Infantaria Tiago Corradi Junqueira Pinto, do Quadro de Estado-Maior da Ativa. Turma AMAN/1995, possui os Cursos de Ações de Comandos e de Forças Especiais e os Cursos de Altos Estudos do Exército Brasileiro.

-x-

REFERÊNCIAS:

_______. Exército. Estado-Maior. Instrução Provisória P 20-10 Liderança Militar. 1a Edição, 1991.

_______. Exército. Estado-Maior. EB20-MF-03.103 Manual de fundamentos: Comunicação Social. 2. ed. Brasília, DF, 2017.

_______. Exército. Estado-Maior. EB70-MC-10.230 Manual de Campanha: Operações Piscológicas.
Brasília, DF, 2018.

CLAVELL, James. A Arte da Guerra de Sun Tzu. São Paulo: Record, 2002. DIXIT, Avinash;

NALEBUFF, Barry. Thinking Estrategic, EUA: W.W. Norton & Company, 1991.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

KINNI, Theodore e Donna. MacArthur, Lições de Estratégia e de Liderança. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 2008.

NUNES, Richard Fernandez. A Comunicação Estratégica do Exército e a Dimensão Informacional. Coleção Meira Mattos, Rio de Janeiro, v. 13, n. 48, p. vxi, setembro/dezembro 2019.

NYE JR, Joseph S. O Talento para Liderar. Best Seller, 2011. PEREIRA, General Sergio José, antigo comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), 2011.

PASSARINHO, Jarbas Gonçalves. Liderança Militar. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1987.

ROSKILL, S.W. A arte da liderança. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1989, p.14-142.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Estrategic Leadership Primer, 3rd Edition. War College, 2010.

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Commander’s Handbook for Strategic Communication and Communication Strategy. 3. ed. US Joint Forces Command: Joint Warfighting Center, 2010.


Outras coberturas especiais


Base Industrial Defesa

Base Industrial Defesa

Última atualização 14 AGO, 13:00

MAIS LIDAS

Doutrina Militar

5