Drones sobrevoam base militar alemã dois dias após descoberta de artefato com explosivos em Leipzig

De acordo com um porta-voz das Forças Armadas, os drones foram detectados por volta das 22h de quinta na base de Mechernich, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 35 quilômetros da fronteira com a Bélgica. Ele não forneceu mais detalhes sobre o incidente. A polícia militar foi mobilizada e abriu uma investigação sobre o caso, que foi encaminhado à delegacia da cidade vizinha de Euskirchen.

(RFI) Segundo a imprensa alemã, a base militar abriga um depósito subterrâneo protegido destinado ao armazenamento de equipamentos e peças de reposição militares. O local também serve de base para os funcionários responsáveis pela manutenção dos sistemas americanos de defesa aérea Patriot.

Já o drone encontrado na terça-feira (4) no aeroporto de Leipzig-Halle, um importante centro de carga civil e de logística da OTAN, estava próximo de uma aeronave cargueira ucraniana da companhia Antonov Airlines, carregada com munições, em uma área de acesso restrito. Um motorista de ônibus que circulava pela pista do aeroporto de Leipzig descobriu o aparelho, que voava rente ao solo, e o neutralizou com um chute, sem saber que ele transportava explosivos.

O drone voava próximo de vários aviões de transporte ucranianos estacionados no aeroporto de Leipzig desde o início da guerra na Ucrânia, por razões de segurança. Essas aeronaves continuam sendo utilizadas para transportar ajuda militar ao país. 

O incidente desta terça reacendeu as preocupações com a infiltração de drones no espaço aéreo da Otan e reabriu o debate sobre a capacidade de membros estratégicos da aliança militar, como a Alemanha, de responder a essas novas ameaças à segurança.

As autoridades do governo alemão não acusaram publicamente nenhum país estrangeiro de estar por trás do incidente. No entanto, alguns parlamentares apontaram a Rússia, que está em guerra com a Ucrânia desde fevereiro de 2022.

A Embaixada da Rússia em Berlim classificou na sexta-feira a descoberta do drone com explosivos no aeroporto como uma “provocação fabricada”. “O principal perigo que a Alemanha enfrenta hoje não está nas supostas ‘ameaças híbridas’ de Moscou, que não existem, mas nos políticos que elaboram com entusiasmo cenários de uma guerra iminente com a Rússia”, escreveu a instituição em seu site.

Merz reúne Conselho Nacional de Segurança

O incidente de terça-feira continua cercado de dúvidas. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, que interrompeu as férias para ir a Leipzig na quarta-feira, descreveu o caso como uma “nova forma” de ameaça relacionada aos ataques híbridos enfrentados pela Alemanha.

Diante da gravidade do caso, o Ministério Público Federal, responsável por investigações relacionadas ao terrorismo, assumiu o inquérito. O chanceler Friedrich Merz reuniu na sexta-feira, por telefone, o Conselho Nacional de Segurança, órgão criado em resposta ao aumento de operações de desestabilização, espionagem e sabotagem na Alemanha, muitas das quais são atribuídas à Rússia.

Segundo a agência alemã DPA, citando investigadores, os explosivos transportados pelo drone consistiam em uma mistura extremamente potente de Semtex e PETN. Essas substâncias normalmente estão sob controle estatal, embora possam ser adquiridas no mercado ilegal. Elas já foram utilizadas por criminosos e grupos terroristas.

Uma questão central é como o drone conseguiu sobrevoar o aeroporto sem ser detectado. O ministro do Interior afirmou que o aparelho, operado por profissionais, havia sido projetado para escapar dos sistemas de detecção do aeroporto. De acordo com a imprensa alemã, ele estaria equipado com um cartão SIM que o fazia parecer um telefone celular comum aos sistemas de monitoramento. Esse dispositivo também permitiria controlar o drone à distância, desde que houvesse cobertura suficiente de telefonia móvel.

O modo de operação, o risco de danos a aeronaves que transportam ajuda militar à Ucrânia e o histórico de atividades dos serviços russos na Alemanha reforçam a hipótese de envolvimento de Moscou.

Hipóteses circulam nas redes

Nas redes sociais circula a teoria de que a própria Ucrânia poderia estar por trás da operação. Segundo a imprensa alemã, os serviços de segurança não descartam completamente essa possibilidade. Um ataque contra aeronaves ucranianas em território alemão poderia aumentar a tensão com a Rússia e fortalecer o apoio a Kiev.

Outra hipótese é o envolvimento de extremistas alemães contrários à Otan e ao apoio militar à Ucrânia. Além disso, o caso revelou fragilidades no sistema de segurança alemão. Três autoridades podem atuar contra drones: a Polícia Federal, as polícias regionais e as Forças Armadas. Uma nova lei aprovada este ano tentou esclarecer as competências de cada órgão, mas a coordenação ainda necessita de ajustes.

De acordo com a federação das empresas de transporte aéreo, faltam equipamentos adequados nos aeroportos alemães para detectar drones de forma eficaz. O país também não descarta a possibilidade de conceder aos responsáveis por infraestruturas críticas civis, como usinas elétricas e instalações químicas, autorização para reagir rapidamente a sobrevoos ou ataques com drones. A utilização de empresas privadas de segurança também está sendo considerada.

Tentativas de desestabilização

A Alemanha está preocupada com diversos tipos de ataques híbridos. O caso mais recente envolve um vídeo falso que imitava perfeitamente uma publicação da emissora pública Deutsche Welle, anunciando a suposta renúncia de Friedrich Merz na segunda-feira seguinte.

Outras campanhas de desinformação também ocorrem às vésperas das eleições regionais previstas para setembro. Postagens nas redes sociais têm colocado em dúvida a integridade de vários candidatos. Segundo observadores, apenas o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), considerado próximo de Moscou, não teria sido alvo dessas campanhas.

Drone explode perto da fronteira romena

Um drone que transportava uma “quantidade importante de explosivos” entrou no espaço aéreo da Bulgária na manhã deste sábado (8) e explodiu perto da fronteira com a Romênia e de uma estação ligada ao gasoduto que conecta a Turquia à Ucrânia.

Segundo o primeiro-ministro búlgaro, Roumen Radev, a força da explosão indica que o drone carregava uma grande quantidade de explosivos. As autoridades analisam os destroços para identificar o modelo do equipamento, descrito por Radev como um drone de grande porte. 

Após o episódio, o governo búlgaro anunciou o reforço da vigilância aérea e da cobertura de radar na região, além do deslocamento de recursos de combate a drones para a fronteira com a Romênia. O incidente acontece em meio ao aumento das tensões no mar Negro, onde Rússia e Ucrânia têm intensificado ataques contra embarcações.

Nos últimos meses, a Bulgária tem adotado uma posição mais cautelosa em relação ao conflito, suspendendo o envio de ajuda militar proveniente de seus estoques e defendendo uma solução diplomática para a guerra. 

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