O fim do New START, a modernização dos arsenais e a incorporação da inteligência artificial coincidem com a tentativa europeia de reconstruir capacidades militares, resiliência civil e disposição social para enfrentar uma crise prolongada.
Por Redação DefesaNET
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(RDN) O alerta divulgado pelo Conselho de Presidentes da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o aumento do risco de guerra nuclear surge em um momento de transformação estrutural da segurança internacional. A advertência não constitui uma avaliação de inteligência nem uma decisão formal da ONU, mas encontra respaldo em tendências verificáveis: o desaparecimento dos principais mecanismos de controle entre Estados Unidos e Rússia, a modernização dos arsenais das potências nucleares, o crescimento da capacidade chinesa e a incorporação de sistemas de inteligência artificial às cadeias militares de vigilância, análise e comando.
Ao mesmo tempo, governos europeus passaram a discutir abertamente a necessidade de preparar suas populações para conflitos prolongados, ataques cibernéticos, sabotagem de infraestruturas, interrupções logísticas e, no limite, uma confrontação militar envolvendo a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte. O movimento é particularmente visível nos países nórdicos e bálticos, mas também alcança Alemanha, Reino Unido, França e Polônia.
A convergência desses dois processos altera o cálculo estratégico europeu. A Europa tenta reconstruir sua capacidade convencional e sua resiliência social justamente quando os mecanismos destinados a reduzir a incerteza nuclear estão sendo enfraquecidos. O resultado não é a inevitabilidade de uma guerra, mas um ambiente no qual erros de avaliação, incidentes militares e decisões tomadas sob pressão podem produzir consequências mais rápidas e menos controláveis.
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O desaparecimento da previsibilidade nuclear
A expiração do New START, em fevereiro de 2026, encerrou o último tratado bilateral que estabelecia limites verificáveis para os arsenais estratégicos dos Estados Unidos e da Rússia. O acordo restringia cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas e previa inspeções, notificações, intercâmbio de dados e mecanismos de transparência.
Sua importância não se limitava à quantidade de armas permitidas. O tratado fornecia previsibilidade. Washington e Moscou dispunham de informações institucionais sobre lançadores, ogivas e movimentações relevantes, diminuindo a necessidade de interpretar cada alteração operacional como possível preparação para um ataque.
Sem um acordo substituto, as duas potências passam a depender mais intensamente de inteligência técnica, imagens de satélite, monitoramento eletrônico e estimativas classificadas. À medida que diminuem os dados compartilhados, aumenta a tendência de planejar com base no pior cenário possível. Uma movimentação ambígua pode ser interpretada como expansão de capacidade, dispersão preventiva ou preparação para emprego.
O Stockholm International Peace Research Institute, SIPRI, estimou que os nove Estados nuclearmente armados possuíam aproximadamente 12.187 ogivas em janeiro de 2026. Cerca de 9.745 permaneciam em estoques militares potencialmente disponíveis, 4.012 estavam implantadas em mísseis ou aeronaves e entre 2.100 e 2.200 eram mantidas em elevado estado de alerta operacional. Estados Unidos e Rússia concentravam aproximadamente 83% das ogivas estocadas.
O problema central não está apenas nos números. Todas as nove potências nucleares continuaram modernizando seus arsenais e, em diferentes graus, introduzindo novos sistemas de lançamento, maior precisão, capacidade de penetração de defesas e alternativas de emprego. A redução numérica observada durante parte do período posterior à Guerra Fria ocorreu principalmente pela desmontagem de ogivas retiradas de serviço. Esse processo perdeu velocidade, enquanto a instalação de sistemas modernizados tende a crescer.
A ausência de um sucessor do New START também torna mais difícil incorporar a China a uma futura arquitetura de controle. Pequim ampliou rapidamente seu arsenal, mas ainda rejeita aceitar os mesmos limites de Estados Unidos e Rússia enquanto permanecer numericamente abaixo das duas potências. Moscou, por sua vez, defende que os arsenais britânico e francês sejam considerados. Washington procura um arranjo que contemple simultaneamente Rússia e China. Essas posições incompatíveis tornam improvável uma solução rápida.

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Armas táticas e o risco europeu
A Europa ocupa uma posição particularmente sensível porque uma eventual escalada no continente provavelmente não começaria com um ataque nuclear estratégico contra cidades. O risco mais imediato envolve armas nucleares não estratégicas, sistemas de alcance intermediário e plataformas de uso dual, capazes de transportar cargas convencionais ou nucleares.
A Rússia mantém o maior arsenal conhecido de armas nucleares não estratégicas, estimado pelo SIPRI em aproximadamente 1.477 ogivas, enquanto os Estados Unidos possuem cerca de 200. Parte das armas norte-americanas destinadas à missão nuclear da OTAN permanece armazenada em países europeus. A Rússia, por sua vez, afirma ter deslocado capacidade nuclear para Belarus e ampliou o emprego de sistemas de uso dual nas proximidades das fronteiras da Aliança.
Essas armas são apresentadas como instrumentos de dissuasão, mas também podem reduzir o limiar político do emprego nuclear. Em uma crise, uma potência poderia considerar uma detonação limitada como demonstração de força, tentativa de interromper uma ofensiva convencional ou meio de impor negociações. O pressuposto seria utilizar uma arma nuclear sem desencadear automaticamente uma troca estratégica de grandes proporções.
Essa hipótese é contestável. Não existe garantia de que o adversário interprete um ataque nuclear “limitado” da forma esperada por quem o ordenou. A detonação poderia ser confundida com o início de uma campanha mais ampla, provocar respostas convencionais contra instalações nucleares ou levar à dispersão de forças estratégicas. O próprio conceito de escalada controlada depende de comunicações, informações e percepções que tendem a se deteriorar durante o conflito.
Também existe crescente interdependência entre sistemas convencionais e nucleares. Mísseis de longo alcance, ataques cibernéticos, operações espaciais e armas convencionais de alta precisão podem atingir centros de comando, radares, satélites e instalações associadas às forças nucleares. Um ataque planejado para obter vantagem convencional pode ser interpretado como tentativa de neutralizar a capacidade de retaliação do adversário.

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Inteligência artificial e compressão do tempo decisório
A inteligência artificial acrescenta velocidade a uma estrutura que já opera sob pressão. Sistemas algorítmicos podem organizar informações de sensores, identificar padrões, acompanhar lançadores móveis, classificar possíveis ameaças e recomendar respostas. Essas capacidades podem melhorar a consciência situacional e reduzir a carga de trabalho dos operadores humanos.
O mesmo processo, entretanto, cria vulnerabilidades. Um modelo treinado com dados incompletos pode interpretar incorretamente uma movimentação militar. Uma operação de desinformação pode inserir sinais destinados a enganar sistemas automatizados. Um ataque cibernético contra redes de alerta pode gerar dados falsos, bloquear comunicações ou dificultar a identificação do responsável.
O perigo mais concreto não é necessariamente a existência de uma máquina autorizada a lançar armas nucleares autonomamente. O risco está na utilização de análises produzidas por IA para acelerar decisões políticas e militares irreversíveis. Quanto maior a confiança nos sistemas automatizados, menor poderá ser a disposição dos comandantes para questionar uma avaliação apresentada como tecnicamente objetiva.
A automação também pode comprimir o tempo disponível para confirmação. Mísseis hipersônicos, ataques cibernéticos simultâneos e operações contra satélites podem levar uma liderança a acreditar que sua capacidade de comando está prestes a ser destruída. Nessas circunstâncias, uma recomendação algorítmica incorreta pode adquirir peso desproporcional.
A inteligência artificial não elimina a dissuasão nuclear, mas acrescenta incerteza à interpretação das intenções adversárias. A exigência estratégica, portanto, não é impedir toda aplicação militar da tecnologia, mas preservar controle humano significativo, validação independente das informações e canais de comunicação capazes de funcionar mesmo durante crises de alta intensidade.
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A Europa reconstrói sua capacidade de defesa
Enquanto os mecanismos nucleares se deterioram, os governos europeus aceleram investimentos militares. A invasão russa da Ucrânia em 2022 demonstrou que campanhas prolongadas continuam dependendo de efetivos, munições, defesa aérea, manutenção, capacidade industrial e redes logísticas. Também revelou que forças tecnologicamente avançadas podem enfrentar dificuldades para sustentar consumo elevado de projéteis, mísseis e veículos.
A capacidade anunciada pela Europa aumentou. Orçamentos foram ampliados, programas de aquisição foram retomados e países da OTAN assumiram compromissos mais exigentes. Alemanha, Polônia, Reino Unido, França e Estados nórdicos passaram a discutir expansão das forças, recomposição dos estoques e fortalecimento da indústria.
A capacidade real, entretanto, permanece desigual. Dinheiro autorizado não se transforma imediatamente em brigadas operacionais, munições disponíveis ou sistemas de defesa aérea. A fabricação de armamentos exige instalações industriais, mão de obra especializada, cadeias de fornecedores, contratos de longo prazo e previsibilidade política. Muitos países europeus ainda possuem forças reduzidas, estoques limitados e dificuldades de recrutamento.
O Reino Unido reconhece a gravidade do ambiente estratégico e considera, segundo avaliação divulgada pelo governo, que a Rússia poderia reunir condições para atacar a OTAN a partir de 2030. Essa formulação descreve uma possibilidade baseada em capacidade, não uma previsão de intenção.
Há, portanto, uma diferença importante entre preparar-se para uma ameaça e afirmar que o conflito ocorrerá. A Rússia precisaria recompor forças desgastadas, manter produção militar, superar limitações econômicas e aceitar os riscos de enfrentar uma aliança nuclearmente armada. A OTAN, apesar de suas fragilidades, mantém superioridade agregada em poder econômico, aviação, capacidade naval e acesso tecnológico.
O problema europeu não é ausência total de poder, mas dificuldade para converter recursos dispersos em prontidão, massa, interoperabilidade e sustentação operacional. O rearmamento procura corrigir essa discrepância, mas seus resultados mais significativos serão percebidos no médio prazo.

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Defesa total e resiliência civil
A preparação europeia ultrapassa o campo militar. Finlândia, Suécia, Noruega e países bálticos tratam a segurança como responsabilidade compartilhada pelo Estado, pelas empresas e pela sociedade. Essa concepção, frequentemente definida como defesa total, procura assegurar a continuidade do governo, dos serviços essenciais e do apoio civil às operações militares.
A experiência da OTAN demonstra a dimensão dessa dependência. Aproximadamente 90% do transporte utilizado em grandes operações militares é fornecido por meios civis contratados ou requisitados. Mais de 70% das comunicações militares por satélite dependem do setor comercial. Cerca de 95% do tráfego transatlântico de internet passa por cabos submarinos, em sua maioria operados por empresas privadas. Em média, 75% do apoio fornecido pelos países anfitriões às forças aliadas utiliza infraestrutura e serviços comerciais.
Isso significa que a disponibilidade de tropas não garante capacidade de combate se portos estiverem paralisados, ferrovias forem sabotadas, hospitais entrarem em colapso ou sistemas de energia e comunicação forem interrompidos. A defesa contemporânea depende da continuidade administrativa, de estoques de alimentos e medicamentos, da proteção das redes digitais e da capacidade de movimentar forças e suprimentos pelo território.
A Suécia recomenda que os cidadãos possam atender às necessidades básicas por pelo menos uma semana sem apoio imediato das autoridades. O objetivo não é preparar cada família para combater, mas impedir que interrupções iniciais sobrecarreguem o Estado e produzam pânico social.
A Finlândia preservou durante décadas o serviço militar, uma extensa reserva mobilizável, abrigos, planejamento de emergência e programas de treinamento para autoridades, empresas e organizações civis. Esse modelo oferece uma capacidade que não pode ser criada apenas após o início da crise: confiança institucional, conhecimento prévio de responsabilidades e integração entre estruturas militares e civis.
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Preparação ou normalização da guerra?
Os defensores do rearmamento argumentam que a preparação fortalece a dissuasão. Um adversário tende a evitar a agressão quando percebe que não obterá uma vitória rápida, que a sociedade atacada continuará funcionando e que a aliança dispõe de capacidade para sustentar o combate. Nessa perspectiva, preparar-se para a guerra é uma forma de reduzir sua probabilidade.
O argumento possui consistência estratégica. A fragilidade pode convidar à pressão política, à sabotagem e a operações limitadas destinadas a testar a coesão da OTAN. A resiliência civil reduz a eficácia desses instrumentos e demonstra que ataques contra infraestrutura não produzirão automaticamente paralisia ou capitulação.
O contraponto é que a comunicação permanente sobre guerra pode produzir efeitos políticos adversos. Ao simplificar o ambiente em termos de inimigos, heróis e ameaças inevitáveis, governos podem reduzir o espaço para diplomacia, controle de armas e avaliação crítica dos investimentos. A preparação psicológica pode converter-se em mobilização política, enquanto projeções de capacidade adversária passam a ser apresentadas como previsões de ataque.
Analogias com 1914 precisam ser utilizadas com cautela. A Europa anterior à Primeira Guerra Mundial não possuía a atual integração econômica, as estruturas da União Europeia, a OTAN, os sistemas contemporâneos de inteligência ou a dissuasão nuclear. A história demonstra os riscos do erro de cálculo, mas não oferece uma repetição automática do passado.
Também existe o risco de que o aumento das capacidades convencionais produza maior insegurança nuclear. Mísseis de precisão e sistemas capazes de atingir profundamente o território russo fortalecem a defesa da OTAN, mas podem ameaçar centros de comando e componentes das forças estratégicas de Moscou. Na ausência de transparência, a Rússia pode interpretar determinadas capacidades convencionais como instrumentos destinados a neutralizar sua retaliação nuclear.
O dilema não é escolher entre defesa e diplomacia. A dissuasão sem capacidade militar perde credibilidade; a dissuasão sem controle de armas torna-se progressivamente mais instável. A segurança europeia dependerá da capacidade de reconstruir forças convencionais enquanto preserva canais de comunicação e cria mecanismos destinados a impedir que incidentes produzam escalada nuclear.

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Impactos econômicos, industriais e políticos
A preparação para uma crise prolongada exigirá decisões que ultrapassam os ministérios da Defesa. A ampliação dos orçamentos militares compete com políticas sociais, infraestrutura e investimentos civis. Ao mesmo tempo, pode impulsionar setores industriais, tecnologia de uso dual, produção de semicondutores, energia, sistemas espaciais e segurança cibernética.
Os países capazes de oferecer escala industrial, entregas rápidas e sistemas já testados tendem a ganhar espaço no mercado europeu. Os Estados Unidos permanecem em posição privilegiada, especialmente em defesa aérea, aviação, mísseis e inteligência. A indústria europeia poderá se beneficiar do aumento da demanda, mas continuará limitada enquanto os governos fragmentarem encomendas, padrões e cronogramas.
No campo político, a pressão por autonomia estratégica europeia continuará convivendo com a dependência dos Estados Unidos. A Europa pode ampliar sua contribuição convencional, mas ainda depende de capacidades norte-americanas de inteligência, reabastecimento aéreo, transporte estratégico, defesa antimíssil e dissuasão nuclear.
A Rússia procura explorar essas divisões por meio de pressão militar, energia, operações cibernéticas, sabotagem e campanhas de influência. O objetivo não precisa ser derrotar militarmente toda a OTAN. Pode ser suficiente produzir divergências internas, elevar os custos de sustentação da Ucrânia ou convencer determinados governos de que a acomodação é menos arriscada que a resistência.
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Consequências para o Brasil e o Sul Global
Embora a Europa seja o centro imediato desse processo, seus efeitos alcançam países afastados do teatro militar. Uma crise prolongada poderá alterar preços de energia, fertilizantes, alimentos, seguros e transportes marítimos. Ataques contra cabos, satélites e sistemas financeiros teriam repercussões globais.
Para o Brasil, o cenário reforça a necessidade de proteger infraestrutura crítica, comunicações estratégicas, sistemas de energia, redes financeiras, portos e capacidades espaciais. Resiliência não deve ser confundida com militarização. Trata-se da capacidade de o Estado manter funções essenciais diante de guerra, sabotagem, desastre ou ataque cibernético.
Diplomaticamente, o enfraquecimento do controle nuclear também reduz o espaço de atuação das potências médias. Quanto mais a segurança internacional for organizada em torno de arsenais, alianças militares e decisões unilaterais, menor será a influência de países que apostam no multilateralismo. A defesa brasileira do Tratado de Não Proliferação e das instituições internacionais precisa ser acompanhada de capacidade técnica, diplomática e estratégica para influenciar negociações sobre armas nucleares, inteligência artificial e segurança espacial.
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O equilíbrio entre dissuasão e controle
A Europa não está diante de uma escolha simples entre paz e preparação militar. A questão central é como reconstruir sua capacidade de defesa sem transformar a guerra em horizonte político inevitável e sem permitir que o rearmamento convencional acelere a instabilidade nuclear.
O alerta dos ex-presidentes da Assembleia Geral da ONU ganha importância porque identifica a deterioração dos instrumentos que ofereciam transparência e previsibilidade. Entretanto, a resposta não pode se limitar a declarações diplomáticas. Será necessário formular mecanismos verificáveis para limitar arsenais, preservar o controle humano sobre decisões críticas e impedir que sistemas de inteligência artificial comprimam o tempo político abaixo do necessário para confirmar uma ameaça.
Da mesma forma, a preparação civil europeia será eficaz apenas se produzir continuidade institucional, capacidade logística e confiança pública. Campanhas baseadas no medo podem mobilizar temporariamente a população, mas não substituem estoques, infraestrutura protegida, forças treinadas e indústria capaz de sustentar operações.
A tendência estratégica é clara: a Europa está reconstruindo defesas em um ambiente no qual os antigos mecanismos de contenção perderam força. Se o rearmamento não for acompanhado por diplomacia, comunicação de crise e controle de armas, o continente poderá tornar-se militarmente mais preparado e, simultaneamente, estrategicamente menos seguro. O desafio não é apenas possuir meios para combater uma guerra, mas reconstruir os freios capazes de impedir que ela comece.
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