Construído em Itajaí (SC), o navio se prepara para incorporação à Marinha do Brasil, prevista para 24 de abril
Por Primeiro-Tenente (RM2-T) Thaís Cerqueira e Segundo-Tenente (RM2-T) Ribeiro
A Fragata “Tamandaré” (F200) chegou pela primeira vez ao Rio de Janeiro (RJ) nesta segunda-feira (16), após partir de Itajaí (SC), onde foi construída. O navio percorreu cerca de 765 quilômetros até a capital fluminense e será preparado para a Cerimônia de Mostra de Armamento, prevista para 24 de abril, data que marcará sua incorporação oficial à Marinha do Brasil (MB). A fragata integra o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), voltado à renovação dos meios de superfície da Força.
A viagem marca a conclusão da fase de construção da fragata, iniciada em 2022 com o corte da primeira chapa de aço. O navio foi lançado ao mar em 9 de agosto de 2024 e passou por testes de mar em 2025.
De acordo com o Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Eduardo Machado Vazquez, o dia é motivo de orgulho para os brasileiros.
“Nós estamos renovando o Poder Naval com a nossa indústria, isso é um fato marcante. É uma conquista de todos nós, marinheiros e não marinheiros, todos que amamos a nossa pátria. Dentro desse espírito de comprometimento total, a “Tamandaré” chega para mudar a história da Marinha. Hoje é um momento histórico para a Marinha e para o País”, destaca.
Para o Comandante da F200, Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé, esse momento não se trata apenas da incorporação de um novo meio, mas um passo importante para renovar o núcleo do Poder Naval.
“Temos o papel central na proteção da nossa Amazônia Azul. Essas fragatas serão essenciais para o monitoramento e controle do espaço marítimo, para a defesa das ilhas oceânicas, para proteção de estruturas críticas e para salvaguarda das comunicações marítimas de interesse nacional. Nessa segunda-feira, após a atracação, iniciamos oficialmente a nossa história na Esquadra brasileira e, em breve, estaremos prontos para cumprir qualquer missão que seja atribída ao navio”, ressalta.
No mesmo dia, na Base Naval do Rio de Janeiro, foram entregues novas instalações para que parte dos 154 militares da tripulação possa atuar também em terra. A Fragata “Tamandaré” representa um marco para a modernização da Esquadra, é a primeira fragata desse projeto nacional de construção naval, que faz parte do Novo PAC do Governo Federal. A F200 foi integralmente construída no Brasil, no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), com utilização de mão de obra local e por meio de um processo de transferência de tecnologia, que contribui para o fortalecimento da Indústria Naval Nacional.
Sistemas Navais
No contexto das operações, a Fragata “Tamandaré” está preparada para conduzir missões de guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície de forma simultânea. De acordo com o Chefe de Operações da Fragata “Tamandaré”, o Capitão de Corveta Tiago Lino Henriques, essa capacidade se dá por alguns motivos principais.
“O navio possui sensores com alta capacidade de detecção e acompanhamento de contatos, destaca-se o radar de busca volumétrica – principal sensor do navio para contatos acima d’água, como embarcações a longas distâncias, aeronaves e drones. Outra gama de sensores do qual o navio é dotado são os de monitoramento de guerra eletrônica. Com eles, a F200 consegue monitorar emissões eletromagnéticas e de radiofrequência. Isso permite uma consciência situacional mais aprimorada e uma detecção maior na antecipação desses contatos”, destaca.
Essas capacidades são integradas pelo Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das Fragatas Classe Tamandaré, desenvolvido em parceria pela brasileira Atech e pela alemã Atlas Elektronik GmbH. O sistema reúne dados provenientes dos sensores e dos armamentos, consolidando informações para manter a consciência situacional e garantir o emprego eficiente dos sistemas de armas. O CMS utiliza algoritmos avançados para identificar e classificar ameaças, definindo a melhor combinação de sensores e armamentos para neutralização.
“Ele integra sensores e armas e possui um algoritmo que, ao processar essas informações, auxilia o operador no processo decisório, permitindo identificar, classificar e engajar contatos com grande rapidez”, ressalta.
Munições nacionais nos sistemas de armas das Fragatas Classe Tamandaré
Alinhada às iniciativas de fortalecimento da Base Industrial de Defesa, a MB firmou um protocolo de intenções com a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). O objetivo é avaliar a compatibilidade de munições nacionais com os sistemas de armas das Fragatas Classe “Tamandaré”, incluindo a F200.
A ação busca promover cooperação técnica voltada ao desenvolvimento de munições compatíveis com sistemas navais contemporâneos, reduzindo a dependência de fornecedores externos e fortalecendo a cadeia logística necessária para a prontidão da Força Naval.




Proteção da Amazônia Azul
As Fragatas Classe “Tamandaré” são consideradas estratégicas para as atividades de controle e monitoramento da área marítima sob jurisdição brasileira, conhecida como Amazônia Azul, que abrange mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Os navios também contribuem para o apoio à política externa brasileira e para a presença naval em áreas de interesse estratégico, reafirmando o compromisso da Marinha do Brasil com a defesa da soberania nacional e a segurança marítima.




Próximos passos do Programa Fragatas Classe “Tamandaré”
Além da F200, outros três navios estão sendo construídos concomitantemente no estaleiro: As Fragatas “Jerônimo de Albuquerque” (F201), “Cunha Moreira” (F202) e “Mariz e Barros” (F203).
A F201 iniciará a etapa de testes de mar no segundo semestre de 2026; já a F202 está na fase de conclusão da montagem do casco e a cerimônia de Lançamento ao Mar está prevista para o dia 17 de junho deste ano. A F203 começou a ser construída em janeiro de 2026 e o batimento de quilha da embarcação será feito ainda este ano.
Com o início da construção da Fragata “Mariz e Barros”, a TKMS Estaleiro Brasil Sul atinge o auge da produção do PFCT. As quatro primeiras embarcações do programa passam a ser construídas simultaneamente em território brasileiro, com alto índice de conteúdo local. A iniciativa contribui para consolidar a expertise nacional em tecnologia de defesa naval e abre caminho para entregas escalonadas até 2029.

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