Avanços foram apresentados durante evento com a imprensa por ocasião das comemorações dos 218 anos da corporação
Por Agência Marinha de Notícias
O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil (MB), que em 7 de março completa 218 anos, concluiu um processo de reestruturação voltado à modernização de suas capacidades e à adaptação aos novos desafios da defesa nacional. Iniciada em 2023, as mudanças acompanharam a revisão da Estratégia Nacional de Defesa de 2024 e ampliaram o preparo da Força para atuar em cenários cada vez mais complexos, com o emprego de novas tecnologias e meios militares. Os avanços foram apresentados à imprensa nesta quarta-feira (4), na Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro, durante evento em comemoração ao aniversário do CFN.
A reestruturação organizou a atuação dos Fuzileiros Navais em quatro vertentes principais: anfíbia, ribeirinha, litorânea e de proteção. A vertente anfíbia, tradicional na história da Força, mantém o foco na projeção do poder naval do mar para a terra. Já a vertente ribeirinha amplia a presença militar em áreas estratégicas do interior do País. Atualmente, três Batalhões de Operações Ribeirinhas atuam na proteção da soberania nacional em regiões fluviais.
A vertente litorânea integra o processo de transformação da Força. Tradicionalmente voltados para operações do mar em direção à terra, os Fuzileiros Navais passam a incorporar capacidades de defesa do litoral a partir do continente, com sistemas capazes de atuar contra ameaças no ambiente marítimo. Segundo o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro-Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, a reestruturação fortalece a prontidão da tropa para os desafios atuais e futuros.
“A reestruturação está muito ligada ao que foi previsto na revisão da Estratégia Nacional de Defesa de 2024, que estabelece quatro vertentes principais de atuação. Criamos unidades voltadas para cada uma dessas áreas, sem aumento do efetivo, o que nos deixa mais preparados para enfrentar os desafios do presente e do futuro”, afirmou.
Entre os avanços recentes estão as Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLit), projetadas e produzidas no Brasil. Blindadas e de alta mobilidade, elas permitem a inserção rápida de tropas em regiões costeiras ou fluviais com infraestrutura limitada. As embarcações atingem cerca de 74 km/h e podem transportar até 13 militares, além de contar com metralhadoras pesadas, sensores e câmeras termais.
Outro campo em expansão é o emprego de sistemas não tripulados. O CFN ativou recentemente um Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, equipado com aeronaves remotamente pilotadas capazes de realizar reconhecimento, vigilância e apoio a operações militares.
Entre os equipamentos estão drones de quatro hélices, dotados de sensores eletro-ópticos, infravermelhos e termais. As aeronaves podem operar tanto no campo de batalha quanto em missões de busca e salvamento, auxiliando na localização de vítimas em áreas de desastre.
Também integram o conjunto os drones de asa fixa, popularmente conhecidos como “kamikazes”, plataformas projetadas para missões de ataque controlado, que ampliam a capacidade de neutralização de ameaças sem expor diretamente as tropas em solo.
Para o Comandante do Material de Fuzileiros Navais, Contra-Almirante (Fuzileiro-Naval) Cláudio Lopes de Araujo Leite, os drones têm grande relevância no cenário atual.
“Os equipamentos chamados de drones, também do outro lado, os antidrones, tornam-se uma necessidade essencial, não somente no campo de batalha de hoje, mas para muitas das outras atividades que nós fazemos dentro daquele emprego dual. Muitas vezes utilizados em situações de apoio à população, no caso de um desastre ambiental, por exemplo”, explicou.
Para consolidar a formação nessa área, a Marinha anunciou a criação da Escola de Drones, que funcionará no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), no Complexo Naval da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, com inauguração prevista para 17 de março.




Defesa do litoral ganha novo alcance
Mais um avanço que merece ser citado é a integração do sistema ASTROS ao Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP), desenvolvido no Brasil. Com alcance aproximado de 70 quilômetros e perfil de voo rasante sobre o mar, o míssil amplia a capacidade de engajamento contra alvos navais. O armamento pode ser empregado tanto a partir de navios da Esquadra quanto por plataformas terrestres integradas ao sistema ASTROS, que formam baterias móveis de defesa litorânea e reforçam a capacidade de dissuasão na Amazônia Azul.
O Sistema de Mísseis Anticarro Expedicionário (SMACE) é mais um item do processo de modernização, cuja composição consiste em uma viatura blindada de alta mobilidade equipada com o míssil MSS 1.2 MAX, guiado a laser e capaz de perfurar blindagens pesadas.
Capacidade aplicada em apoio à população
A reestruturação fortaleceu a atuação do CFN em apoio à sociedade. Um exemplo é a criação da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA), iniciativa desenvolvida em parceria entre a MB, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), esta última especializada no atendimento a emergências climáticas. A tropa conta com viaturas, embarcações e hospital de campanha, e já foi empregada em sua primeira missão durante as fortes chuvas que atingiram o Norte Fluminense.
Equipamentos e meios como esses têm sido fundamentais em momentos críticos da história recente do País, quando desastres naturais e inundações bloquearam estradas, isolaram comunidades e causaram situações de calamidade em diferentes regiões. Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, no ano passado, houve localidades onde apenas viaturas e embarcações anfíbias conseguiram chegar para prestar apoio às populações afetadas. Em Petrópolis (RJ), por exemplo, a ajuda humanitária também contou com o emprego de meios aéreos. As embarcações de desembarque litorâneo, uma das aquisições mais recentes da Marinha, também ampliam a capacidade de atuação em áreas alagadas ou de difícil acesso.
A experiência operacional demonstra que a logística empregada em cenários de combate é bastante semelhante à utilizada em respostas a desastres naturais, o que permite aos Fuzileiros Navais mobilizar rapidamente pessoal e equipamentos sempre que necessário.




Treinamento, cooperação internacional e integração de mulheres
A transformação do CFN envolve, ainda, avanços na formação, na doutrina e na gestão de pessoal. Os Fuzileiros participam regularmente de exercícios conjuntos com forças de diversos países, como França, Itália, Reino Unido, Chile e Portugal, em Operações como “Jeanne d’Arc”, e “Dragão” e exercícios internacionais como “Catamaran”, “Unitas” e “Integrated Training Exercise (ITX)”.
Nesse contexto, cresce a presença feminina na tropa. Atualmente, mais de 400 militares já atuam no Corpo de Fuzileiros Navais, plenamente integradas às atividades operativas. Um dos exemplos é a Segundo-Tenente (Fuzileiro Naval) Caroline Ávila, que comandou um pelotão durante a COP30 e permaneceu embarcada por 83 dias.
Segundo o Comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, Vice-Almirante (Fuzileiro-Naval) Pedro Luiz Gueiros Taulois, a presença feminina é uma realidade nas diferentes áreas operativas da Força:
“Além da parte da infantaria, nós temos mulheres na artilharia, na engenharia, operando blindados, carros de combate, então é uma gama muito grande.”
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