18 de Outubro, 2013 - 14:09 ( Brasília )

Terrestre

Entrevista com o Cel. Paulo Eduardo Ribeiro, Chefe da Divisão de Simulação de Combate do COTER, sobre simulação e tecnologia militar.


Valorização e capacitação do ser humano, o emprego da simulação no Exército brasileiro, segurança, o desenvolvimento de games e simuladores no Brasil, além das novidades este ano na feira de tecnologia, como os uniformes feitos com nanotecnologia, na entrevista com o Cel Paulo Eduardo Ribeiro (Chefe da Divisão de Simulação de Combate – COTER) para a rádio CBN em 14.10.2013.

Entrevistador - E hoje convidamos o coronel Paulo Eduardo que chefia a Divisão de Simulação de Combate do Exército Brasileiro. Por que? Porque de amanhã até quinta-feira, vai acontecer aqui em Brasília, o Workshop de Simulação e Tecnologia Militar, no QG do Exército, no Setor Militar Urbano. Coronel Paulo Eduardo, muito bom dia e obrigado por ter atendido nosso convite, Tudo bem?

Coronel

Tudo bem, bom dia Estevão Damásio, bom dia a todos os ouvintes da Rádio CBN, é uma grande satisfação estar podendo compartilhar o nosso grande evento aqui no Quartel General do Exército.

Entrevistador - Pois é, me fale sobre o evento e me chamou a atenção, creio que também chamou a atenção dos ouvintes, um Workshop de Simulação e Tecnologia Militar. Me fale um pouco dessa área, Coronel.

Coronel

Perfeitamente. O Exército Brasileiro, como é do conhecimento comum, está passando por um processo de transformação e nesse contexto estamos investindo já alguns anos, na aquisição. na busca de novas tecnologias. E este workshop é um evento que consiste numa série de palestras de autoridades e empresas ligadas ao ramo de simulação e uma exposição e feira de equipamentos voltados pra essa área de tecnologia de simulação e também com uma novidade nesse ano, sobre o uniforme com nanotecnologia e equipamento para o combatente brasileiro.

Entrevistador - É uma área que creio deva ter crescido muito. Nós somos lideres na elaboração de jogos, há empresas no Brasil que são referências mundiais. No campo da simulação, da tecnologia militar, como estamos situados mais ou menos, Coronel Paulo?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Nós estamos aprendendo muito. Exatamente como você disse, no mundo inteiro, a simulação deriva, na verdade, dos jogos. Nós temos inúmeras universidades brasileiras aonde há grandes expoentes na área de jogos. Muitas vezes nós associamos aos jogos, aos vídeo games, como uma coisa que simplesmente visa a distração, mas na verdade toda essa tecnologia é trazida para a área da simulação, no campo profissional, no campo educacional, no campo da saúde.

E em termos de simulação, nós estamos aprendendo muito, temos investido desde 2009, no aprimoramento, na busca de novas tecnologias e esse workshop tem como grande finalidade, justamente trazer a essa integração civil, militar, a indústria, o meio acadêmico essencial. É o meio acadêmico que impulsiona as inovações, as novas tecnologias, confraternizando de um modo geral, compartilhando essas informações e essas tecnologias para o uso militar também.

Entrevistador - Coronel Paulo Eduardo, como o Exército se situa nesse momento, no que diz respeito à utilização de novas tecnologias e de treinamento, usando simuladores? O Senhor já usa há algum tempo, esses programas para preparar os oficiais e, consequentemente, o restante das tropas?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Perfeitamente. Há diversos tipos de treinadores e simuladores. Mas, simplificando, há treinadores que são usados em salas de aula, em ambientes acadêmicos, o Exército usa em diversos ramos, e, mais recentemente, nós temos passado a utilizar simuladores virtuais, simuladores construtivos. De uma maneira geral, são simuladores que permitem nós buscarmos não apenas uma redução de custos, mas vou dar alguns exemplos. No caso da artilharia, os custos de treinamento da artilharia, com os fogos no campo de batalha, são muito elevados. Além disso, há uma questão de degradação ambiental. Utilizando simuladores, nós reduzimos drasticamente esses custos, preservamos o ambiente, aumentamos os critérios de segurança e trazemos um grau de eficácia maior.

Entrevistador - Além dos custos de deslocamento da própria tropa né?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Exatamente. A idéia é fazer mais com menos recursos. E aumentando a qualidade. A questão do custo ela é relevante sempre, logicamente, mas entra aí um aspecto diferenciado. É o que nós podemos fazer, por exemplo: na hora de treinarmos um piloto de helicóptero, um piloto de um veículo blindado, de um veículo mecanizado. Além da questão do custo, entra também a questão do risco, dos limites.

Nós podemos errar no simulador. Um piloto não pode errar em vôo. Um piloto de um veículo blindado ou veículo mecanizado, ele pode errar inúmeras vezes, acertar os seus limites no simulador, mas se ele provocar equívocos na hora da pilotagem, ele pode causar acidentes, ferimentos, mortes na população civil e em si mesmo. É importante nós focarmos não apenas a questão econômica, que é relevante, mas o nosso foco primordial é o valor humano, o ser humano. É a capacidade de darmos o algo mais na preparação, na qualificação dos profissionais.

Entrevistador - Coronel Paulo Eduardo, no que diz respeito guardadas as proporções dos simuladores que treinam pilotos para as aeronaves comerciais, os simuladores têm atingido quase que a perfeição nas simulações feitas, nos incidentes, nas emergências que podem acontecer.

O Exército Brasileiro hoje, o senhor citou, pilotagem de helicópteros, o helicóptero militar é diferente, é muito grande, transportam tropas, eu tive a felicidade de estar em um, em Fernando de Noronha, numa situação completamente atípica, porque helicópteros são proibidos no arquipélago, mas como o presidente Fernando Henrique estava lá, nós fizemos um sobrevôo num helicóptero militar, é sensacional. Mas, os pilotos hoje, do exército brasileiro já treinam nos simuladores, assim como os pilotos dos blindados?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Sim, perfeitamente Estevão. É um excelente exemplo que você está dando. Os parâmetros seguem a legislação internacional. Há empresas nacionais que já desenvolvem simuladores de vôo de helicóptero. Há simuladores já feitos pelo próprio Exército, pela nossa engenharia militar, entretanto, os padrões são internacionais. Hoje, fato em diversos países, os pilotos muitas vezes vão treinar na Europa, ou na América do Norte ou no nosso caso, no Brasil, nós temos no estado de São Paulo, diversas empresas estrangeiras que montaram verdadeiros laboratórios de simulação e que funcionam em torno de vinte e quatro horas.

É necessária a homologação……o simulador tem que ser homologado e isso é que dá essa segurança. No caso da aviação do Exército, como você bem mencionou, os nossos pilotos são treinados exaustivamente nos simuladores e seguem as mais rigorosas normas de segurança, etc. Isso é fundamental para que nós preservemos não apenas o material, mas principalmente, as vidas humanas que é o que nos direciona.

Entrevistador - Partindo pros joguinhos, creio que as tropas de elite do Exército, como da Polícia Militar e de outras forças, elas se deparam com situações de stress. Situações que ela tem que o militar tem que definir em segundos se o alvo, se tem que atirar naquele alvo, é aquele bandido, aí vem tiros de todo lado. Esses simuladores do exército pra treinar tropas de assalto, tropas de elite, tropas que geralmente são acionadas em caso de stress agudo, também já são uma realidade, Coronel?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Sim, eles são uma realidade. Nós temos em diversas cidades aqui no Brasil e justamente como parte desse processo de transformação que eu mencionei no início, o Exército agora tem projetos específicos. Nós estamos adquirindo novos simuladores para este tipo de emprego. É fato que nada substitue a realidade, então o simulador não substitue o treinamento do profissional. Mas, justamente para o condicionamento de reflexos, é muito importante.

Para um profissional sem pegada, é uma grande responsabilidade utilizando um armamento que é voltado, muitas das vezes, para a guerra, ou mesmo para situação de segurança pública, ele precisa estar disciplinado no uso daquele armamento, precisa estar adequadamente treinado para agir individualmente e no contexto da sua fração. Por isso, estamos usando massivamente e agora com o advento dos grandes eventos, a Olímpiada chegando a frente, o Exército está colocando e capacitando cada vez mais, os nossos efetivos.

Entrevistador - No finalzinho do nosso bate papo, vou repetir aqui, que é um assunto que interessa muito. Nós estamos conversando com o Coronel Paulo Eduardo, que chefia a Divisão de Simulação e Combate do Exército Brasileiro. Por que o convidamos? Porque de amanhã a quinta, das 9h da manhã às cinco da tarde, no QG do Exército, haverá o Workshop de Simulação e Tecnologia Militar. A entrada é gratuita, mediante credenciamento no local. A gente vai dar esse serviço no finalzinho do bate papo. Eu tenho mais dois minutinhos Coronel, eu gostaria de ressaltar o trabalho hercúleo e que muitas vezes passa despercebido da tropa que atua na fronteira. Há simuladores específicos também para esse pessoal, que tem que combater a entrada de drogas, de armamentos, enfim, o pessoal que atua no Exército, nos rios da Amazônia, há simuladores que atendem a essas ações?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Sim, Damásio. Há simuladores pra esse sentido e em diversos níveis. Nós temos os simuladores para os treinamentos de postos de comandos, aonde os generais com seus estados maiores, os coronéis com seus comandantes das organizações militares da fronteira, com seu staf, são treinados em planejamento, em visualização de linhas de ação de alternativas para o cumprimento de suas missões. Paralelamente a isso, nós também treinamos a parte de emprego em situações de stress, como você mencionou anteriormente, o emprego de tiro, o tiro já são reflexos,etc. Tudo com o máximo cuidado para que a nossa missão de proteger a nossa população esteja em primeiro lugar. Daí a necessidade desse treinamento ser intensivo, dessas coisas estarem acontecendo dentro de um cronograma, de uma preparação, para depois, posteriormente, as frações serem empregadas.

Entrevistador - Falamos muito hoje no Soldado do Futuro, mas o futuro já chegou né? A Nanotecnologia que ajuda os desportistas, também tem ajudado os militares, é uma nova roupagem que muitas vezes os militares estão usando né Coronel?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Exatamente, esse é um dos grandes objetivos desse Workshop de Simulação e Tecnologia Militar desse ano, também, trazendo empresas do exterior, algumas empresas nacionais, com soluções em nanotecnologia.

A idéia é poder integrar no uniforme, no equipamento, sensores, dando conforto, protegendo adequadamente ao combatente, ao militar, homem ou mulher, mais também permitindo que esses sensores sejam captados dentro de um contexto de comando e controle, e seus chefes possam preservar-lhes a integridade e controlar seu posicionamento e a melhor utilização dele, reagindo às circunstâncias que sejam apresentadas.

Entrevistador - É um mundo fascinante, cujos limites estão cada vez mais fáceis de se alcançar ou de se ultrapassar. Tudo claro, com ética, com transparência, com muita racionalidade. Mas é um mundo virtual sensacional, que interessa principalmente aos jovens que militam nas salas de engenharia, a engenharia no país deu um novo impulso, então o Workshop de Simulação e Tecnologia Militar, de amanhã até quinta, no QG do Exército, no Setor Militar Urbano, de 9h da manhã às cinco da tarde, a entrada é gratuita, mas tem que fazer um credenciamento né Coronel?

Coronel Paulo Eduardo Ribeiro

Isso é um credenciamento normal, porque é um órgão público, mas as famílias são muito bem vindas, o meio acadêmico, os profissionais liberais, quem quer que seja, traga sua família, venha participar. No que diz respeito às palestras elas são mais técnicas, voltadas para o meio empresarial, para os gestores dos diversos departamentos do Exército, mas a parte da exposição ela é muito motivante, como eu disse no início, como esses simuladores são derivados dos games, há um grande atrativo visual, uma interatividade muito grande e isso traz uma motivação. A família de brasilienses é sempre muito bem vinda, o credenciamento é normal, basta trazer um documento com fotografia, um documento de identidade com fotografia, serão muito bem recebidos, é uma honra ter os visitantes aqui no nosso Quartel General do Exército.

Entrevistador - Legal, obrigado Coronel Paulo Eduardo, parabéns pelo trabalho, que o sucesso marque sempre essa área do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, enfim. Vale a pena, até quinta-feira, vá conhecer os estandes, os expositores, a tecnologia que norteia hoje a área militar, especificamente do Exército Brasileiro.