COBERTURA ESPECIAL - KC-390 - Hangout

31 de Julho, 2014 - 01:00 ( Brasília )

HANGOUT - KC-390 e o Salto Qualitativo da Indústria Aeronáutica Brasileira I

Evento que teve a participação de autoridades da da FAB da COPAC e do COMDABRA


Hangout DefesaNet O Globo

KC-390 E O SALTO QUALITATIVO DA INDÚSTRIA
AERONÁUTICA BRASILEIRA I


O Primeiro Hangout realizado no dia 04 Junho, com a participação das autoridades da FAB responsáveis pelo projeto:

Brigadeiro-do-Ar José Augusto CREPALDI Affonso, Presidente da COPAC
Coronel Engenheiro Sergio Carneiro, Gerente do Projeto KC-390, COPAC

E a participação especial do:


Major-brigadeiro Antônio Carlos Egito do Amaral, comandante da Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), que apresentou como será feito o monitoramento de aeronaves no espaço aéreo durante o período da COPA FIFA 2014.

Participam também:

Mediador: Nelson Düring, Editor-chefe da Agência de Notícias DefesaNet
Debatedores: Roberto Maltchik, Editor de Videojornalismo de O GLOBO
Vianney Júnior, Editor-chefe de Avaliação de Aeronaves do DefesaNet


 

Nota

 
Os links das transcrições e dos vídeos seguem: 

KC-390 E O SALTO QUALITATIVO DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA BRASILEIRA - Participação FAB I

a - Transcrição Link
b - Vídeo Link

KC-390 E O SALTO QUALITATIVO DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA BRASILEIRA - Participação EMBRAER Defesa & Segurança II

a - Transcrição Link
b - Video Link

 




Jornalista Roberto Maltchik - O Globo: Iniciamos com bastante honra um hangout, um debate por meio da internet, com algumas das principais autoridades da aeronáutica brasileira em parceria com o site especializado em defesa e também no mercado aeroespacial, DefesaNet, sobre dois temas fundamentais em relação ao Brasil.
 
Um deles é o desenvolvimento por parte da EMBRAER no Brasil de uma nova aeronave de transporte militar, KC-390. Esta aeronave já teve alguns contratos importantes. As linhas gerais já determinadas em acordo com a Força Aérea Brasileira e o Ministério da Defesa. E também em relação ao formato que será feita a defesa aérea do Brasil durante a Copa do Mundo. Uma série de delegações estrangeiras, uma logística tremenda para garantir dois aspectos: o primeiro deles, o tráfico, o transporte de passageiros e ao mesmo tempo a segurança do espaço aéreo brasileiro para eventuais ameaças. Neste Hangout conosco está o brigadeiro Egito, que comanda as operações de defesa aérea por parte da Força Aérea Brasileira, o brigadeiro Crepaldi que comanda a comissão que avalia toda a estrutura de compras mais estratégica relacionada a aeronáutica brasileira, o Coronel Carneiro que vêm a ser o gerente do projeto do KC-390.
 
Conosco, ainda, mediando o debate, Nelson Düring, o editor-chefe do DefesaNet, e, também, o Vianney Jr., editor de testes do DefesaNet. Nelson, eu gostaria que você começasse as primeiras perguntas em relação as questões da Copa. Acho que é importante a gente fazer uma rápida avaliação sobre o sistema de defesa aérea. Até que ponto está montado, brigadeiro Egito, o sistema? Tudo pronto? Estamos cem por cento seguros para esse período de Copa? 
 
Brigadeiro Egito: Inicialmente, muito obrigado pelo convite para participar desse Hangout. A Força Aérea Brasileira, o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), certamente já está pronto para a Copa. É bom lembrar que o sistema aeroespacial brasileiro opera diuturnamente, qualquer hora do dia e da noite. Sábado, domingo, feriado. Nós temos sempre pilotos de defesa aérea, controladores de operações aéreas militares, mecânicos de armamentos e aeronaves, todos eles prontos para serem acionado em caso de necessidade. O que existe de diferente na Copa é que nós estamos intensificando a defesa aérea no espaço aéreo em torno dos estádios. Para nós, em defesa aérea, não houve grandes diferenças. Só que nós tivemos que fazer algumas movimentações de aeronaves para atender as doze cidades sedes. Nós praticamente quadruplicamos o esforço aéreo.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Uma questão importante, que meios a Força Aérea e a COMDABRA vai alocar para a proteção  área dos jogos?
 
Brigadeiro Egito (COMDABRA): Nós vamos contar com aeronaves F-5EM/FM, A-29 Super Tucano, o helicóptero UH-60 Black Hawk e os helicópteros AH-2 Sabre. Além de Grupos de Artilharia Antiaérea do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Isso é distribuído nas doze cidades sede do país.
 
Nelson Düring – DefesaNet: O que se pode esperar que aconteça durante os jogos?
 
Brigadeiro Egito (COMDABRA): Não existe nenhuma ameaça concreta. Nós estamos fazendo todo um trabalho de prevenção como todos os demais órgãos, Comando de Defesa de Área, Ministério da Defesa, Órgãos de Segurança Pública, tomando ações preventivas para qualquer ameaça, que possa ocorrer no nosso espaço aéreo. O que nós imaginamos hoje são aeronaves e pilotos que podem estar infringindo as normas de tráfico aéreas especificamente publicadas para a Copa do Mundo. Existe uma circular de informação da Aeronáutica que limita o uso do espaço aéreo durante o período da Copa. Essas limitações que nós faremos que todos observem, aplicando as nossas medidas de policiamento do espaço aéreo empregando esse meios que acabei de citar.
 
Roberto Maltchik - O Globo: Brigadeiro Egito, no que diz respeito ao uso do espaço aéreo limitado, restrito, durante a Copa do Mundo, nas doze sedes, certamente será mediante duas particularidades: uma seria o piloto inadvertidamente estar numa área restrita e a outra, obviamente, seria um intruso, uma ameaça. Qual é a operação padrão?
 
Brigadeiro Egito: Primeiro é importante ressaltar que a divulgação dessas normas, dessas restrições, tem sido muito grande por parte do departamento de controle e espaço aéreo e por todo o comando da aeronáutica. Já existe no site do DECEA – Departamento de Controle do Espaço Aéreo, a norma publicada já algum tempo. Desde o dia primeiro de maio essa circular da informação da aeronáutica, com essas regras específicas, foi publicada no mundo inteiro como norma internacional da Organização de Aviação Civil Internacional. Devido a isso, não há como piloto ou copiloto dizer que desconhece a norma. É obrigação de qualquer aeronavegante conhecer as normas e as restrições das regras para o tráfico aéreo.
 
Como nós vamos agir?  Nós criamos entorno dos estádios as áreas: branca, que é uma área restrita, amarela e a vermelha, que é uma área proibida. O que vai acontecer. Uma aeronave que ingresse em uma dessas áreas sem estar cumprindo as limitações daquelas regras que foram publicadas, ele estará sujeito a medidas de policiamento no espaço aéreo. Elas são basicamente: os órgãos de tráfico aéreo vão tentar identificar a aeronave. Se usando os meios de comunicação com os pilotos não surtir efeito, nós partiremos para empregar as aeronaves de interceptação, aquelas que citei anteriormente, que vão partir para persuadir o piloto a mudar a sua rota e não continuar adentrando a essas áreas.
 
Roberto Maltchik - O Globo: Se o piloto não atender nenhuma dos avisos pode ser que a Lei de Abate entre em vigor.
 
Brigadeiro Egito: A Lei de Abate hoje existente tem realmente uma limitação. É uma lei de 2004, que está limitada a ser empregada contra aeronaves supostamente envolvidas em narcotráfico. Com esse entendimento, o comando da aeronáutica enviou já há algum tempo uma nova proposta de um novo arcabouço jurídico para ser aplicado na Copa, que poderia nos dar essa liberdade de ação. Contudo, eu não poderia fazer, com o atual ordenamento jurídico, as medidas extremas para deter a aeronave, mas eu posso fazer todas as medidas persuasivas. Buscar a modificação da rota e o pouso obrigatório usando essas aeronaves. Eu posso agir até um determinado limite. Persuadir o piloto a desviar a rota dele, mas por hora no nosso ordenamento jurídico eu não posso ir a medidas extremas.
 
Nelson Düring – Defesanet: Nós tivemos um problema de conexão. Estamos aqui esperando os demais colegas que participem. O Brigadeiro Crepaldi estava comentando a questão das características do KC-390 e a sua importância. Gostaria que o senhor recuperasse essas informações.
 
Brigadeiro Crepaldi (Presidente COPAC): Caros senhores, continuando a resposta da pergunta do Vianney. Primeiro eu fiz aquela abordagem do enfoque estratégico que se refere a dimensão operacional. Foi também comentado pelo próprio brigadeiro Egito. O KC-390, hoje, representa para a indústria brasileira um investimento de 40 anos na área aeroespacial. O KC-390 tem que ser imaginado, hoje, como produto de mercado no âmbito militar, que vai poder competir páreo e passo a com qualquer aeronave da sua categoria. Contando com um preço de aquisição mais baixo. E principalmente o custo de suporte logístico, comparado com seu concorrente direto, muito mais baixo do que se tem hoje no mercado.
 
Para o Brasil representa, além da dimensão tecnológica, que podemos dizer que teremos para colocar no mercado e manter nossos empregos de alto valor tecnológico, um grande produto. Eu faço esse paralelo no projeto KC-390 na dimensão operacional que já foi respondida e a dimensão industrial no que se refere ao ambiente estratégico.
 
Coronel Carneiro (Gerente Programa KC-390): Complementando o que o brigadeiro Crepaldi havia mencionado. O principal fator de futuro sucesso que nós todos esperamos para o KC-390 é justamente essa capacidade que a Embraer demonstrou de atender os requisitos hiperdemandante da Força Aérea Brasileira para cumprir as nossas missões. Com toda a nossa necessidade, com a capacidade tecnológica, criatividade e engenharia da Embraer o produto que está saindo agora da fábrica é um avião que vai redefinir o mercado de transporte militar na sua categoria com características que nenhuma outra aeronave tem, com custo de suporte logístico no futuro muito mais competitivo do que os demais componentes no mercado. Essa é a função da parceria da FAB e Embraer criando soluções para atender os nossos requisitos.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Coronel Carneiro, os desafios técnico para uma integração de uma infinidade de fornecedores que estão participando desse projeto. Como está o gerenciamento? Nós estivemos no dia da inauguração do hangar (20 Maio 2014) e podemos perceber a magnitude, tendo a dimensão e extensão do hangar e a complexidade do projeto. Como está o gerenciamento desse fluxo de fornecedores nacionais e internacionais para termos a expectativa do voo inicial esse ano?
 
Coronel Carneiro (Gerente Projeto KC-390): Os grandes desafios que nós tivemos foram conseguir cumprir as metas de mercado e de janela de mercado para essa aeronave. Isso significa que nós precisamos dosar trazer toda a tecnologia de ponta necessária para a aeronave, mas que estivesse já desenvolvida e disponível no mercado. Uma vez que desenvolver novas tecnologias acabaria trazendo risco muito elevados para se cumprir os prazos.
 
Nós vimos em outros projetos com propostas semelhantes que acabaram atrasando muito em função da incorporação de tecnologias, que não estavam maduras. No KC-390, se buscou, sempre que possível, se trazer o que havia de mais avançado no mercado, mas com maturidade suficiente para não acarretar novos riscos para cumprimento dos cronogramas. Com isso, nós temos uma turbina, um motor que tem comprovação de vida útil voando na aviação comercial, um sistema aviônico comprovado em aeronaves de última geração, e assim por diante. Isso foi levado em conta na seleção de todos os fornecedores para minimizar os riscos.
 
Agora, o senhor tem razão. É uma miríade de fornecedores internacionais. Existem diversos problemas de gestão que nós temos que atacar no dia a dia, nós e a Embraer conjuntamente. O que nos deixa satisfeitos é chegar agora já no meio de 2014 ainda mantendo a data de voo esse ano. Meta que nós vislumbrávamos lá em 2009, e a gente duvidava. A gestão por parte da Embraer está sendo muito bem feita. Nós estamos bastante satisfeitos e nós, do lado da FAB, também gerenciando, acompanhando de perto, o comprimento de todos os cronogramas, a entrega e as etapas. As ações têm andado muito tranquilas.
 
 
Nelson Düring – DefesaNet: Brigadeiro Crepaldi, foi assinado o contrato naquela solenidade, em Gavião Peixoto. Todos as questões relativas ao contrato já estão solucionados? É um contrato realmente definido para a produção das 28 aeronaves?
 
Brigadeiro Crepaldi (Presidente COPAC): O contrato foi assinado no dia da inauguração com a presença da Presidente da República, do ministro da Defesa. É um contrato eficaz, já foi publicado no Diário Oficial da União. Então é normal como os nossos contratos que demore certo tempo para entrar em eficácia. Então são vários passos que têm que ser somados, não é nesse contrato, é em todos os contratos. O mais importante para dizer nesse momento é que é um projeto maduro, sem risco, como o Cel Carneiro colocou e eu queria acrescentar.
 
O fato de ter uma miríade de sistemas, temos que lembrar hoje que a Embraer não é a terceira indústria aeroespacial ato no mundo. É uma empresa consagrada com mais de 40 anos de idade. Apesar dos riscos existirem, eles são mínimos que já foram mitigados como o Carneiro colocou. Em função da qualidade do requisito da Força Aérea e da capacidade gerencial, tecnológica e industrial da Embraer. Realmente, o contrato de aquisição está na praça. Acho que ele é importante para a Embraer e para o Brasil sinalizar que é um produto maduro que vai fazer uma grande diferença para aqueles outros países que estão buscando um produto similar. Sabemos hoje que a aeronave da frota concorrente mais próxima que é 630 é uma frota que está chegando ao fim de sua vida útil. Estamos seguros em dizer que esse contrato vai favorecer muito a capacidade de vender esse produto no mercado mundial.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Brigadeiro Crepaldi, as 28 aeronaves é a demanda da Força Aérea ou haveria espaço para mais?
 
Brigadeiro Crepaldi: Como todo o projeto, hoje, que temos na Força Aérea Brasileira é precedido de um estudo de viabilidade. Esse projeto faz uma análise do tempo de vida útil da aeronave, o tipo de missão a ser cumprida e se raciocina com os números de aeronaves. Aconteceu exatamente isso, em 2007 e 2008 quando o projeto KC-390 foi imaginado. Tanto levando-se em conta o lado operacional, como o lado industrial e operacional e se chegou ao número de 28 aeronaves. Não é um número mágico. É um número que é fruto de um estudo de viabilidade para sustentar a capacidade operacional da força aérea brasileira e também garantir a maturidade do produto enquanto produto no mercado mundial que durou mais de seis anos.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Nós sempre vemos o projeto do KC-390 como transporte de cargas e pessoas, mas ele pode ser o multiplicador de forças também do sistema de defesa aérea.
 
Brigadeiro Egito: O KC-390 é uma grande arma de projeção do poder aéreo espacial. Eu posso fazer um reabastecimento em voo de uma aeronave de defesa aérea, por exemplo, eu aumento o alcance das aeronaves a permanência no ar dessas aeronaves. Da mesma forma, eu posso ter com o KC maior mobilidade para as unidades aéreas de defesa aérea ou unidades aéreas de emprego do poder aéreo espacial, unidade aérea de caça, porque eu poço desdobrar rapidamente a unidade aérea de sua base para qualquer ponto do território nacional.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Brigadeiro Crepaldi e Coronel Carneiro, quem melhor puder responder essa pergunta, quais os desafios tecnológicos que temos no desenvolvimento do KC-390? É um avião de transporte que também usa turbina, é uma característica de avião de transporte tático, mas ele também está incorporando uma série de outros desafios. Vocês poderiam falar um pouco mais sobre isso?
 
Coronel Carneiro: Sem dúvidas os desafios são inúmeros, ainda mais os desafios tecnológicos. Não apenas pela característica do avião que nasceu para ser multimissão: transporte de tropa, transporte de carga, mas ele também é reabastecedor de voo, ele pode ser reabastecido em voo, o que aumenta ainda mais a sua capacidade de apoiar outras unidades aéreas, aumenta a sua capacidade de projeção. Pode ser um avião de busca e salvamento, com essa capacidade de ser reabastecido pode aumentar o tempo de busca numa região de busca.
 
É bom lembrar que a região de nossa área de busca e salvamento é enorme. São 22 milhões de quilômetros quadrados de responsabilidade da Força Aérea Brasileira. Para fazer uma avião que seja capaz de cobrir todas essas missões ser reconfigurado rapidamente foram muitos desafios tecnológicos. Eu lembraria alguns aqui, o avião precisa abastecer caças, isso significa alto desempenho, mas também está previsto que faça abastecimento de helicóptero. Isso significa ser capaz de fornecer combustível a uma velocidade mais baixa. Isso, por si só, já é um grande desafio para o projeto da asa do avião, por exemplo.
 
Tem que ter performance suficiente para as altas velocidades e capacidade de manter velocidade para fornecer reabastecimento em velocidades mais baixas para os helicópteros. Apenas um dos exemplos. Outros exemplos, esse avião por uma decisão estratégica da Embraer vai incorporar do que há de mais moderno na tecnologia fly-by-wire, comandos de voo por pulsos elétricos e por computador. Vai ser uma tecnologia com características nacionais, totalmente desenvolvida pela Embraer e vai permitir que o avião dê tudo o que for capaz para o operador e deixe o operador mais confortável, tranquilo para operar o avião, se concentrando na missão. Existe uma grande inovação na área de manufatura, também, o sistema da integração da fuselagem, gravações de peças estruturais usando sistemas automáticos e robôs de últimas gerações. Uma série de desafios tecnológicos que estão trazendo a Embraer para um novo patamar e certamente trarão a Força Aérea também para um novo patamar operacional quando esse avião entrar em operação.
 
Vianney Jr. – DefesaNet: Brigadeiro Crepaldi e coronel Carneiro, sabemos que um dos itens mais inovadores no projeto do KC-390 e ao mesmo tempo onde alguns críticos - quando falo críticos são os concorrentes – o que eles falam do KC-390 é o fato dele utilizar um motor turbofan ao contrário do tradicional turbo-hélice em operação em pistas semipreparadas. Eu faria uma pergunta quanto a dois aspectos, um deles seria a questão do ACN da aeronave (ACN é o número que expressa o efeito relativo de uma aeronave com uma determinada carga sobre um pavimento), ou seja, como é que essa aeronave operando em pistas semipreparadas, fazendo o transporte de cargas pesadas, a composição do trem de pouso distribui de forma melhor a absorção desse impacto que permita a operação dessa aeronave sendo operado de forma remota em pistas semipreparadas. E a própria questão das turbinas operando num ambiente um pouco mais agressivo. Com a palavra os senhores.
 
Coronel Carneiro – COPAC: Eu vou começar pela distribuição de carga, pelo ACN, a capacidade da aeronave em operar em pistas com o piso, falando de forma mais simples, um pouco mais fofo. O senhor quando perguntou já praticamente deu a resposta. O KC-390 tem mais rodas do que o C-130 Hércules, tanto no ponto de vista de distância de pista o KC-390 é menos exigente, ele tem um ACN mais baixo significa que ele vai operar em pistas onde hoje o C-130 não opera por uma questão de ter mais rodas e distribuir mais o peso. Esse ponto é um ponto vantajoso para o KC-390. Com relação a pistas semipreparadas de um avião, a turbina, essa pergunta, eu tenho certeza quando conversarem com o engenheiro Paulo Gastão amanhã, e ele adora responder essa pergunta, porque esse vai ser um diferencial de mercado em que estamos apostando, que vai ser bem sucedido.
 
No passado, a tecnologia dos turbo-hélice significava pás curtas e metálicas. Eram muito mais resistentes a algum tipo de detrito que saísse de uma pista e ao mesmo tempo, algumas turbinas anteriores tinham uma tecnologia em que elas eram muito mais sensíveis a ingestão desses detritos. Hoje, isso se inverteu. As aeronaves turbo-hélice de alto desempenho tem pás de hélices longas e de material composto. Normalmente a operação em pistas com detritos, baixa a disponibilidade dessas pás, que dá trabalho, o pessoal do A-400 sabe disso.
 
Para ter um avião turbo-hélice com alto desempenho de velocidade como o Airbus A400 ATLAS conseguiu e fica um tremendo desafio tecnológico para fazer aqueles motores, aquelas pás com aquela geometria super sofisticada, serem controladas devidamente. Por outro lado as turbinas modernas são altamente resistentes a detritos. Faz parte do processo de certificação testar ingestão de pedras de gelo, por exemplo, por causa da operação comercial demandante. Além disso, o posicionamento dessas turbinas foi feita com estudos e simulações para garantir que o risco de um detrito danificar uma turbina dessa é muito baixo. Por esse ponto de vista, todas as decisões de engenharia forma tomadas baseada em simulações, em estudos detalhados. Nós estamos confiantes que vai ser comprovado e dá sim para operar com avião a turbina em pista semipreparada com alta disponibilidade e talvez até maior do que os aviões à hélice.
 
Brigadeiro Crepaldi (Presidente COPAC): Eu queria complementar, do ponto de vista do ciclo de vida, da pergunta do Vianney, que essas turbinas do KC-390 são uma versão comercial, uma turbina que tem mais de quatro milhões de horas voadas, milhares de motores vendidos. O ciclo de vida, o custo que nós vamos ter com esses motores ao longo de sua vida útil é muito mais baixo comparado ao dos motores turbo-hélice. Isso também tem se levado em conta e no estudo de viabilidade foi muito pensado também.
 
Vianney Jr. – DefesaNet: Eu queria dar um depoimento. Eu tive a oportunidade de experimentar o desktop trainer do KC-390 e também o sistema de controle fly-by-wire, no caso, os comandos produzidos para o KC-390 que são similares, são de mesma tecnologia, do F-35. São realmente muito interessantes, são muito fáceis de operar e muito didáticos, eu diria, para a operação da aeronave mesmo em situações limite, pois anteriormente em aeronaves menos sofisticadas o piloto tinha que sentir a aeronave muito mais, para mantê-las dentro do envelope, em operações críticas. Isso foi uma coisa que me chamou muito a atenção. Se por acaso, o coronel Carneiro pudesse se aprofundar um pouco mais na questão do quanto nós teremos na redução do trabalho do piloto e também da segurança incorporadas por essas novas tecnologias.
 
Coronel Carneiro (Gerente Projeto KC-390): Complementando o que já falei sobre tecnologias incorporadas, essa nova tecnologia que a Embraer vai apresentar para o KC-390 de comandos de voo com controle todo por fly-by-wire, totalmente em grupo fechado. Isso diminui muito a carga de trabalho para os pilotos, realmente. O sistema é muito confiável, muito automatizado e vai permitir garantir segurança de que o avião se mantenha no envelope, protege a operação em missões críticas e, além disso, como a tecnologia é extremamente desenvolvida e cheia de redundâncias, permite, em caso de falhas, manter o avião seguro para continuar cumprindo a missão, e em caso de novas falhas até conseguir retornar à base com segurança muito maior do que qualquer aeronave da categoria. O senhor falou principalmente sobre os incepters, que é com os side stick, semelhante ao do F-35, como o senhor disse, é uma tecnologia que é uma evolução ao que existe hoje na família Airbus. Lá também se usa o side stick, o manche como se fosse um joystick, mas não há realimentação de força. Como o 390 vai ser uma geração acima em que piloto e copiloto sentem exatamente o que o outro está fazendo. Não vai haver nenhum conflito de comando porque há realimentação o tempo inteiro de um comando para o outro. Essas características todas vão fazer do KC-390 um avião que todo o piloto vai querer pilotar com toda a certeza.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Brigadeiros Crepaldi e Egito e coronel Carneiro, Vianney, nós tivemos um problema na nossa transmissão, estamos nos aproximando do final, e gostaria dos senhores, alguma palavra. Especialmente me causou muita impressão vendo, ai no caso o brigadeiro Crepaldi e o coronel Carneiro e a equipe da COPAC, amanhã nós teremos o pessoal da Embraer,  falando sobre a estrutura do KC-390. A aeronave, realmente, pelas fotografias que estamos recebendo é algo impressionante. Qual o ponto relevante que os senhores consideram desse projeto para passar para os nossos internautas?
 
Brigadeiro Egito (COMDABRA): O ponto que eu acho relevante é mostrar para a sociedade brasileira que a Força Aérea Brasileira, o comando da aeronáutica, está planejando com olhos integralmente voltados para o futuro. Eu era brigadeiro da terceira sub-chefia quando nós estabelecemos requisitos operacionais preliminares do KC-390 e foi calcado na estratégia nacional de defesa. Um planejamento estratégico de longo prazo do comando da aeronáutica, focado no planejamento estratégico do ministério da defesa. O que eu vejo é que nós continuamos perseguindo esses objetivos estratégicos como o KC-390. A sociedade brasileira pode estar ciente que nós estamos trabalhando para o futuro de nosso país, para o futuro da defesa na nossa nação. Obrigado.
 
Brigadeiro Crepaldi: A minha palavra final é muito na linha do brigadeiro Egito. Eu acho que o que demostra ai é a visão estratégica da Força Aérea Brasileira no que se refere a defesa e a consciência de que sem uma indústria forte não podemos ser autônomos se tratando de defesa. Isso demostra o compromisso da FAB com a estratégia nacional de defesa e principalmente em demostrar transparência no trato da coisa pública.
 
Coronel Carneiro: Sem dúvida em tenho que ir na mesma linha do brigadeiro Egito e do brigadeiro Crepaldi. É a nossa satisfação de ver a Força Aérea continuar a tradição de fortalecer a indústria aeroespacial brasileira pensando no futuro do Brasil. Eu gostaria de deixar uma mensagem que é relativa às pessoas. Nós vamos ser um país forte se tivermos pessoas capacitadas. Eu gosto de terminar minhas apresentações mostrando uma foto de todos aqueles engenheiros motivados lá na Embraer trabalhando num projeto desafiador. Da mesma forma que nós, homens e mulheres da Força Aérea, que fizemos essa parceria com a indústria e estivemos lá participando do desenvolvimento de todas as fases desde 2009. Essas pessoas, as daqui da Força Aérea e as de lá da Embraer, brasileiros envolvidos com a alta tecnologia, e que vão ajudar a transformar esse país.
 
Vianney Jr. – DefesaNet: Para finalizarmos, eu queria consignar nosso agradecimento e dizer da nossa satisfação de ver profissionais tão devotados e capacitados à frente de projetos tão importantes. Gostaríamos muito, faço agora, botando o dedo na ferida, que os nossos governantes possam se inspirar no espírito de comprometimento desses profissionais. Desejo que esses projetos saiam do papel e possam brindar a nossa sociedade como uma sociedade que avança, que possam gerar empregos mais capacitados mais qualificados, que possamos ter uma indústria mais forte. Que possamos nós, todos brasileiros, entendermos que a importância da indústria de defesa é um grande vetor de tecnologia, de conhecimento, de mudanças sociais para todos os brasileiros. Deixo esse alerta para que cobremos dos nossos legisladores, dos nossos executivos. E as palavras quando recentemente se ouviu que indústria de defesa é um assunto estratégico de comprometimento do país, de política de estado. Desejo que isso se passe na prática e que isso esteja na consciência de todo o brasileiro. Muito obrigado.
 
Nelson Düring – DefesaNet: Agradeço muito aos senhores, especialmente aos nossos internautas que ficaram conosco mesmo com esses problemas técnicos, ao Roberto que não se conectou posteriormente, por problemas técnicos também, e desejo sucesso aos senhores, sucesso ao KC que é uma questão de honra para a indústria nacional e um desafio enorme. As pessoas quando começarem a ver o avião vão se encantar pelo seu tamanho, pelo seu desafio, pela sua visão tecnológica. Ao brigadeiro Crepaldi, ao coronel Carneiro nossos cumprimentos e também uma palavra final ao brigadeiro Egito que tem um desafio já imediato agora. Desejo-lhe sucesso e que nada de anormal aconteça.
 
Brigadeiro Egito: Já que o senhor tocou no assunto do papel do CONDABRA, eu só queria dizer que o time está pronto, mas com certeza nós queremos ficar na reserva esperando e vendo tudo acontecer e não ter que entrar em campo. Deixe que a seleção brasileira desempenhe esse papel. Obrigado.



Outras coberturas especiais


Nuclear

Nuclear

Última atualização 20 SET, 16:30

MAIS LIDAS

KC-390