No Brasil, navios da Marinha têm capacidade para pronto emprego desse tipo de artefato em defesa do litoral
Por Capitão-Tenente (RM2-T) Daniela Meireles
A suspeita de lançamento de minas navais pelo Irã no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo, acendeu alertas sobre a segurança marítima na região. O episódio expõe a relevância estratégica desse tipo de armamento, de baixo custo e alto impacto, no planejamento de defesa de países que buscam proteger suas rotas comerciais e exercer poder de dissuasão em cenários de tensão internacional.
No Brasil, a Marinha mantém capacidade de minagem em todos os Distritos Navais, com uma série de navios aptos ao emprego desse tipo de artefato explosivo. As minas navais podem ser posicionadas em pontos específicos do litoral nacional, contribuindo para restringir o acesso a áreas estratégicas, que abrigam infraestruturas críticas, como complexos portuários, refinarias e bases militares.
Segundo o Comandante da Força de Minagem e Varredura, Capitão de Fragata Rodrigo Bouças, apesar de não possuírem a mesma notoriedade de outros armamentos, esses explosivos conseguem efeitos significativos sobre os inimigos.
“As minas navais não precisam afundar navios para ter sucesso. Elas funcionam criando incerteza, restringindo o movimento e impondo custos elevados a forças navais muito superiores”, explica.
Ele esclarece que a MB dispõe de capacidade de minagem defensiva dimensionada para a defesa e proteção de infraestruturas críticas nacionais, orientada por doutrina própria e aprimorada por treinamento contextualizado. O Comandante também explica que as minas navais podem ser classificadas por dois tipos, conforme método de atuação:

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Minagem e contramedidas de minagem
A capacidade de defesa e proteção dessas infraestruturas críticas não se limita ao emprego de minas navais, mas inclui as contramedidas de minagem, a fim de remover as minas lançadas por inimigos. O Comando da Força de Minagem e Varredura, sediado em Salvador (BA), conta atualmente com quatro navios: três Navios-Varredores Classe “Aratu” e o Navio Caça-Minas “Amorim do Valle”, recentemente incorporado.
Os Navios-Varredores são embarcações construídas em madeira e metais especiais, que reduzem sua assinatura magnética e acústica, evitando, assim, detonação acidental das minas. Como o próprio nome sugere, eles realizam a “varredura” rebocando equipamentos que provocam a detonação dos artefatos explosivos.
Já o Navio Caça-Minas (NCM) utiliza sensores acústicos modernos, como sonar e ecobatímetro embarcados em sistemas não tripulados, para detectar, identificar e, em seguida, destruir as ameaças por meio de mergulhadores especializados ou veículos remotamente controlados.
“As contramedidas de minagem são operações extremamente técnicas, perigosas e desgastantes. O emprego de sistemas não tripulados reduz a necessidade de exposição direta de militares a áreas minadas, aumentando a segurança das tripulações e a eficiência das operações”, avalia o Capitão de Fragata Bouças.
O domínio sobre operações de minagem e contramedidas continua vinculado à proteção de áreas sensíveis e à dissuasão, como a situação no Estreito de Ormuz vem evidenciando. A recente incorporação do NCM “Amorim do Valle” ao Comando da Força de Minagem e Varredura sinaliza que o Brasil está atento ao que acontece no cenário internacional.


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Modernização
Em continuidade a esse esforço de modernização, a MB já prepara a segunda edição da ARAMUSS (Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation), marcada para o período de 9 a 13 de novembro deste ano, na Base Naval de Aratu, em Salvador (BA).
O evento reunirá mais uma vez academia, indústria e defesa em torno das tecnologias não tripuladas, com novas demonstrações práticas de veículos autônomos e remotamente operados aplicados às contramedidas de minagem.


Fonte: Agência Marinha de Notícias
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