Marinha do Brasil lança o Navio-Patrulha “Mangaratiba” e inicia fase de testes

Evento reforça a retomada do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro na construção naval brasileira

Por Segundo-Tenente (RM2-T) Ribeiro

O Navio-Patrulha “Mangaratiba” (P73) foi oficialmente batizado e incorporado à Marinha do Brasil (MB) durante a cerimônia de lançamento ao mar realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), nesta segunda-feira (27). O evento simboliza não apenas o batismo da embarcação, mas também a retomada do AMRJ como importante vetor da construção naval no País, contribuindo para o fortalecimento da indústria marítima e da capacidade de defesa das águas jurisdicionais brasileiras e da Amazônia Azul.

O Ministro da Defesa destacou a relevância da indústria naval para o fortalecimento da capacidade militar e o desenvolvimento do País:

A indústria naval, e em particular a EMGEPRON, coloca o Brasil em um seleto grupo de países produtores de modernos e capazes veículos navais. Temos como exemplo as Fragatas ‘Tamandaré’ e ‘Jerônimo de Albuquerque’, os Submarinos ‘Riachuelo’, ‘Humaitá’, ‘Toneleiro’ e ‘Almirante Karam’, o Navio Polar ‘Almirante Saldanha’ e, em breve, o lançamento da Fragata ‘Cunha Moreira’. O grande desafio tecnológico a ser superado será o nosso Submarino Nuclear ‘Álvaro Alberto’. Tenho muita confiança no sucesso desse projeto e nos benefícios ao Brasil. Essas entregas não apenas fortalecem a Marinha e a defesa, mas refletem ganhos reais e significativos para a economia do Brasil.” 

O Ministro destacou ainda que, nos últimos três anos, o Brasil vem ampliando as exportações de produtos de defesa, estabelecendo recordes consecutivos, com um importante volume de vendas.

O “Mangaratiba” é o quarto navio da Classe “Macaé” incorporado à MB nos últimos anos. Sua construção foi iniciada em estaleiro civil e concluída no AMRJ, onde foram realizados a finalização estrutural, a instalação dos sistemas de propulsão, elétricos, de navegação, de comunicação e de armamento. O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), no âmbito do Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (PRONAPA), voltado ao fortalecimento das capacidades operacionais da Força.

Para o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, os impactos estratégicos e econômicos do programa são consideráveis. 

O PRONAPA delineia efeitos socieconômicos relevantes, a geração de empregos diretos e indiretos com potencial incremento cientifico e tecnológico da Base Industrial de Defesa. O novo meio integrará o Comando do 4º Distrito Naval, cuja jurisdição agrega a foz do Rio Amazonas, e a Margem Equatorial, nova fronteira dotada de peculiar potencial geológico e energético, espaço de inequívoca relevância, intensificando desafios à soberania, demandando presença efetiva e vigilância permanente do Estado Brasileiro.”

Após a cerimônia, o navio seguirá para as próximas etapas, que incluem as provas de cais, as provas de mar e a mostra de armamento, esta última responsável por marcar sua transferência para o setor operativo. A incorporação está prevista para o segundo semestre deste ano.

A importância dos navios-patrulha da Classe “Macaé”

Os navios-patrulha da Classe “Macaé” são empregados em missões de patrulhamento marítimo e fluvial, destacando-se pela versatilidade e capacidade de operação tanto no mar quanto em águas interiores. Com autonomia de aproximadamente 2.500 milhas náuticas (cerca de 4.000 quilômetros) e capacidade para uma tripulação de 51 militares, essas embarcações são utilizadas em ações de inspeção naval, busca e salvamento, apoio a populações em áreas isoladas e proteção de instalações estratégicas, como plataformas de petróleo e gás.

Além do “Mangaratiba”, encontra-se em construção no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro o Navio-Patrulha “Miramar” (P74), quinto da Classe “Macaé”, com previsão de lançamento ao mar até 2028.

O projeto utilizará como referência a experiência adquirida com o “Mangaratiba”, com a possibilidade de aperfeiçoamentos pontuais, tornando o processo construtivo mais eficiente e consolidando a capacidade do AMRJ na produção de navios desse porte.

Transformações estruturais ao longo da história do AMRJ

A trajetória do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro é marcada por sucessivas transformações ao longo da história naval brasileira. Após a Independência, em 1822, a organização passou a ser denominada Arsenal de Marinha da Corte, designação que se manteve até a Proclamação da República, quando adotou o nome atual.

Com o aumento das demandas da Força Naval, a infraestrutura foi ampliada a partir de 1840, com a construção de novas instalações na Ilha das Cobras, incluindo o primeiro dique seco.

A consolidação das atividades na ilha ocorreu em 1938, quando a estrutura ali existente superou a do continente, dando origem ao Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras. Durante um período, as duas unidades operaram simultaneamente, até que, em 1948, apenas o estaleiro da ilha permaneceu em funcionamento, consolidando a denominação de Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, mantida até os dias atuais.

Ao longo de sua trajetória, o AMRJ consolidou-se como um polo de inovação e tecnologia naval no País. Desde a construção da Nau “São Sebastião”, em 1763, o estaleiro foi responsável por marcos importantes, como a Corveta “Campista” (1824), o Cruzador “Tamandaré” (1884) e o Monitor Fluvial “Parnaíba” (1936), este último em plena atividade até hoje. Já nas décadas seguintes, destacou-se na produção de Navios-Patrulha Costeiros, Navios de Assistência Hospitalar e Corvetas da Classe Inhaúma, consolidando a capacidade nacional de projetar e construir meios complexos.


Fonte: Agência Marinha de Notícias

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