30 de Julho, 2013 - 21:07 ( Brasília )

Inteligência

Guerra nas Sombras - Entrevista com o autor

Entrevista exclusiva a DefesaNet com o autor ANDRÉ LUÍS WOLOSZYN sobre o livro “Guerras nas Sombras, os bastidores dos serviços secretos internacionais”.



Entrevista exclusiva a DefesaNet com o autor ANDRÉ LUÍS WOLOSZYN sobre o livro “Guerras nas Sombras, os bastidores dos serviços secretos internacionais”, lançamento da Editora Contexto, 160 páginas,  2013, já disponível nas livrarias em todo o país.
                                     
DN: Como surgiu a ideia de escrever o livro.

ALW: Surgiu em face da polêmica iniciada com o vazamento de 90 mil documentos confidenciais dos EUA para o site Wikileaks em 2010 pelo militar norte americano Bradley Manning que, à época, mostrou claramente como atuam os serviços secretos, o que é ratificado pelos recentes casos de espionagem online realizados pela Agência de Segurança Nacional (NSA), revelados por Edward Snowden. Procuro mostrar ao leitor como funcionou alguns dos serviços de inteligência ao longo da história e como funcionam hoje, em um momento extremamente delicado em que o cidadão, indistintamente, é atingido direta ou indiretamente  por atos de espionagem. 
 
DN: De que trata a obra

ALW: De um conflito silencioso e permanente, com potencial de crise, patrocinado pelas nações desenvolvidas por meio de seus órgãos de inteligência como instrumento mantenedor de poder e influência, especialmente no campo econômico e industrial. E isto ocorre pela espionagem on line e pela manipulação de dados e informações sigilosas ou privadas, assuntos sobre os quais  não percebemos, mas com certeza, estão presentes em nosso cotidiano.
 
DN: Quais os assuntos abordados

ALW: Apresento a evolução da utilização da atividade de inteligência nas guerras e conflitos armados em diferentes períodos históricos.

Abordo, também, a participação de alguns serviços secretos, hoje conhecidos  como agências de inteligência, nas grandes decisões estratégicas e na formulação de políticas governamentais, as diversas crises por que  passaram e as transformações que sofreram para adaptar-se às novas demandas como o terrorismo internacional, narcotráfico e ciberataques.

Há um capítulo sobre os segredos e mentiras de Estado, que são registradas em documentos secretos, considerados segredos de Estado, que descrevem diversas situações, fatos e decisões nada convencionais, demonstrando as verdadeiras intenções de muitos estadistas por trás dos apertos de mão e  assinaturas de protocolos e intenções que sabe-se de ante mão, não serão cumpridos.

Entro na questão dos atores não estatais e sua influência no mundo globalizado por meio da interconectividade global, especialmente a atuação dos grupos de pirataria digital que tem como característica principal possuírem os mesmos recursos tecnológicos e conhecimentos técnicos  que as nações desenvolvidas, o que na minha opinião, tem potencial para se tornar uma grande ameaça à paz e à estabilidade mundial.

Com relação a novas ameaças, abordo questões sobre os ciberataques,  ciberterrorismo, cibercrime e a ciberguerra, uma tendência para os próximos conflitos regionais e mundiais que, aliadas às novas tecnologias, estão transformando nossa percepção sobre aspectos da guerra convencional e sobre conceitos de defesa e segurança.
 
DN: Quais os possíveis desdobramentos dos recentes casos de espionagem revelados por Snowden? Uma legislação internacional resolveria parte do problema?

ALW: Nenhum. Lamentavelmenteestes episódios continuarão sendo uma prática sistemática, pois informação é poder e num mundo altamente competitivo, para manter hegemonia, nenhum país abrirá mão deste recurso, mesmo que seja elaborada uma legislação internacional que discipline o uso da web. É o mesmo caso do desenvolvimento de armas de destruição em massa (ADM) onde existem protocolos e resoluções no âmbito da ONU que proíbem tal atividade, porém não são observadas pela maioria dos países.
 
DN: Como podemos nos defender da ciberespionagem.

ALW: Não há 100% de segurança quando nos referimos ao ciberespaço e nunca haverá.   Mas podemos minimizar os efeitos da espionagem on line  na medida que controlarmos o que escrevemos e dizemos na web. E, para isto, será necessário uma mudança comportamental dos internautas.  Atualmente esta é a única maneira de defesa.