06 de Agosto, 2013 - 10:39 ( Brasília )

Geopolítica

Mercosul se articula contra espionagem

Bloco quer levar vigilância dos EUA à Assembleia da ONU

Isabel De Luca - Correspondente  - Nova York 
 
Os ministros das Relações Exteriores dos países que compõem o Mercosul pretendem se articular globalmente para levar o tema da vigilância praticada por agências de Inteligência americanas no mundo à pauta da Assembleia Geral da ONU, em setembro. Ontem, os chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela estiveram em Nova York com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para manifestar repúdio à espionagem dos Estados Unidos na América Latina, como acordado na última reunião de chefes de Estado do bloco em Montevidéu, em julho. Segundo os ministros que participaram do encontro, Ban manifestou solidariedade e expressou que compartilha da mesma preocupação. 
 
- As modalidades específicas de apresentação das nossas preocupações perante a Assembleia Geral ainda estão sendo coordenadas entre os países do Mercosul. Existem diferentes situações e modalidades de apresentações e iniciativas que ainda vão ser discutidas - disse o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em entrevista coletiva após a reunião na ONU. - Trata-se de um fenômeno que desperta preocupação geral. 
 
O bloco distribuiu um documento no qual se propõe a expressar solidariedade a todos os países que tenham sido vítimas de ações de vigilância por parte dos EUA, além de instruir as delegações dos países que vão participar da Assembleia Geral a apresentar uma proposta formal e solicitar mecanismos de prevenção e sanção em âmbito multilateral. 
 
Patriota ressaltou que o bloco ainda não detalhou se e como seriam aplicadas tais sanções: 
 
- Sanções fazem parte do texto que foi distribuído hoje. Não foi especificado nada ainda, terá que ser discutido no âmbito multilateral. 
 
O ministro brasileiro classificou a ação do Mercosul na ONU como um aviso: 
 
- Fizemos um alerta sobre as graves implicações de práticas que são atentatórias à soberania dos Estados e também violam direitos humanos, direitos à privacidade, o direito à informação, conformea própria alta comissária para direitos humanos das Nações Unidas já reconheceu. Foi bem recebida a nossa gestão pelo secretário-geral. 
 
A espionagem eletrônica americana na América Latina foi denunciada numa série de reportagens do GLOBO no início de julho. 
 
Voo de morales na pauta 
 
Os chanceleres também levaram a Ban Ki-moon o incidente com o presidente da Bolívia, Evo Morales, que no início de julho, voltando de uma viagem à Rússia, foi obrigado a fazer um pouso não previsto na Áustria, após França, Espanha, Portugal e Itália terem proibido o avião de sobrevoar seus espaços aéreos, pela suspeita de que o ex-analista da CIA Edward Snowden estaria nele. 
 
- Foi uma atitude sem precedentes que requer séria adesão da comunidade internacional - disse Patriota. 
 
Hoje, os ministros - além de Patriota, Héctor Timerman, da Argentina; Elías Jaua, da Venezuela; e Luis Almagro, do Uruguai - participam de um debate sobre "Cooperação entre a ONU e organizações regionais e subregionais para a manutenção da paz" no Conselho de Segurança da ONU, que este mês é presidido pela Argentina. A presidente Cristina Kirchner estará presente.