28 de Abril, 2015 - 10:10 ( Brasília )

Defesa

Transferência de tecnologia é fator fundamental no fechamento de negócios com o Brasil, diz ministro da Defesa


Nota DefesaNet

Informamos que foi ADIADA a Reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, prevista para realizar-se dia 30 de abril de 2015, com a presença do Ministro de Estado da Defesa, Jaques Wagner.
Oportunamente será marcada nova data.
 
Atenciosamente,

Secretaria da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional - CRE
Senado Federal

 

Nota Defesanet

Texto em Inglês

Brazilian Minister of Defense Says Technology Transfer is Crucial in Closing Deals with Brazil Link

O Editor



Marcos Ommati



Aproximadamente 38.000 homens irão garantir a segurança durante as Olimpíadas do Rio em 2016. A informação foi dada pelo Ministério da Defesa do Brasil em março passado. O objetivo principal é a prevenção, de acordo com o comunicado. Ainda segundo o Ministério, o país deve gastar cerca de 200 milhões de dólares apenas na área de segurança dos Jogos entre 2014 e o final das Olimpíadas.

Para falar deste e outros temas, Diálogo conversou com o ministro da Defesa do Brasil, Jaques Wagner, durante a LAAD 2015 Defence & Security – Feira Internacional de Defesa e Segurança –, maior e mais importante feira dos setores de Defesa e Segurança da América Latina e que reuniu mais de 700 expositores de 71 países em três pavilhões do Riocentro, no Rio de Janeiro, entre os dias 14 e 17 de abril.

Diálogo: Qual a importância da LAAD para a segurança nacional?

Ministro Wagner: Eu diria que esta feira é importante para a indústria de defesa e de segurança nacional. Essa é uma indústria que cresce no mundo inteiro, em que o Brasil já tem empresas que vêm se adensando. Eu citaria como exemplo a Embraer e a fabricação do avião KC-390, que já está às portas de ser comercializado. É uma indústria que nós vimos desenvolvendo.

Essa indústria traz tecnologia, traz qualificação. Isso é parte do interesse do nosso programa de desenvolvimento nacional e, portanto, ela é importante porque mostra o potencial brasileiro, constrói parcerias, e eu diria que traz inovação e tecnologia, o que vai acabar servindo para a indústria nacional como um todo.

Diálogo: O Brasil vai investir pesado para garantir a segurança dos Jogos do Rio 2016. O senhor pode adiantar algum investimento nesta área?

Ministro Wagner: Posso dizer que o Brasil vai comprar materiais e equipamentos, especialmente para a prevenção de ataques terroristas, cibernéticos, químicos, biológicos, nucleares e para evitar incidentes radioativos.

Diálogo: Como o senhor vê o uso das Forças Armadas no combate ao narcotráfico?

Ministro Wagner: A missão do combate ao tráfico é diretamente vinculada ao Ministério da Justiça, mas a guarda de fronteiras é diretamente vinculada ao Ministério da Defesa e o SISFRON [ Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras ], que é o serviço que está a cargo do Exército brasileiro, mas que na verdade é uma operação conjunta das três Forças.

Particularmente nessa área de controle das fronteiras você tem uma interface, tanto na questão aérea quanto na questão fluvial, no caso das nossas fronteiras internas com os países da América do Sul. Com relação à troca de informações, temos avançado, e é óbvio que tem uma interface também com o Ministério da Justiça, porque nós estamos enfrentando uma guerra surda, que é a questão do tráfico de drogas e do tráfico de armas.

Diálogo: Vai haver algum investimento em novas tecnologias para o combate ao crime organizado transnacional?

Ministro Wagner: Sim. Está previsto um investimento muito grande no SISFRON que, como já mencionei, é uma tecnologia de controle de fronteiras e que está em processo de implantação.

Diálogo: Alguma tecnologia ou algum equipamento apresentados na LAAD 2015 está sendo considerado para ser usado com este fim?

Ministro Wagner: Só para esclarecer: essa feira fala de defesa e de segurança. Eu não seria a pessoa mais especializada para falar estritamente de segurança, mas toda a parte de guarda de fronteiras, do SISFRON, de toda a questão de veículos não tripulados, sim, claro que há a possibilidade de se usar o que está sendo apresentado na LAAD. São várias tecnologias. Hoje, quando você cuida do seu espaço aéreo, cuida também de um avião que está viajando sem ter se cadastrado perante o nosso sistema de controle.

Quando você controla uma fronteira, do ponto de vista terrestre, ou do ponto de vista fluvial, se você tem uma embarcação que está trafegando sem estar licenciada pela Capitania dos Portos, tudo isso pode servir para você detectar e surpreender um processo de tráfico. Não dá para a gente se abstrair da questão do tráfico de drogas. Quando você cuida do espaço aéreo, da sua fronteira terrestre, da sua fronteira marítima e fluvial, evidentemente você está criando obstáculos para o tráfico de armas e drogas.

Diálogo: O senhor falou no seu discurso de abertura da LAAD que a transferência de tecnologia é fundamental para fechar acordos com as Forças Armadas brasileiras. O avião Gripen foi escolhido em detrimento ao F-18 americano por isso, ou seja, porque os suecos estão dispostos a transferir tecnologia? A não transferência de tecnologia impede automaticamente um país de fechar negócio com as Forças Armadas do Brasil?

Ministro Wagner: A palavra “impede” é absoluta e não gosto de usá-la, mas evidentemente nas variáveis que nós usamos para analisar e para proclamar esse ou aquele vencedor, seja em que área for, a variável transferência de tecnologia é das que têm maior peso. Porque a nós não interessa comprar um pacote fechado.

Eu prefiro não citar países que podem ter oferecido equipamentos que, aparentemente, poderiam parecer mais vantajosos, mas na medida em que ele era uma caixa de chumbo, um pacote, sem a abertura do código fonte, sem a abertura e transferência de tecnologia, para nós isso, sinceramente, não queremos. Nós temos uma democracia de 200 milhões de habitantes, temos uma base industrial já bastante sedimentada e queremos ter voos mais altos do que sermos meros compradores. Então, a variável transferência de tecnologia , eu diria que é uma variável de ponderação altíssima no fechamento de qualquer negócio brasileiro.

Diálogo: E foi o que pesou para a escolha dos Gripen?

Ministro Wagner: No caso dos Gripen, foi. Isso foi fundamental, como no caso do Prosub, do nosso submarino nuclear. Evidentemente nós sempre temos uma contraparte, que é uma empresa brasileira, porque não é o governo que vai absorver essa tecnologia, porque nos interessa que essa inteligência fique plantada no país. Então, no caso dos Gripen, nós vamos enviar para a Suécia de 250 a 280 engenheiros para fazer este processo de transferência.

Diálogo: E com relação ao PROSUB?

Ministro Wagner: Com relação ao PROSUB, a tecnologia que está sendo transferida é uma tecnologia da construção do submarino. A propulsão, essa é mérito nacional, é mérito de várias gerações na Marinha do Brasil que, há mais de 30 anos, acreditou que era fundamental termos esse controle do enriquecimento do urânio, e a propulsão será nossa. Estamos fazendo uma parceria, inclusive, com os argentinos, onde nós já estaremos transbordando esse conhecimento para a produção de fármacos no tratamento de várias doenças, então, por isso é que eu digo que a tecnologia que você traz, ela explode para outros segmentos. E é isso o que nos interessa.

Diálogo: Recentemente foram realizadas várias manifestações contra o governo federal no país. O que o senhor acha desse tipo de manifestação?

Ministro Wagner: Sobre as manifestações, o governo, como não podia deixar de ser, continua recebendo com humildade e tranquilidade. Eu acho que isso é motivo de um orgulho íntimo dos brasileiros. Não são todos os países que têm a maturidade democrática de conviver com manifestações de rua, com investigação sobre corrupção, que tem atingido vários segmentos, e manter a sua institucionalidade na serenidade, funcionando.

Isso eu acho que é prova da consistência da instituição democrática brasileira. Ao governo cabe continuar buscando responder aos anseios da população, fazendo o ajuste que vai nos permitir crescer. O poder é conquistado pelo voto popular e é perdido pelo voto popular também.