COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Defesa

09 de Janeiro, 2015 - 10:30 ( Brasília )

AVIBRAS - Situação preocupa o setor de Defesa

A difícil situação do setor de defesa que teve grande adiamento nos pagamentos em 2014 traz o foco crítico da AVIBRAS

 


 

Nota DefesaNet

A Redação de DefesaNet recebeu a nota da empresa AVIBRAS Aeroespacial contestando termos da matéia abaixo.

AVIBRAS - Nota de Esclarecimento Link

O editor

 



Júlio Ottoboni
Correspondente DefesaNet


A AVIBRAS Indústria Aeroespacial, localizada em Jacareí (SP), uma das pioneiras do setor de aeroespacial e de defesa no Brasil, nascida nos primeiros anos da década de 60 parece que chegou a seu limite. Mais um passo no escuro e poderá encerrar suas atividades, mesmo com contratos assinados.

Depois se sofrer calotes sucessivos de seus clientes ( ver a matéria Brasil e Iraque negociam dívida Link), principalmente do Brasil, e apostar em projetos que foram abandonados e fadados ao fracasso, o corte orçamentário anunciado nesta semana pelo governo federal no Ministério da Defesa caiu como uma bomba. A pasta já tem faltado no cumprimento do cronograma de pagamentos dos projetos contratados e isso está levando a empresa mais uma vez a beira da falência.

Completamente paralisada por falta do pagamento de salários e endividada pela construção da nova fábrica para o ASTROS 2020, a empresa está sem situação de desespero por mais uma vez confiar em projetos ligados ao governo federal e nas promessas da presidente Dilma Rousseff, avalizada pelo então ministro Celso Amorim.

A AVIBRAS prorrogou por mais uma semana a licença remunerada de todos os trabalhadores da fábrica, em Jacareí, e voltou a atrasar os salários. Nesta última quinta-feira (08), houve uma assembleia com os trabalhadores e representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

Os funcionários da AVIBRAS estão em licença desde o dia 17 de dezembro e deveriam ter retornado na segunda-feira, dia 5, ao trabalho. Entretanto, eles foram informados que só deverão voltar à fábrica dia 12. Mesmo assim com um clima de incerteza e previsões sombrias de demissões em massa.

Os salários de dezembro e a primeira parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) deveriam ter sido pagos também no dia 5 de janeiro, mas não há previsão de quando o depósito será feito. Sem os pagamentos previstos pelo governo, não existe maneira de saldar a dívida trabalhista e o sindicato trabalha para que haja uma intervenção na indústria.

A empresa já pediu abertura de negociação com os sindicalistas para adoção de lay-off (suspensão de contratos de trabalho) na fábrica. Segundo a entidade de classe, a situação não se deve a  falta de clientes. Embora tenha R$ 2,4 bilhões em carteira de pedidos, com contratos já assinados, a companhia não tem sem capital de giro por ter investido - incentivado pelo governo federal - numa nova unidade fabril e em novos projetos.

O Sindicato protocolou, na última terça-feira, dia 6, pedido de reunião com o ministro da Defesa, Jacques Wagner, para relatar a situação dos 1.500 funcionários da AVIBRAS e reivindicar que o governo federal tome providências em favor dos trabalhadores. Em dezembro, foi deflagrada uma greve contra os atrasos salariais, que se repetiram diversas vezes ao longo de 2014.

O discurso estatizante do sindicato retornou com força total. Segundo a entidade, por se tratar de uma empresa estratégica para o país, é preciso a estatização como única saída para a AVIBRAS, maior fabricante brasileira de equipamentos militares, com 54 anos de história, conseguir sobreviver. Entre seus clientes estão governos da Arábia Saudita, Indonésia, Catar e Malásia, além das Forças Armadas brasileiras.

“Já passou da hora do governo estatizar a empresa. A própria AVIBRAS admite que está em seu melhor momento, mas para os trabalhadores sobra apenas calote”, afirma o diretor do Sindicato Elias Osses.  

A situação da empresa é apenas uma entre várias que deixaram de receber do governo por cortes em programas de defesa e marginalizar projetos já contratados. A situação é tida pelos empresários do setor como gravíssima e tende a piorar com as necessidades de saneamento dos cofres públicos, quando a pasta da Defesa é uma das primeiras a ser afetada. Nos anos 90 a empresa entrou em concorda (atualmente chamada Recuperação Judicial), que só conseguiu levantar na década seguinte.

O mais importante projeto da empresa atualmente o sistema ASTROS 2020 e suas munições o Míssil de Cruzeiro AV-TM300 e a munição guiada SS-40 estão no PAC 2 e são considerados um Projeto Estratégico do Exército Brasileiro.

Nota DefesaNet

O Presidente da AVIBRAS Sami Hassuani, informou a DefesaNet, ainda em 2014, que uma ação importantíssima para a sobrevivência da empresa estava difícil de ser realizada. A obtenção das garantias de governo e em especial as garantias bancárias exigidas pelos clientes estrangeiros para fechar contratos.

Há expectativa de contratos de mais de U$ 2 Bilhões com a Arábia Saudita e Catar. Modernização dos sistemas ASTROS II, adquiridos nas décadas de 80 e 90, levando-os ao padrão ASTROS 2020 além de novas baterias de lançadores do sistema. Também a aquisição do Míssil de Cruzeiro AV-TM 300 e a munição guiada  SS40.

Porém a burocracia oficial e a ineficiência do Ministério da Defesa tem dificultado a obtenção do documento. Sempre criticado pelos militares, a exportação para a Malásia, fundamental para a empresa cruzar os anos 2000, foi garantida por uma carta pessoal do então presidente Fernando Henrique Cardoso, dando o aval do Governo Brasileiro.

A situação da AVIBRAS poderá gerar uma movimentação e realinhamento n a Base Industrial de Defesa (BID). Embora negado por André Amaro, presidente da Odebrecht Defesa e Tecnologia, há informes que as duas empresas iniciaram conversações ainda em 2014 (ver a matéria ODEBRECHT e AVIBRAS: a Fumaça e o Fogo Link).

Outra empresa que tem interesse na AVIBRAS é a europeia MBDA. A participação na AVIBRAS seria fundamental para a MBDA manter a presença no Brasil, pois teme que uma associação desta com a ODT a levaria para a órbita dos projetos russos como o Pantsir 2.

 
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