Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento do medo urbano e reforça o papel da hiperconectividade na ampliação da percepção de vulnerabilidade entre os brasileiros.
A nova pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta semana, reacende um debate que ultrapassa os índices oficiais de criminalidade: o crescimento da sensação de insegurança entre os brasileiros. O levantamento, realizado em 137 cidades do país com cerca de duas mil pessoas entrevistadas, mostra que o medo da violência se tornou um elemento cada vez mais presente no cotidiano da população e vem sendo impulsionado não apenas pela ocorrência dos crimes, mas também pela velocidade com que essas informações circulam nas redes sociais, aplicativos de mensagens e meios de comunicação.
Para o professor Gerson Luiz Buczenko, especialista em Segurança Pública e coordenador dos cursos da área no Centro Universitário Internacional Uninter, a pesquisa revela como a percepção da violência passou a influenciar diretamente o comportamento social, emocional e urbano da população brasileira.
O levantamento aponta crescimento da percepção de insegurança nas cidades, aumento do medo relacionado a roubos e furtos de celulares, fortalecimento da sensação de vulnerabilidade urbana, ampliação da preocupação com o crime organizado e maior cobrança por respostas rápidas do poder público.
“A pesquisa é um retrato importante da realidade brasileira contemporânea e nos obriga a refletir criticamente sobre a condição da segurança pública no país. Um dos aspectos mais relevantes do estudo é justamente o impacto da hiperconectividade na construção do medo coletivo. A velocidade com que vídeos, imagens e relatos de crimes circulam diariamente faz com que a violência permaneça constantemente presente na percepção das pessoas, mesmo quando elas não vivenciam diretamente determinadas situações”, afirma Buczenko.
Segundo o especialista, a dinâmica digital amplia permanentemente a percepção de risco ao transformar episódios isolados em experiências coletivas de exposição contínua à violência. Crimes como roubos de celulares, assaltos urbanos e ações do crime organizado passam a adquirir uma dimensão emocional ainda maior quando compartilhados instantaneamente e de forma repetitiva nas plataformas digitais.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a relação entre a percepção de insegurança e a expectativa da população por respostas mais rápidas e visíveis do Estado. Embora reconheça os esforços das forças de segurança e dos governos estaduais e federal, o professor avalia que existe uma necessidade crescente de comunicação mais eficiente das ações realizadas pelas instituições públicas.
“Na mesma velocidade em que chegam as notícias negativas, precisam chegar também as informações sobre resultados positivos. A população precisa perceber que o Estado está presente e atuando”, destaca.
Na avaliação do especialista, a divulgação de operações policiais, prisões, recuperação de bens roubados e ações de enfrentamento ao crime organizado possui atualmente um papel estratégico não apenas operacional, mas também psicológico e institucional, contribuindo para a reconstrução da confiança pública.
Em um ambiente marcado pela hiperconectividade, a segurança pública deixou de ser percebida apenas a partir dos indicadores criminais e passou também a depender da capacidade do Estado de disputar a percepção coletiva de segurança. Na era digital, o enfrentamento à violência ocorre simultaneamente nas ruas e no fluxo contínuo de informações que molda o sentimento social.




















