01 de Dezembro, 2016 - 09:00 ( Brasília )

Aviação

Avião da Lamia não respeitou plano de voo


O avião da Lamia, que caiu na Colômbia na madrugada de terça-feria e deixou 71 mortos, entre eles grande parte da delegação da Chapecoense, não respeitou o plano de se reabastecer de combustível em Bogotá, informou nesta quarta-feira uma fonte da companhia.

"O avião deveria ter reabastecido em Bogotá", mas seguiu até Medellín, afirmou ao diário Página Siete Gustavo Vargas, representante da companhia aérea.

A principal hipótese para o acidente é uma falta de combustível do avião fretado que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas desde a cidade boliviana de Santa Cruz, onde haviam chegado após voo comercial oriundo de São Paulo.

"O piloto é quem toma a decisão de não pousar, porque pensou que tinha combustível suficiente", insistiu Vargas.

De acordo com o funcionário, "no plano de voo havia a opção da aeronave parar em Cobija (fronteira boliviana com o Brasil), mas logo se falou da opção de Bogotá para reabastecer".

Uma investigação está em andamento pelas autoridades colombianas, com a ajuda de técnico da Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia. "Temos que investigar o motivo do piloto ter decidido ir direto a Medellín", explicou Vargas.

A investigação se baseia a partir "de provas técnicas, documentais e de rigor" do avião acidentado, uma aeronave BA 146 que caiu na noite de segunda para terça-feira em uma remota zona a 3.300 metros de altura quando estava chegando ao destino, o aeroporto de Rionegro, nos arredores de Medellín.

Alfredo Bocanegra, diretor da Aeronáutica Civil da Colômbia, declarou que "não se compreende como o piloto não se declarou em emergência se estava sem combustível".

O avião caiu com 77 pessoas a bordo: 68 passageiros e nove tripulantes, dos quais sobreviveram seis: três jogadores, uma comissária de bordo, um técnico de voo e um jornalista, todos internados em hospitais perto de Rionegro.

Diretor da Lamia afirma que piloto tinha opção de reabastecer em Bogotá¹

O piloto do avião que transportava a delegação da Chapecoense e que caiu na Colômbia tinha a opção de reabastecer em Bogotá caso sofresse um déficit de combustível, afirmou nesta quarta-feira o diretor-geral da companhia aérea Lamia, Gustavo Vargas.

Em declarações à emissora boliviana "Unitel", Vargas afirmou que o piloto da aeronave, Miguel Quiroga, que também era um dos proprietários da companhia aérea, contava com pontos para reabastecimento estabelecidos no plano de voo.

"Temos alternativas, uma alternativa próxima era Bogotá e se ele (o piloto) constatasse que tinha uma deficiência de combustível, ele tinha todo o poder de pousar para reabastecer", disse o executivo.

Vargas indicou que, inicialmente, estava previsto que a aeronave reabastecesse em Cobija, no norte da Bolívia e perto da fronteira com o Brasil, mas que esse plano acabou sendo descartado por falta de tempo.

"Infelizmente não pudemos reabastecer em Cobija, que era o ponto inicial, porque, ao não termos conseguido o voo direto do Brasil, tivemos que contratar outro charter e isso nos atrasou, Cobija não trabalha durante a noite", afirmou Vargas.

O diretor da Lamia insistiu que Quiroga dispunha de um ponto alternativo autorizado, que era Bogotá, para pousar "caso precisasse reabastecer".

Em outras declarações publicadas pelo jornal "Página Siete", Vargas afirmou que o piloto "tomou a decisão de não pousar (em Bogotá) porque pensou que tinha combustível suficiente. Trata-se de um piloto com muita experiência que fez seu treinamento na Suíça".

"Temos que investigar por que (o piloto) tomou a determinação de ir diretamente a Medellín", ressaltou Vargas, segundo a publicação.

A empresa aguarda os resultados da investigação do órgão de aviação civil da Colômbia, a Aerocivil.

O acidente aéreo, ocorrido na Colômbia, causou a morte de 71 pessoas, entre elas jogadores da Chapecoense, dirigentes, convidados e jornalistas, e deixou outras seis feridas.

O elenco da Chapecoense aterrissou na noite de segunda-feira na cidade de Santa Cruz de la Sierra em uma aeronave da companhia estatal Bolívia de Aviação (BOA) para depois embarcar no avião da Lamia, uma empresa dedicada a fazer voos charter para clubes e seleções de futebol.

A Chapecoense viajava para Medellín, na Colômbia, para disputar o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, a primeira participação em uma decisão internacional da história do clube catarinense.

O avião, um Avro Regional RJ85, levava 77 pessoas a bordo e enviou um aviso de emergência na noite da segunda-feira por pane elétrica quando se aproximava do aeroporto de Medellín.

O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia informou hoje que está coordenando as ações necessárias para acompanhar o processo de repatriação dos 71 corpos dos mortos no acidente aéreo.

A companhia aérea boliviana, por sua vez, anunciou que vai disponibilizar um voo para transferir os familiares dos bolivianos falecidos e feridos, mas não determinou uma data concreta para a viagem.

Piloto era genro de opositor boliviano asilado no Brasil

O capitão Miguel Quiroga, que pilotava o avião que caiu na madrugada desta terça-feira na Colômbia, o que causou a morte de 75 pessoas, entre elas grande parte da delegação da Chapecoense, era genro do ex-senador boliviano Roger Pinto, opositor do presidente de seu país, Evo Morales, e que está asilado no Brasil desde 2013.

Quiroga era um ex-oficial da Força Aérea Boliviana (FAB) e era casado com uma das filhas do ex-senador, que em entrevista à Agência Efe se disse arrasado com a notícia.

"Sempre viveu conosco, era um rapaz brilhante, mais um filho, um amigo", disse Roger Pinto, com a voz embargada, ao falar sobre o marido de sua filha Daniela Pinto, com quem tinha um menino de 13 anos, uma menina de 9 e outra de três meses.

A família do ex-senador vive no Brasil desde que ele saiu da Bolívia em 2013, afirmando que era alvo de perseguição política de parte do presidente Evo Morales por ter denunciado supostos atos de corrupção em seu governo.

O político chegou ao Brasil em agosto de 2013 após ficar um ano e meio refugiado na embaixada brasileira em La Paz e o conseguiu com o apoio de membros dessa legação diplomática, que o ajudaram a cruzar a fronteira.

A operação para que o ex-senador cruzasse a fronteira sem a aprovação do governo boliviano custou o cargo do então chanceler brasileiro, Antonio Patriota.

¹com agência EFE

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