COBERTURA ESPECIAL - Tambores de Guerra - Geopolítica

15 de Abril, 2022 - 10:00 ( Brasília )

Rússia faz ameaças a Finlândia e Suécia caso países entrem na OTAN


A Rússia fez ameaças contra a Finlândia e contra a Suécia, caso os países decidam entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Nesta quinta (14), a OTAN completa 50 anos e, na última quarta (13), os dois países disseram que estão analisando uma possível entrada no grupo.

Nesta quinta-feira (14), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, vai tomar “uma série de medidas”, caso os dois países decisão integrar o grupo.

A tentativa da Ucrânia de entrar na OTAN foi a justificativa usada pelo governo russo para invadir o país em 24 de fevereiro. A guerra continua e foi uma das motivações para que Finlândia e Suécia cogitassem entrar no grupo.

Segundo a agência estatal russa, Alexander Grushko, número dois das Relações Exteriores do país, afirmou que Finlândia e Suécia vão enfrentar “as consequências mais indesejadas” se entrarem na OTAN.

As ameaças continuaram com o ex-presidente da Rússia Dmitry Medvedev, que também é vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. Medvedev declarou que “nenhuma pessoa sã” gostaria de ver as consequências, caso se confirme a entrada de Suécia e Finlândia na OTAN.

O ex-presidente declarou ainda que os suecos e finlandeses conheceriam as armas nucleares russas muito perto das casas onde vivem. “Se a Suécia e a Finlândia entrarem na OTAN, a extensão das fronteiras terrestres da aliança com a Rússia mais do que dobrará”, disse Medvedev por meio do Telegram. “Naturalmente, essas fronteiras terão que ser reforçadas.”

A Finlândia faz fronteira com a Rússia por 1,3 km. Segundo Sanna Marin, primeira-ministra do país, a decisão de entrar ou não na OTAN será tomada nas próximas semanas. Já a primeira-ministra da Suécia, Magdalena Andersson, pretende se encontrar com a oposição em maio para falar sobre a candidatura.


Rússia alerta para mobilização nuclear e hipersônica se Suécia e Finlândia aderirem à OTAN

Um dos aliados mais próximos do presidente russo, Vladimir Putin, alertou a OTAN, nesta quinta-feira, que, se a Suécia e a Finlândia aderirem à aliança militar liderada pelos Estados Unidos, a Rússia implantará armas nucleares e mísseis hipersônicos em um enclave no coração da Europa.

A Finlândia, que compartilha uma fronteira de 1.300 km com a Rússia, e a Suécia estão considerando ingressar na OTAN. A Finlândia decidirá nas próximas semanas, disse a primeira-ministra Sanna Marin na quarta-feira.

Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, disse que se Suécia e Finlândia aderirem à OTAN, a Rússia terá que impulsionar suas forças terrestres, navais e aéreas no Mar Báltico.

Medvedev também levantou explicitamente a ameaça nuclear ao dizer que não se pode mais falar de um Báltico "livre de armas nucleares" -- onde a Rússia tem seu enclave de Kaliningrado entre a Polônia e a Lituânia.

"Não se pode mais falar de nenhum status livre de armas nucleares para o Báltico -- o equilíbrio precisa ser restaurado", disse Medvedev, que foi presidente russo de 2008 a 2012.

Medvedev afirmou esperar que a Finlândia e a Suécia tenham bom senso. Caso contrário, disse ele, teriam que conviver com armas nucleares e mísseis hipersônicos perto de casa.

A Rússia tem o maior arsenal de ogivas nucleares do mundo e, junto com a China e os Estados Unidos, é um dos líderes globais em tecnologia de mísseis hipersônicos.

A Lituânia disse que as ameaças da Rússia não são novidade e que Moscou implantou armas nucleares em Kaliningrado muito antes da guerra na Ucrânia. A OTAN não respondeu imediatamente ao alerta da Rússia.

Ainda assim, a possível adesão da Finlândia e da Suécia à OTAN --fundada em 1949 para fornecer segurança ocidental contra a União Soviética-- seria uma das maiores consequências estratégicas da guerra na Ucrânia.

A Finlândia conquistou a independência da Rússia em 1917 e travou duas guerras contra ela durante a Segunda Guerra Mundial, durante a qual perdeu algum território. Nesta quinta-feira, a Finlândia anunciou um exercício militar na Finlândia Ocidental com a participação de Reino Unido, Estados Unidos, Letônia e Estônia.

A Suécia não luta uma guerra há 200 anos. A política externa tem se concentrado no apoio à democracia e ao desarmamento nuclear.

EUA não podem ignorar ameaça russa sobre uso de arma nuclear, diz chefe da CIA

A ameaça de a Rússia potencialmente usar armas nucleares táticas ou de baixo rendimento na Ucrânia não pode ser encarada sem seriedade, mas a CIA não viu muitas evidências práticas reforçando essa preocupação, disse o diretor da agência de inteligência, William Burns, nesta quinta-feira.

Os comentários públicos mais extensos de Burns desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro enfatizaram as preocupações de que o maior ataque contra um Estado europeu desde 1945 corre o risco de escalar para o uso de armas nucleares.

Mais cedo nesta quinta-feira, Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e aliado próximo do presidente russo, Vladimir Putin, alertou a OTAN que Moscou implantaria armas nucleares e mísseis hipersônicos em Kaliningrado, um enclave russo no coração da Europa, se a Suécia e a Finlândia aderirem à aliança atlântica.

Burns falou na Georgia Tech sobre o "potencial desespero" e os contratempos enfrentados por Putin, cujas forças sofreram pesadas perdas e foram forçadas a recuar de algumas partes do norte da Ucrânia depois de não conseguirem capturar Kiev.

Por essas razões, "nenhum de nós pode ignorar a ameaça representada por um potencial recurso a armas nucleares táticas ou armas nucleares de baixo rendimento", disse Burns.

Dito isso, apesar da “postura retórica” do Kremlin sobre colocar o maior arsenal nuclear do mundo em alerta máximo, “não vimos muitas evidências práticas do tipo de desdobramentos ou disposições militares que reforçariam essa preocupação”.

Armas nucleares táticas e de baixo rendimento referem-se àquelas projetadas para uso no campo de batalha, das quais alguns especialistas estimam que a Rússia tenha cerca de 2.000 que podem ser usadas por forças aéreas, navais e terrestres.


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