Pouca gente conhece esse episódio da história nuclear brasileira.
Leonam Guimarães
Pesquisador Nuclear
Entre 1999 e 2007, o Brasil devolveu aos EUA 160 elementos combustíveis irradiados contendo HEU (Highly Enriched Uranium) utilizados pelo reator de pesquisa IEA-R1 do IPEN, em São Paulo.
O IEA-R1 entrou em operação em 1957 no âmbito do programa “Atoms for Peace”, utilizando combustível enriquecido a cerca de 93% em U-235 fornecido pelos EUA. Décadas depois, o reator foi convertido para combustível LEU (<20%), alinhando-se aos programas internacionais de não proliferação nuclear.
A operação de repatriação envolveu logística extremamente complexa: caracterização radiológica, acondicionamento em recipientes blindados certificados internacionalmente, transporte terrestre sob escolta especializada, embarque marítimo — provavelmente pelo Porto de Santos — e envio ao Savannah River Site, nos EUA.
Tudo foi realizado sob rigorosos controles da CNEN, ABACC e AIEA.
Mais do que uma simples operação logística, esse processo demonstrou a elevada maturidade técnica, regulatória e institucional do sistema nuclear brasileiro, reforçando a credibilidade internacional do Brasil no uso pacífico da energia nuclear.
Importante destacar: o material devolvido era combustível importado de origem norte-americana e não tinha qualquer relação com o programa autóctone brasileiro de enriquecimento de urânio desenvolvido posteriormente pela Marinha do Brasil e pela INB.
Um capítulo pouco lembrado, mas extremamente relevante, da história nuclear brasileira.

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Reprodução permitida desde que citada a fonte Leonam Guimarães – Brasil.





















