Gen Pinto Silva – Relevância das Lideranças Brasileiras na Busca de Recursos para as Forças Armadas

                                                                                   

RELEVÂNCIA DE LIDERANÇAS BRASILEIRAS NA BUSCA DE RECURSOS PARA AS FORÇAS ARMADAS

Pinto Silva Carlos Alberto [1]

Segundo as últimas declarações, transcritas na imprensa, do Presidente da República, Comandante Supremo, e do Ministro da Defesa, existem dificuldades de recursos para o preparo e emprego das Forças Armadas como ferramentas à disposição do Poder Nacional.

Uma avaliação entregue ao presidente, pelos militares, indicou que o Brasil não dispõe de equipamentos suficientes de defesa antiaérea para exercer capacidade de dissuasão contra uma ofensiva estrangeira, especialmente de uma potência militar como os Estados Unidos.

Na verdade nada de novo e as notícias recentes comprovam o enfraquecimento do poder militar brasileiro, resultante de sistemáticas restrições orçamentárias impostas, particularmente ao longo das duas últimas décadas.

A conformação da forma bélica da era da informação obriga todos os governos a reconsiderar seu potencial militar conforme as ameaças que se apresentam, já que a resposta dependerá das próprias ações do governo e ele, necessariamente, deve reconhecer que para se obter uma vantagem militar, há de se obter e conservar uma vantagem econômica.

O grande entrave do Brasil é uma perigosa falta de clareza acerca dos interesses e objetivos a serem alcançados pelo país, a médio e longo prazo[2].

A responsabilidade perante a nação em relação à nossa capacidade de defesa e a evolução meteórica das situações no tabuleiro da política internacional conduz a um posicionamento proativo, de antecipação às ameaças, de soluções criativas e, sobretudo, exequíveis, com participação do governo, legisladores e da sociedade por meio de seus líderes.

A verdadeira novidade, na Guerra Moderna, é como combinar o emprego de forças militares da era da informação, com as ferramentas tipicamente de Estado, usando com maestria redes de computadores para sincronizar, integrar e controlar as ações, de modo que elas sejam complementares.

Repetimos que o enfraquecimento do poder militar representa um risco indesejável, que deve ser afastado no mais curto prazo possível. Nesse sentido, é necessário que os chefes militares continuem apresentando aos políticos e à sociedade uma correta estimativa das possibilidades estratégicas de suas Forças.

Se o provimento orçamentário continuar insuficiente, ao ponto de colocar em risco o cumprimento de suas missões constitucionais, os chefes militares deverão advertir o Governo quanto a essa incongruência ou, então, compartilhar a culpa pelo resultado desastroso.

O poder de dissuasão tem que ser capaz de manter o Brasil afastado de conflitos e de lhe atribuir possibilidade de intervir, com Soft Power (convencer) e Hard Power (coagir), em crises surgidas no seu entorno estratégico.

O País não pode prescindir da capacidade bélica dissuasória de suas Forças Armadas, inclusive com uma “Força de Pronta Resposta”,  com capacidade de “Projetar Poder” em sua “Área Estratégica de Interesse”, e “Força”  nas áreas de HE do território Nacional, sob pena de perder espaço no contexto político-estratégico nacional e regional.

Destaca-se a importância de vencer a disputa, também, antes e depois do conflito.

Sem os recursos orçamentários necessários não existe Estratégia de Defesa e nem sobrevive a Industria de Defesa.

Uma “prioridade às Forças Armadas” esbarra na realidade fiscal e na ausência de uma Política de Defesa com metas orçamentárias plurianuais blindadas de disputas políticas.

Há a necessidade de que o Brasil tenha um crescimento econômico sustentável de cinco por cento ao ano, e um aporte orçamentário às Forças Armadas de dois e meio por cento do PIB. Os R$ 30  bilhões de investimentos, fora do arcabouço fiscal, para os próximos 5 anos, aprovados em outubro de 2025, ajuda, mas sequer atenua a questão.

É essencial uma transformação contínua das Forças Armadas, considerando o equilíbrio entre as mudanças, e capacidade de resposta na salvaguarda dos interesses nacionais (Segurança e Defesa), em sintonia com as demais ferramentas a disposição do Poder Nacional.

Deve ser considerado que os conflitos  necessitam ter pequena duração, para evitar o alto custo da guerra tecnológica, e para que a NARRATIVA não seja deturpada e aceita no Tabuleiro da Política Internacional, podendo significar um desastre no nível estratégico, ainda que seja capaz de vencer no nível operacional e tático.

 As Forças Armadas usarão capacidades de 3ª,4ª e de 5ª “Gerações da Guerra”,  e de antiacesso (A2) e negação de área (AD), valendo-se de sofisticados meios aéreos (Também drones), navais, e de defesa antimísseis, apoiados por operações de informação, atividades cibernéticas e de guerra eletrônica, que desafiam a capacidade das forças oponentes de simplesmente chegar ao teatro de operações e muito menos abordar e operar fisicamente no campo de batalha., portanto devem ser da era da informação e com alta tecnologia,

Infelizmente, não poderemos contar com o necessário provimento orçamentário para a implementação da Estratégia Nacional de Defesa (END), se a consciência nacional, aqui incluídos os políticos, os meios de comunicação e a população, em relação ao assunto Defesa, continuar muito superficial e, com exceções, meramente incipiente.

O que acontece no Brasil, principalmente relativo à Defesa, não é um problema só de governo, oposição, parlamento ou judiciário, é um problema da SOCIEDADE, e no momento faltam pessoas capazes de orientá-la e guiá-la (pessoas pensantes – lideranças), e de propor ou contrapor ideias e ações ao governo, e a legisladores brasileiros.

Pode-se discutir à vontade quais são os homens e mulheres com capacidade de liderar, porém, não se discute que, sem eles conduzindo, sejam uns ou outros, as mudanças econômicas, políticas, sociais e militares, necessárias, não acontecerão.


[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa.

[2] https://www.defesanet.com.br/doutrina/noticia/21080/gen-pinto-silva-capacidades-das-forcas-armadas-e-as-atuais-ameacas/

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