Gen Pinto Silva – Ampliando o Espectro do Conflito, para Incluir Vários Elementos do Poder Nacional

                                                                                    Pinto Silva Carlos Alberto 1

AMPLIANDO O ESPECTRO DO CONFLITO, PARA INCLUIR VÁRIOS ELEMENTOS DO PODER NACIONAL
(Uma opinião)

1 – GENERALIDADES

Para que um assunto importante passe a ser urgente, basta que ele seja deixado para amanhã. Não deve ser permitido que a DEFESA DA NOSSA SOBERANIA passe a ser um assunto URGENTE.

Quase todos os países do mundo possuem um Exército e todos os povos se preocupam com sua defesa e, de alguma forma, o Poder Nacional, dispõe de ferramentas para usar quando necessário. A Expressão Militar contribui de forma complementar, já que o Poder Nacional é indivisível.

Deste modo, apreparação mental, física, profissional e psicológica para enfrentar um conflito armado, o qual nenhum militar deseja, mas não pode, também, descartar, tem de estar presente, sempre, nas mentes e nos corações dos nossos soldados, e dos órgãos políticos que os empregam.

2 – ESTRATÉGIA INDIRETA

“Aprendamos a sobreviver na paz e a salvar o que dela nos resta. Aprendamos a estratégia indireta.”

A opção pela estratégia indireta ocorre em função da inexistência de uma superioridade dos meios militares e/ou da falta de liberdade de ação para empregá-los e/ou da convicção que a solução para o conflito pode e deve ser obtida com ou sem o emprego da violência, porém, sem preponderância da Expressão do Poder Militar Nacional.

O método indireto usa qualquer uma das Expressões do Poder Nacional, para persuadir ou coagir o adversário a aceitar uma solução do conflito. A Expressão Militar contribui de forma complementar, já que o Poder Nacional é indivisível. O método indireto emprega basicamente a:

  • Persuasão – Meios Diplomáticos, Jurídicos e ações militares não cinéticas;
  • Coerção – Meios Políticos, Econômicos ou Psicossociais, e Militares.

    Ele apresenta muita semelhança com a Estratégia da Guerra da Era da Informação.

3 – GUERRA NA ERA DA INFORMAÇÃO

A ideia deimplodir um Estado via convulsão social, ainda antes da declaração de guerra, é uma prescrição importante da metodologia da “Guerra de Nova Geração”.

Outra consideração primordial é que o mundo agora está em um estado de luta permanente. Como resultado, as nações estão em constante estado de tensão umas com as outras. Não há inimigo declarado e sim Estados com ações hostis visando a defesa dos seus própios interesses.

A “Guerra de Nova Geração” fundamenta-se no juízo de que éinadequado enfrentar frontalmente a capacidade operacional dos inimigos no campo de batalha, de modo que é preciso afastar o foco do conflito do domínio da arte da guerra convencional, e isso pode ser feito ampliando o espectro do conflito, para incluir vários elementos do poder nacional.

Gerasimov (2) considera que (…) as rígidas regras da guerra mudaram …. (assim) o foco dos métodos de conflito se alterou em direção ao amplo emprego de medidas de caráter político, econômico, informacional, humanitário e outras tipicamente não-militares, aplicadas em coordenação com o potencial dos protestos da população alvo.

Não há distinção entre o que é e o que não é o campo de batalha . As ações podemser diversas. Ela pode empregar violência, ou pode ser não-violenta.

Conduzir operações em diferentes locais de atuação no mesmo período, ações simultâneas, com objetivos e resultados complementares. Dessa forma, a ênfase na sincronia das operações de combate excede a importância da execução.

É imprescindível a integração das diversas ferramentas do Poder Nacional e dos grupos não estatais em benefício da defesa dos interesses nacionais do país; a articulação de vários campos de ação, elegendo os melhores instrumentos ou medidas, militares e não-militares, para executar as operações; e a combinação de todos os níveis de conflito do tático ao estratégico, forçando o oponente a confrontar vários campos de batalha, simultaneamente.

Para a sincronia das operações simultâneas em diferentes locais, para integração das ferramentas do Poder Nacional empregadas e para a articulação dos vários campos de batalha, há a necessidade de excelência na atividade de inteligência artificial, segurança cibernética, espionagem eletrônica e guerra rede.

O resultado das guerras modernas depende cada vez mais da informação e da comunicação, o que facilita a flexibilidade e tende a incentivar organizações em rede, no lugar das hierarquias dos exércitos tradicionais

Isso significa emprego “agressivo” de meios não militares, apoiados por alternativas militares de efeito não cinético (não letais), sobretudo operações de informação e guerra cibernética e, ainda, atribuir maior ênfase às ações políticas, diplomáticas, geoeconômicas e informacionais.

O centro de gravidade da ação deve estar voltado a desestabilizar governante,desacreditar autoridades, e em criar o caos sociedade, sucedendo-se a crise política. Uma vez que a crise tenha evoluído suficientemente, as forças militares convencionais podem ser empregadas, mas somente o necessário para garantir a autoridade do novo status quo.

4 – CONCLUSÃO

A conformação bélica da era da informação obriga todos os governos a reconsiderar seu potencial militar conforme as ameaças que se apresentam, já que a resposta dependerá das próprias ações do governo e ele, necessariamente, deve reconhecer que para se obter uma vantagem militar, há de se obter e conservar uma vantagem econômica.

É essencial uma transformação contínua das Forças Armadas, considerando o equilíbrio entre as mudanças, e capacidade de resposta na salvaguarda dos interesses nacionais (Segurança e Defesa), em sintonia com as demais ferramentas a disposição do Poder Nacional.

As Forças Armadas usarão capacidades de 3ª,4ª e de 5ª “Gerações da Guerra”, portanto devem ser da era da informação e com alta tecnologia,

Nós, brasileiros, temos que estar prontos para defender NOSSA SOBERANIA quando se fizer necessário, à custa de qualquer sacrifício. Não devemos, consequentemente, perguntar quanto custa à nação a resistência que toda a população é capaz de oferecer para a defesa do país, mas indagar qual é o efeito que esta resistência pode gerar. Quais são as suas circunstâncias e de que forma pode ser utilizada?


[1] Carlos Alberto Pinto Silva / General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Ex-comandante do 2º BIS e da 17ª Bda Inf Sl, Chefe do EM do CMA, Membro da Academia de Defesa.

[2] Chefe do Estado-Maior Geral da Rússia, General Valery Gerasimov.

[3] Omnidirecional refere-se à noção de ter as mesmas propriedades em todas as direções

[4] Ferramentas do Poder Nacional.

[5] Judicioso emprego da força militar.


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Nota DefesaNet

O Gen Ex Pinto Silva publicou uma extensa série de relevantes artigos sobre a Arte Militar, que podem ser acessados no link de busca https://www.defesanet.com.br/?s=pinto+silva

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