Contribuições do Information Fusion Center Atlântico Sul para a Consciência Situacional Marítima brasileira

Jéssica Germano de Lima Silva
Geocorrente
Escola de Guerra Naval – EGN


No início de outubro de 2026, durante o III Simpósio Transatlântico de Segurança Marítima, realizado em Lagos, Nigéria, a Marinha do Brasil anunciou o processo de criação do Information Fusion Center (IFC, Centro de Fusão de Informações) do Atlântico Sul.

A iniciativa envolve o Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz) e tem como propósito promover a integração de informações entre forças marítimas, instituições da comunidade marítima do Atlântico Sul e outros centros de informação internacionais.

Assim, questiona-se: como o IFC pode contribuir para o fortalecimento da Consciência Situacional Marítima (CSM) no Atlântico Sul e, particularmente, na Amazônia Azul?

No Brasil, a Política Marítima Nacional define CSM como a “compreensão de fato ou circunstância associada aos ambientes marinho, marítimo e fluviolacustre que seja relevante para a segurança marítima, a economia ou a proteção do meio ambiente”.

A proposta do IFC propicia a integração de dados produzidos por diferentes atores, convertendo-os em informações qualificadas e úteis que ampliam a compreensão do cenário e subsidiam a tomada de decisão.

O IFC pretende contribuir para a integração da cobertura informacional de aproximadamente 40,3 milhões de km² do Atlântico Sul, incluindo os 5,7 milhões de km² da Amazônia Azul. Esse esforço poderá expandir a capacidade de acompanhamento dos fluxos comerciais nas Linhas de Comunicação Marítimas, da ocorrência de ilícitos — como a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada —, da presença de embarcações suspeitas e de incidentes ambientais de origem antrópica.

A relevância do IFC também se associa ao fortalecimento de vínculos duradouros de cooperação entre países e instituições da região. A iniciativa aproveita aproximações político-institucionais já em desenvolvimento, inclusive no âmbito do próprio Simpósio, cuja edição de 2025 ocorreu no Brasil, na Escola de Guerra Naval.

Tais espaços de diálogo contribuem para a construção de confiança mútua e para o intercâmbio de experiências relacionadas à segurança marítima. A vastidão do Atlântico Sul e os ilícitos transnacionais demonstram que a segurança marítima não pode ser compreendida como responsabilidade exclusiva de um único país.

Assim, a efetividade da CSM depende da visão integrada do ambiente marítimo, de múltiplas fontes de informação, de mecanismos de interoperabilidade e de cooperação contínua

Desse modo, o IFC Atlântico Sul poderá contribuir para a identificação de dinâmicas, ameaças e oportunidades relevantes para os interesses brasileiros, fortalecendo uma arquitetura cooperativa de segurança marítima no Atlântico Sul

A iniciativa tem, ainda, potenciais efeitos positivos para a proteção das Águas Jurisdicionais Brasileiras, a defesa da soberania nacional e o fortalecimento de iniciativas de cooperação regional, como a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Sistema de gerenciamento da Amazônia Azul para formação da CSM brasileira.

Nota DefesaNet

Para uma ampla discussão do Zopacas acesse:

“A revitalização da ZOPACAS é prioridade para a política externa brasileira”, afirma o Ministro da Defesa durante o 3º Simpósio Marítimo no Rio de Janeiro


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