Urgente – FAB Discute nos Bastidores a Possível Desativação de um dos Esquadrões de F-5M

A sucessão de matérias com notícias realmente muito decepcionantes relacionadas à Força Aérea Brasileira deve ser uma fonte de preocupação para todos aqueles interessados no futuro do Brasil

Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet

As conversas internas dentro da Força Aérea Brasileira sobre o futuro da aviação de caça entram em uma fase cada vez mais delicada. Nos bastidores da FAB, cresce a discussão sobre a possibilidade de desativação de um dos dois esquadrões de F-5M ainda em operação: o 1º/14º GAV “Pampa”, sediado em Canoas (RS), ou o 1º Grupo de Aviação de Caça “Jambock”, baseado em Santa Cruz (RJ).

O tema, tratado com extrema discrição dentro da força, deixou de ser apenas uma hipótese distante e passou a integrar avaliações operacionais concretas. A razão é simples: a redução contínua da disponibilidade de células do F-5M tornou extremamente difícil sustentar duas unidades operacionais completas.

Hoje, tanto Canoas quanto Santa Cruz operam com um número cada vez menor de aeronaves disponíveis. A situação afeta diretamente a capacidade de treinamento, prontidão operacional e geração de pilotos de caça. Em alguns períodos, a quantidade de aeronaves prontas para voo torna-se insuficiente até mesmo para manter a rotina operacional ideal de ambos os esquadrões.

A FAB já enfrentou situação semelhante anos atrás, quando decidiu encerrar as operações do esquadrão de F-5 baseado em Manaus. Na época, a medida foi apresentada como necessária para racionalizar recursos, concentrar manutenção e redistribuir células entre Canoas e Santa Cruz. O fechamento permitiu prolongar a vida útil operacional da frota e garantir uma distribuição mínima de aeronaves entre as duas bases remanescentes.

Agora, entretanto, o problema retorna de forma ainda mais grave.

Os F-5 brasileiros, apesar da modernização conduzida pela Embraer e pela Elbit, no início dos anos 2000, continuam sendo aeronaves concebidas originalmente na década de 1960. O desgaste estrutural acumulado ao longo de décadas de operação começa a impor limitações severas. A disponibilidade logística também se deteriora progressivamente, enquanto o custo para manter pequenas quantidades de aeronaves dispersas em diferentes bases aumenta consideravelmente.

Internamente, muitos oficiais reconhecem que a FAB pode ser forçada a concentrar toda a frota remanescente em apenas uma unidade operacional. Isso permitiria elevar a taxa de disponibilidade, reduzir custos de manutenção, otimizar equipes técnicas e preservar uma capacidade mínima de defesa aérea até a chegada de novos F-39 Gripen E/F.

O problema é que qualquer decisão terá enorme impacto político, operacional e simbólico.

O Esquadrão Pampa desempenha papel estratégico fundamental no sul do país, especialmente diante da necessidade de cobertura aérea da região Sul e da proximidade com importantes áreas de fronteira. Já o Jambock possui um peso histórico incomparável dentro da aviação de caça brasileira. Trata-se do lendário esquadrão que combateu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial e talvez a unidade mais emblemática da FAB.

Fechar qualquer uma dessas unidades significaria um trauma institucional importante.

Além disso, a chegada dos Gripen ocorre em ritmo muito inferior ao originalmente esperado. O programa, que deveria permitir uma substituição gradual dos F-5, enfrenta atrasos e limitações quantitativas. Com apenas 36 aeronaves contratadas e entregas lentas, a FAB encontra dificuldades para expandir rapidamente sua capacidade operacional com o novo caça.

Isso cria um perigoso vazio de transição.

Enquanto o Gripen não alcança massa crítica suficiente, os F-5 continuam sendo essenciais para a defesa aérea nacional. Porém, a realidade financeira e logística começa a impor limites duros à FAB. Manter dois esquadrões operando com números reduzidos de aeronaves pode deixar de ser racional — e, pior, pode comprometer a eficiência operacional de ambos.

Nos bastidores, a avaliação é que a situação se aproxima de um ponto insustentável.

A concentração das aeronaves em uma única base aparece cada vez mais como uma solução inevitável para preservar a capacidade operacional da aviação de caça brasileira durante esta difícil fase de transição. A questão que permanece é qual esquadrão sobreviverá — e qual pagará o preço dessa reorganização forçada.

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