8 de Março, Dia Internacional da Mulher: reconhecendo com orgulho e justiça a contribuição feminina no Exército Brasileiro

Por Simone Leal Dias e General de Brigada André Luiz de Souza Dias¹

No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O Exército Brasileiro, em consonância com a sociedade da qual é parte indissociável, celebra a importância da data com orgulho e reconhece com justiça o valor do segmento feminino em suas fileiras.

Usando farda ou sendo civis, o certo é que todas as mulheres que prestam serviço à Instituição carregam aderida à alma a autêntica “pele verde-oliva”, símbolo de sincero compromisso e desinteressado amor ao Brasil.

Nesse contexto, como não lembrar da Soldado Maria Quitéria? Vestindo-se de homem, foi voluntária nas lutas de Independência do Brasil e entrou para a história como a primeira mulher a combater nas Forças Armadas brasileiras.

Corajosa e resiliente, venceu barreiras e dificuldades de toda ordem. Seu desempenho heroico rendeu-lhe medalha e promoção. Mais do que isso, tornou-se símbolo de valentia e exemplo de mulher destemida.

Hoje, é a Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército.

Durante a Segunda Guerra Mundial, mulheres brasileiras lutaram na Itália como enfermeiras, integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e a recém-criada Força Aérea Brasileira. Ao atuarem com abnegação e talento nos hospitais de campanha espalhados pelo Teatro de Operações Mediterrâneo, reafirmaram a relevância do trabalho
feminino em apoio às tropas que combatiam sob situações extremas.

Enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira registradas em acampamento durante a Segunda Guerra Mundial.

Com o término do conflito, regressaram à Pátria condecoradas e profundamente transformadas pelas agruras
vividas, sendo definitivamente incorporadas ao serviço ativo em 1957. O ingresso permanente do segmento feminino no Exército teve início em 1992, no Quadro Complementar de Oficiais, para o desempenho de funções administrativas e técnicas.

A expansão se deu a partir de 1996, com a criação do Serviço Militar Feminino Voluntário para profissionais de saúde. Em 1997, formou-se a primeira turma com mulheres na Escola de Saúde do Exército (EsSEx).

Naquele mesmo ano, o Instituto Militar de Engenharia abriu suas portas a elas. Em 1998, foi instituído o Estágio de Serviço Técnico para profissionais de nível superior (exceto saúde), com a admissão de mulheres em diferentes áreas.

Ainda em 1998, houve a convocação de 3º Sargentos temporárias para claros técnicos, em organizações militares não operacionais. Em 2002, as primeiras sargentos se formaram na EsSEx e na Escola de Instrução Especializada1. No ano de 2009, as mulheres passaram a ocupar um ampliado universo de vagas, em áreas de interesse da Instituição.

Em 2011, criou-se o Cabo Especialista Temporário, também franqueado ao segmento feminino. Em 2017, elas passaram a compor também a Linha de Ensino Militar Bélico, com o ingresso de alunas na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Em 2021, foram declaradas as primeiras Aspirantes a Oficial do Serviço de Intendência e do Quadro de Material Bélico da Academia Militar das Agulhas Negras. No ano de 2025, as Cadetes passaram a optar igualmente pela Arma de Comunicações.

Em 2024, mais um importante feito se consubstanciou, com a criação do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) nas Forças Armadas e a incorporação de mulheres voluntárias como soldados no Exército, em 2026.

A título de curiosidade, em 1989, o Sistema Colégio Militar do Brasil passou a contar com alunas em suas salas de aula, tornando ainda mais abrangente este consagrado modelo de excelência no ensino fundamental e médio no País.

Em órgãos alta administração do Exército, como no Departamento de Engenharia e Construção, militares mulheres e servidoras civis desempenham, em perfeita sinergia, funções nas áreas de engenharia e
arquitetura, planejando, coordenando e fiscalizando obras de interesse estratégico para a Instituição.

Participam, também, da execução de projetos de infraestrutura, que sustentam a sua capacidade logística e operacional.

Maior participação feminina fortalece os quadros do Exército Brasileiro

É inegável que a presença feminina no Exército Brasileiro agrega singular valor à gestão pública e ao ambiente de trabalho. A sensibilidade, a capacidade de escutar e agir, aliadas à perspicácia na organização e ao compromisso com o coletivo, claramente aportados por elas a uma bem delineada cultura organizacional, fortalecem a tomada de decisões e somam esforços para uma atuação cada vez mais humanizada e eficiente da Instituição, em completo alinhamento às demandas contemporâneas da Defesa Nacional.

Mais recentemente, foi escolhida a primeira mulher do Exército Brasileiro para a promoção a General de Brigada. Trata-se de uma destacada oficial médica, com trajetória profissional impecável e ilibada conduta. Uma vez submetida a um exigente e criterioso processo de escolha, logrou êxito como consequência dos seus próprios méritos, em total igualdade de condições.

Nessas oportunidades, a Instituição visa preencher seus mais elevados cargos com pessoas possuidoras de qualidades éticas e morais que verdadeiramente reflitam os valores e as tradições cultuados no Exército, independente do gênero.

Por fim, é mister salientar que o Exército Brasileiro muito considera suas oficiais, praças e servidoras civis, que distribuídas ao longo da escala hierárquica, desenvolvem um trabalho diuturno proficiente, que contagia, engrandece e agrega.

Que a coragem de Maria Quitéria, a bravura das enfermeiras da FEB e o trabalho silente das Soldados de Caxias de todos os tempos continuem a inspirar as integrantes do segmento feminino, na busca permanente da excelência em suas mais variadas atividades.

Viva, o Dia Internacional da Mulher!

E a elas, que sempre fazem a diferença, um preito de gratidão e a nossa mais vibrante continência!

¹AUTORES:

SERVIDORA CIVIL ARQUITETA SIMONE LEAL DIAS
Formada em 2005, em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Gama Filho, possui Mestrado Acadêmico em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas pela UFRRJ. Possui, também, Pós-Graduação em Engenharia Ambiental e Saneamento Básico, Pós-Graduação em Políticas Públicas e MBA em Gestão de Projetos. Atualmente, é Servidora Civil Arquiteta na Diretoria de Patrimônio Imobiliário e Meio Ambiente do Exército – DPIMA, no Quartel-General do Exército, em Brasília-DF. Atuou como Servidora Civil Arquiteta na Comissão Regional de Obras da 11ª Região Militar – CRO/11, em Brasília-DF (2022-2025), e como Servidora Civil Arquiteta na Comissão Regional de Obras da 9ª Região Militar – CRO/9, em Cuiabá-MT (2021-2022). Anteriormente, foi Oficial Técnica Arquiteta e Urbanista do Exército Brasileiro, na 1ª Divisão do Exército – Divisão Mascarenhas de Morais, no Rio de Janeiro-RJ.

GENERAL DE BRIGADA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA DIAS
Formado em 1996, na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), é oriundo da Arma Infantaria. Atualmente, comanda a 6° Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer, com sede em Santa Maria-RS. Nesta mesma Brigada, foi o Comandante da Companhia de Comando, em 2010-11, e do 29º Batalhão de Infantaria Blindado – Batalhão Cidade de Santa Maria, no biênio 2019-20. Além do Curso de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro, realizou o Curso de Estado-Maior das Forças Armadas da Espanha e o de Altos Estudos Nacionais da Bolívia. Possui os seguintes Mestrados Acadêmicos: em Operações Militares e em Ciências Militares, ambos no Brasil; em Política de Defesa e Segurança Internacional, na Espanha; e em Segurança, Defesa e Desenvolvimento, na Bolívia. É membro da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB) e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB)

Foto capa: Foto: ST Sionir (Centro de Comunicação Social do Exército)

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