COBERTURA ESPECIAL - TOA - Pensamento

22 de Outubro, 2013 - 19:59 ( Brasília )

Lorenzo Carrasco na Comissão de Integração Nacional


ADENDO AO COMENTÁRIO GELIO FREGAPANI  - 22 Outubro 2013 Link

MESA REDONDA NA COMISSÃO DE INTEGRAÇÃO NACIONAL
DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

 

Exposição de Lorenzo Carrasco


O jornalista Lorenzo Carrasco, presidente do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e coeditor deste sítio, participou de uma mesa-redonda na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (CINDRA) da Câmara dos Deputados, na quarta-feira 4 de setembro, na qual sustentou as denúncias sobre a natureza supranacional do aparato indigenista, como apresentado no seu novo livro, Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos porões do Conselho Mundial de Igrejas (Capax Dei, 2013).

Na oportunidade, Carrasco que semelhante trama tem pelo menos quatro décadas e se baseia em uma rede de inteligência semelhante à revelada pelo ex-analista de inteligência estadunidense Edward Snowden. “Usaram o Conselho Mundial de Igrejas como estrutura de espionagem. Agora que está na moda, o governo brasileiro descobre por acaso que está sendo espionado por agências de inteligência americanas. Quero dizer uma coisa muito simples: o coração do aparato ambiental, Greenpeace, WWF e Instituto Socioambiental, são parte de estruturas de inteligências dos governos anglo-americanos. E tenho como demonstrar isso, em juízo se necessário”, desafiou.

Carrasco disse, ainda, que a infiltração estrangeira busca impedir o desenvolvimento da infraestrutura nacional e encarecer os investimentos, em especial na Região Amazônica, com a criação de “zonas de exclusão econômica” em territórios indígenas. “Isso tudo aparece como uma política progressista, de defender os direitos humanitários de índios, de pobres ou camponeses, mas na verdade esconde interesses de uma estrutura de governo mundial”, alertou.

Carrasco argumentou que a estratégia também prevê um trabalho minucioso de manutenção dos povos indígenas num estado de desenvolvimento primitivo: “O homem tem por natureza evoluir, desenvolver. Por que esta questão de manter um povo num estágio neolítico? Isto é desumano, é um crime de lesa-humanidade, manter um ser humano em condições fixas, como se fosse um animal.”

Segundo ele, o aparato indigenista-ambientalista está sufocando os produtores brasileiros, em especial as pequenas e médias propriedades. Os maiores beneficiados nesse processo, disse, seriam as grandes corporações do comércio mundial de alimentos: “Estão querendo transformar o Brasil numa grande plantation.”

Carrasco esclareceu aos parlamentares que o objetivo do seu livro, escrito em parceria com sua esposa, jornalista Silvia Palacios, não é atacar os povos indígenas, uma vez que eles são vítimas dessa mesma política. A intenção é alertar as autoridades brasileiras para a ameaça da quebra da harmonia racial do país, com a promoção de conflitos étnicos planejados, que oponham índios e não índios.

O presidente da CINDRA, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), afirmou que as informações apresentadas por Carrasco precisam chegar aos órgãos nacionais de inteligência. O parlamentar pretende encaminhar um exemplar do livro à CPI da Espionagem, instalada no Senado, na véspera. “O Brasil precisa reagir, sair desse estágio de indiferença com relação aos interesses internacionais. Daqui a pouco perderemos nossa soberania sem ouvir um tiro sequer, por pura ingenuidade das autoridades”, disse ele.

A CPI da Espionagem foi criada com base nos documentos vazados pelo ex-agente da NSA, Edward Snowden, que revelam detalhes do monitoramento do governo norte americano sobre o governo e empresas brasileiras.

Por sua vez, o deputado Paulo César Quartiero (DEM-RR), recordou a sua luta em Roraima contra o aparato descrito por Carrasco:

Gostaria de dizer ao Lorenzo que nós nos conhecemos no começo da década de 1990, em Roraima, e isso que ele está dizendo agora ele já dizia naquela época, e alertava sobre os eventos que iriam se suceder, inspirando a nossa resistência. Nós ficamos desde 1998, em Roraima, resistindo a essa política, até 2009, quando conseguiram implantar a [terra indígena] Raposa Serra do Sol, e retirar os produtores de lá. Foram 11 anos de resistência da população de Roraima contra essa política. Só para relembrar ao nosso presidente [da sessão], a Revolução Farroupilha durou dez anos. E isso foi, nas palavras do próprio ministro Gilberto Carvalho: “É claro que foram menos demarcações, porque após a Constituição de 1988 havia muito mais terras para demarcar. Sobrou o mais difícil para nós, como foi a guerra com a Raposa Serra do Sol.”

Nós demos, em Roraima, uma contribuição para a questão, mostrando a realidade. E lá sim, todo esse aparato esteve presente: a ONU esteve lá, a OEA esteve lá, o CIMI, as ONGs, para pressionar pelas demarcações. O interesse internacional começou a demarcação com a importação do bispo Aldo Mongiano, que promoveu a revolução angolana na África e foi trazido para Roraima para implantar essa política, que começou lá. E nós alertávamos que o destino de Roraima iria nortear o destino do resto do País, e que se nós perdêssemos, como efetivamente aconteceu, o Brasil seria Roraima amanhã.

O vídeo com os trabalhos da sessão pode ser visto no sítio da Câmara.

Principais trechos da exposição de Carrasco

“A miscigenação e a integração de povos de diferentes origens, apesar dos problemas sociais, da própria escravidão, etc., torna o país um exemplo para a civilização mundial do que é um modelo de harmonia, de civilização.

“O Dr. Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, demonstrou que 50 milhões de brasileiros, mais de um quarto da população, possui herança genética indígena. Quer dizer: como explicar essa questão? (…) Essa singularidade brasileira foi destacada, no início do século passado, pelo intelectual mexicano José Vasconcelos, que foi ministro da Educação após o governo revolucionário [mexicano], que dizia que no Brasil havia se constituído uma raça cósmica, pois aqui não havia mais distinção. Porque qualquer raça do planeta pode se passar por brasileiro.

“[O escritor austríaco] Stefan Zweig, que falou do futuro do Brasil, disse: ‘Considerando que o nosso velho mundo é, mais do que nunca, governado pela tentativa insana de criar pessoas racialmente puras, como cavalos de corrida; ao longo dos séculos a nação brasileira tem sido sobre o princípio de uma miscigenação livre e não-filtrada. A equalização completa do preto, do branco, do marrom e do amarelo.’

“Eu me pergunto: como é possível que esse que é um modelo de civilização esteja sendo subvertido? E por quê? E para quê?

“Essa [a miscigenação] é a grande contribuição que podemos dar à civilização mundial, e esse é o elemento crucial que está sendo subvertido, com todo esse problema racial e étnico que está sendo introduzido no país, de maneira absolutamente absurda.

“Quem são os que estão subvertendo isso, por meio de ONGs, por meio de políticas que vêm sendo implementadas nos últimos quarenta anos? Tal como mostramos no livro, são os governos da Inglaterra, da Holanda, as casas monárquicas que estão governando a Europa, e estão difundidas por meio de uma série de organizações não-governamentais que trazem essa mensagem.

“Mas qual é a experiência de civilização que a Inglaterra teve? Qual a experiência de civilização que a Holanda teve? Qual a experiência de colonização que os EUA tiveram? O que fizeram com as populações indígenas? São os mesmos que estão querendo nos dar uma lição, impondo uma política racial absurda ao Brasil.

“Dentre esses fatos, surge o motivo desta investigação [que culminou no livro]. (…) A nossa pesquisa visava demonstrar de onde surgiu esse absurdo, que atenta contra o modelo de civilização brasileiro e é contrário à integração nacional. As interpretações das leis que estão regendo todo o problema indígena estão questionando o modelo brasileiro de civilização. Estão criando divisões no povo, entre índios e não-índios, entre negros e não-negros, atuando em todas as possibilidades em que se possa dividir.

“Nós chegamos a uma organização que foi a origem disso, que se chama Conselho Mundial de Igrejas (CMI). E onde está o CMI? Para se ter uma idéia: apoiou a Comissão Pastoral da Terra, o Movimento dos Atingidos pelas Barragens, apóia todo o movimento criado com o CIMI, que não representa a doutrina e o magistério da Igreja; (…) criaram o Instituto Socioambiental; estiveram por trás do movimento de desarmamento civil.

“A origem do Conselho Mundial de Igrejas é o aparato de inteligência anglo-americano. O fundador do CMI, que se chamava John Foster Dulles, e que foi o artífice da Guerra Fria, e seu irmão, Allen Dulles, que foi diretor da CIA, usaram a estrutura do Conselho Mundial de Igrejas como estrutura de espionagem. Agora que agora está na moda, o governo brasileiro descobre, por acaso, que está sendo espionado por agências de inteligência americanas. Quero dizer uma coisa muito simples: o coração do aparato ambiental, o Greenpeace, WWF e Instituto Socioambiental, são parte de estruturas de inteligência dos governos anglo-americanos. E tenho como demonstrar isso, em juízo se necessário.

“O que está em jogo aqui é que está sendo imposta uma política que aparece como uma política progressista de defender os direitos humanitários de índios, pobres, camponeses sem terras – mas que, em realidade, esconde interesses de uma estrutura de governo mundial. Isso é o que o livro está apresentando.”
 



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