04 de Junho, 2015 - 12:58 ( Brasília )

Terrestre

Restaurada Aeronave Acidente Mal Castello Branco

ESPECIAL INFANTARIA – Avião que vitimou Castello Branco é restaurado pelo 23 BC para Festa Nacional da Infantaria


ESPECIAL INFANTARIA
Avião que vitimou Castello Branco

23 BC restaura avião para Festa Nacional da Infantaria

 Ilustre Infante Cearense foi Presidente da República

Vianney Júnior
Editor Internacional de Aeroespaço e Defesa

 

 
O 23º Batalhão de Caçadores – Batalhão Marechal Castello Branco, foi palco do ponto alto da Festa Nacional da Infantaria em 2015. Comandado por um infante de Forças Especiais, o Tenente-Coronel  Alfredo Ferreira dos Santos Filho, o Batalhão recepcionou o Comandante do Exército Brasileiro, General-de-Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, e comitiva, para a formatura de culminância das comemorações em homenagem ao Patrono da Arma.
 
“Um aço”, “padrão” e “a tropa entrou vibrando”, assim ouvia-se entre os comentários da assistência composta por militares da ativa e da reserva, familiares e autoridades civis. Tomaram parte na cerimônia do 205° ano do nascimento do Brigadeiro Antônio de Sampaio, além de contingentes do próprio batalhão, a Companhia de Comando da 10ª Região Militar, a 10ª Companhia de Guardas, o 40º Batalhão de Infantaria, o 25º Batalhão de Caçadores, o Batalhão de Infantaria da Base Aérea de Fortaleza, e o Grêmio de Infantaria do Colégio Militar de Fortaleza.
 
No 23º Batalhão de Caçadores serviram tanto infantes que galgaram notoriedade na vida civil, como por exemplo, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, como também nomes de enorme importância na história do Exército Brasileiro. Dentre os que passaram pelo Batalhão, um filho da terra chegou a atingir o mais alto posto da República, o de Presidente.
 
Assim, para além da formatura impecável, o comandante do 23 BC, Tenente-Coronel Santos Filho, reservava mais uma deferência especial ao Comandante do Exército, General Villas Bôas: a entrega da aeronave restaurada, na qual faleceu o Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, insigne infante que empresta nome ao maior Batalhão da 10ª Região Militar.
 
Em um esforço de pesquisa, reconstrução de estrutura aeronáutica e delicado acabamento de arte, os trabalhos ficaram sob a coordenação do Tenente-Coronel Ralph Pires, e contaram com o apoio do diretor-presidente da CIONE, maior cajucultor do planeta, o ex-Combatente Cabo Jaime Tomaz de Aquino (in memoriam), do juiz federal aposentado, Tenente R2 Walker Cabral, da atleta campeã paraolímpica e restauradora de arte, Joselita Moreira, e do proprietário da CETAM, Comandante Celso Tinoco Chagas Filho (in memoriam), ), e da AORE-FZ, Associação de Oficiais da Reserva (R/2), e em particular de seu presidente, Tenente R2 Lúcio Freitas.
 
O acidente
 
No dia 18 de julho de 1967, a aeronave que conduzia o ex-Presidente entre Quixadá e Fortaleza, um Piper Aztec de matrícula PP-ETT, foi atingida na cauda pela ponta da asa de um caça da Força Aérea Brasileira, um Lockheed TF-33 (FAB 4325), que voava na ala direita de uma esquadrilha em aproximação para pouso no aeroporto Pinto Martins.

 

 

Estavam a bordo do bimotor a escritora Alba Frota, o Major Manuel Assis Nepomuceno, o irmão do Marechal, Cândido Castello Branco, o Comandante Celso Tinoco Chagas e o co-piloto Emílio Celso Chagas, filho do comandante.
 
Em razão do impacto que destruiu a parte da cauda responsável pela estabilização e direção, o avião entrou em parafuso chato, caindo sem controle até chocar-se com o solo.
 
Todas as pessoas a bordo morreram, com exceção do co-piloto.
 
A deriva (parte vertical da cauda) arrancada pelo caça jamais foi encontrada.
 
O avião foi removido da mata, cortado em pedaços, que após a investigação do acidente ficaram expostos em um galpão para visitação. Em 2001, se deu o primeiro trabalho de reconstrução, a partir da remontagem das partes e peças da aeronave, como forma de preservá-la como memória material.
 
O caça envolvido nesse acidente era baseado no 1º/4º Grupo de aviação, onde fez parte das primeiras aeronaves recebidas pela FAB em 10 de dezembro de 1956. Após o acidente, a aeronave seria reparada e continuaria voando regularmente até sua baixa em 1973. O caça também foi preservado e encontra-se hoje na Base Aérea de Fortaleza, como monumento, ao lado do prédio do Comando da Base.

 

 


Memória viva e material
 
Estiveram presentes à entrega do patrimônio histórico constituído pela aeronave reformada, acompanhando o Exmo. Comandante do Exército Brasileiro, General-de-Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, os seguintes oficiais-generais:
- General-de-Exército Marco Antônio de Farias,
Comandante Logístico:
-
General-de-Exército Manoel Luiz Narvaz Pafiadache, Comandante Militar do Nordeste;
General-de-Exército Luis Carlos Gomes de Mattos,Ministro do STM;
- General-de-Divisão Cesar Leme Justo,Chefe do CIE;
- General-de-Divisão Carlos César Araújo Lima,o Subcomandante do COLOG e ex-Comandante da 10ª Região Militar;
-
  General-de-Divisão Marcio Roland Heise, Comandante da 7ª Região Militar; - General-de-Divisão Artur Costa Moura, Comandante da 6ª Região Militar;
General-de-Divisão Marco Antônio Freire Gomes, atual Comandante da 10ª Região Militar,;
-
General de Divisão R1 Júlio Lima Verde Campos de Oliveira, o Presidente da Legião da Infantaria do Ceará, ;
-
General-de-Brigada Francisco Mamede de Brito Filho, Chefe de Estado-Maior do CMNE, e o,
-  General-de-Brigada Antônio Eudes Lima da Silva, Comandante da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada.
 
Todos foram surpreendidos pela emoção de encontrar o único sobrevivente do lamentável sinistro que ceifou a vida do grande líder militar. No encontro promovido pelo Tenente-Coronel Santos Filho, o co-piloto na ocasião do fatídico voo e único sobrevivente, Comandante Emílio Celso Chagas, interagiu com as autoridades presentes, tendo a oportunidade de revelar mais um fato que denota a conduta moral e elevados valores do Marechal Castello Branco:
 
Quando da viagem ao sítio “Não me Deixes”, da escritora Rachel de Queiróz, em Quixadá, a Força Aérea Brasileira disponibilizou uma aeronave C-45 Beechcraft Expeditor ao ex-presidente da República. Castello Branco, no entanto, recusou a oferta afirmando não mais ocupar o cargo, portanto, não se julgava no direito de utilizá-la. Viajou de troiler, uma Rural adaptada para rodar sobre trilhos da linha férrea. Segundo o Marechal, mais uma oportunidade de ver de perto a situação do interior e de sua gente.

Ao chegar a Quixadá, Castello Branco, que de longa data sofria de fortes dores na coluna, mesmo tentando esconder, denunciava nos movimentos o agravamento de sua condição. Sendo assim, foi levado a dormir na hospedagem do Mosteiro Santa Cruz Serra do Estevão, uma vez que o sítio dispunha de acomodações menos adequadas.

No dia do regresso à Fortaleza, as pessoas que o acompanhavam, o irmão Cândido e o Major Assis, insistiram para que voltasse de avião, uma vez que havia uma aeronave do Governo do Estado do Ceará disponível para o retorno à capital. Só assim, embarcou o ex-Presidente cearense no avião em que sofreria o acidente fatal.
 
A entrega desta peça importante da história de um dos mais notáveis nomes do Exército Brasileiro e do Brasil, preservada no 23º Batalhão de Caçadores, integra os esforços de preservação da memória, e soma-se aos trabalhos de organização e catalogação do museu existente no próprio 23 BC, e de manutenção e revitalização do Mausoléu de Castello Branco, na Av. Barão de Studart, em Fortaleza, em estudo pela 10ª Região Militar

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