COBERTURA ESPECIAL - Especial Espaço - Tecnologia

11 de Dezembro, 2013 - 06:00 ( Brasília )

Falha no foguete Longa Marcha 4B foi no terceiro estágio



Júlio Ottoboni
J

 


A decolagem do foguete Longa Marcha 4B, que levava como carga útil o satélite sino brasileiro CBERS-3, transcorreria normalmente e o voo dentro dos parâmetros previstos. Entretanto, o 3º estágio do lançador teria desligado 12 segundos antes do previsto, segundo o que os técnicos do Inpe e da equipe chinesa conseguiram detectar.
 
A consequência veio no momento do desacoplamento da coifa que levava o satélite com o foguete. O CBERS-3 não ficou a uma altitude de órbita suficiente para manter-se no espaço ou mesmo em uma velocidade adequada para satelitização. O resultado foi a reintrodução na atmosfera e o retorno à Terra.
 
Técnicos brasileiros e chineses trabalham para determinar a possível causa da falha bem como o possível ponto de queda através da análise de dados da telemetria de voo.
 
Após desacoplado, o satélite funcionou normalmente, tendo cumprido todas as etapas previstas: os painéis solares se abriram, os sistemas de energia funcionaram, as baterias começaram a ser carregadas, a Câmera Mux foi ativada entrando na função de espera.
 
Em nota, o sindicato dos servidores federais da área de ciência e tecnologia disse que “certamente o CBERS 3 representaria uma honrosa continuidade dos importantes serviços prestados pelos antecessores CBERS 1, CBERS 2 e CBERS 2B, que funcionaram além da expectativa, demonstrando a capacidade sino-brasileira de superar os desafios e produzir soluções tecnológicas de qualidade”.
 
A questão principal a partir de agora é a ampliação da dependência brasileira quanto a satélites estrangeiros de sensoriamento remoto. O Brasil terá que ampliar seus gastos com a aquisição de imagens estrangeiras, nem sempre as ideais para o trabalho de observação amazônica, além de interromper diversos outros programas que foram estabelecidos em universidades, órgãos e entidades ambientais que se utilizavam dos pacotes de imagens CBERS.
 
Com o satélite sino-brasileiro o Brasil chegou ao posto de maior distribuidor de imagens de satélites do mundo de maneira gratuita. Os chineses e brasileiros envolvidos no programa esperam que a versão 4 do CBERS seja lançada em 2015, porém o início das atividades teriam que ocorrer já em 2014, inclusive com dotação orçamentária para esse grau de exigência. A média de atraso nos satélites brasileiros gira em torno de 5 anos.