24 de Julho, 2016 - 22:00 ( Brasília )

Pensamento

Comentário Gelio Fregapani - Política Externa / Cenários Futuros / Petrobras / Amizade entre Nações


Assuntos - O complexo de vira-latas" e o servilismo na política externa / O Presente e cenários futuros / Alerta - Perigo de desnacionalização da Petrobras / Amizade entre as nações


O complexo de vira-latas" e o servilismo na política externa

Disse um anjo ao Criador: Senhor, não estais favorecendo demais essa nação dando-lhe um terço da água do mundo, terras férteis, clima maravilhoso e todos os minérios que o mundo precisa? – Teria respondido o Criador: "espera e verás o povinho que colocarei lá".

Todo brasileiro de classe média já ouviu esta piada. Certamente riu dela e pior, acreditou. Certamente reconheceu as benesses do nosso território como se tudo nos fora dado de graça. Pois bem, a natureza não foi tão favorável assim: logo ao chegarmos deparamos com a muralha da Serra do Mar que nos confinou por dois séculos junto ao litoral.

Os rios teimavam em correr na direção contrária ao mar, o solo na planície litorânea não continha metais nem era bom para a agricultura. Não encontramos nenhuma civilização, mas sim canibais da idade da pedra e diferente dos outros povos, mais do que combatê-los procuramos incorporá-los à nossa civilização.

No início a natureza foi madrasta, mas ultrapassamos a muralha da serra e conquistamos meio continente expulsando as tropas dos povos mais poderosos da época e criamos a mais pujante civilização dos trópicos – Ah, nos trópicos, onde nenhuma outra grande nação conseguiu se fixar, mas lamentavelmente criamos um complexo de vira lata. Apesar dos feitos da História, insistimos em não acreditar em nossa capacidade.

No auge do complexo de vira lata, (Governo FHC), o ministro Luiz Felipe Lampreia, resumindo a filosofia da política externa proclamava: “O Brasil não pode querer ser mais do que é.” A frase mostra como certa elite colonizada cultural e politicamente vê o nosso País e nosso papel no mundo. Com essa visão abastardada, Celso Lafer agiu da mesma forma que seu antecessor e como agora José Serra, nos exortando à renúncia de aspirar a termos independência no concerto das nações.

O mais preocupante nesse discurso é que considera a dependência como destino manifesto e não como fato a ser removido. Isto vem de longe. Anteriormente o governo de Café Filho já declarara, sob os aplausos dos entreguistas: “O Brasil está fadado a ser, por tempo indefinido, um satélite dos Estados Unidos.”

Mantendo esta visão acabaremos cedendo nossos recursos naturais e talvez até esfacelando o nosso território. A ideia de que ceder é mais prático do que lutar, que foi passada às nossas populações pelos programas de desarmamento das pessoas de bem e pelo incentivo à não reação, inevitavelmente refletiu-se na política externa brasileira, desde o final do governo militar, alcançando seu ponto mais acovardado durante o governo FHC, mas este acovardamento não é eterno nem mesmo permanente.

Quem viveu o entusiasmo nacionalista da época Médici ou a política independente da época Geisel se lembrará de um Brasil que acreditava em si mesmo. Quando não era moda falar mal de si, de nossa sociedade e de nossa Pátria, assim como fazem os EUA. As atitudes altivas ou servis são reflexos da autoestima ou de sua falta. O habito de falar mal de nós mesmos deveria ser banido e acabando com ele assim sumiria o complexo de vira-lata também.

O primeiro passo para a mudança seria não mais aceitarmos quietos quando alguém, ao mostrar algo errado, disser: " Assim é o Brasil". Não é, é apenas uma parte que deve ser corrigida, aliás também existente nos outros povos e não uma peculiaridade exclusivamente nossa. Quando vejo alguém costumeiramente falando mal da própria pátria, imagino que se ele tivesse a mãe na zona se limitaria a falar mal dela em lugar de trabalhar para tirá-la de lá.
 
Um país será forte e vencedor ou fraco e vencido conforme ele o crê (Napoleão Bonaparte)

 

O Presente e cenários futuros
 

Não há dúvidas sobre a necessidade de se afastar a quadrilha formada no governo PT, mas isso não significa aval da sociedade para o desmonte das empresas estatais estratégicas ou de sua entrega ao controle estrangeiro.

O presidente interino Temer, homem habituado a trabalhar no equilíbrio entre a necessidade e a justiça, deve estar atento para impedir essas tentativas pelos elevados prejuízos ao Brasil. Um programa de desnacionalização como proposto por José Serra nos deixa como opções apenas de:

01- Eleger um candidato nacionalista em 2018 que desfizesse a desnacionalização 
02 - Realizar uma Intervenção militar, constitucional ou não,
03 - A apoiar o partido mais nacionalista numa inevitável guerra civil.

 
Alerta - Perigo de desnacionalização da Petrobras

A nova diretoria da Petrobrás, comandada por Pedro Parente, afirma que a Petrobrás está em crise financeira, na linha do que vem pregando o ministro José Serra. - É falso. A Petrobrás tem um patrimônio gigantesco de óleo e gás no pré-sal, sendo que a dívida da empresa, somada aos desvios estimados, representa não mais que 1% desse patrimônio. Trata-se de preparar a sociedade para aceitar a desnacionalização.

Pedro Parente sustenta que há menos petróleo no pré-sal do que se dizia, tendo sido furados muitos poços secos. - Informação falaciosa. Estima-se que há ainda mais petróleo do que se pensava. A produção do pré-sal cresce em ritmo impressionante (8% em maio sobre abril). O custo de extração vem caindo e a produção de óleo e gás bateu novo recorde em junho.

Parente quer a privatização da BR, dos gasodutos, da indústria de fertilizantes, "em nome do saneamento da Petrobrás".- Logo os setores mais rentáveis do sistema? - O maior lucro está no valor agregado em derivados, petroquímicos, transporte e fertilizantes.

 Parente quer paralisar a construção de refinarias. Diz que não dá lucro". – Incrível! – Faltando refinarias exporta-se petróleo bruta e se importa combustíveis e derivados.

Ele ainda fala em privatizar a rede de gasodutos construída pela Petrobrás e a BR Distribuidora o que ameaçaria à compra do óleo refinado no Brasil e a sociedade precisa tomar conhecimento disso. Até mesmo num campo estratégico para o Brasil, como no dos fertilizantes, as intenções de Parente colocariam o agronegócio totalmente nas mãos dos produtores estrangeiros de fertilizantes.

Isto tudo lembra o período FHC/Reichstul.

Parente diz que têm como missão "salvar a Petrobrás", mas é mentira. A Petrobrás está no pico de sua produtividade operacional e não precisa de  salvador. Chega acabar com os cabides de empregos e com as propinas. Qual será a real motivação para querer desnacionalizar?

 Brasil, desperta!


Amizade entre as nações

É consenso que não há amizade entre nações, mas apenas interesses. Entretanto, existem afinidades causadas por etnias comuns, pela religião, língua, cultura e pela Historia.

 É incontestável nossa afinidade com os EUA desde antes da independência (foi o primeiro a reconhecê-la) e à República, a qual inspirou. Essa afinidade foi ampliada pelo cinema, que nos mostrou o sonho americano e nos ensinou novas aspirações e normas de conduta, de tal forma que nos aliamos a eles na guerra mesmo contrariando as significativas parcelas de etnia italiana e alemã existente entre nós.

A aliança nas duas guerras mundiais reforçaram as afinidades as quais nos colocaram ombro a ombro na Guerra Fria, mas já naquele período os EUA impediu a compra de tecnologia nuclear no governo Juscelino e em 1975, insatisfeitos com um acordo nuclear firmado com a Alemanha usaram o aumento dos juros e o pretexto dos direitos humanos para enfraquecer o governo brasileiro (Geisel). Amigos sim, aliás "mui amigos"

Geisel reagiu e criou o ainda hoje claudicante Programa Nuclear Brasileiro, que previa a instalação de uma usina de enriquecimento de urânio e várias centrais termonucleares, contra o que militavam e ainda militam os EUA.

A partir de então, sucederam as pressões diplomáticas e a influência nas eleições para os governos favoráveis do Collor e FHC. No período petista a mudança foi só de retórica e os nossos "amigos" continuam conseguindo bloquear o desenvolvimento nuclear e de mísseis, ou seja de poder.

Terminada a Guerra Fria não mais éramos necessários e além dessas pressões fomos tratados como rivais em potencial, cujo desenvolvimento devia ser barrado. As ONGs foram a estratégia principal para manter o nosso subdesenvolvimento: Nada de estradas, abaixo a construção de hidrelétricas; fazendas aqui, florestas lá, viva as novas nações indígenas separadas do Brasil.

Aos poucos, ao menos no meio militar fomos nos conscientizando que nossos vizinhos latinos não nos ameaçavam, mas poderíamos entrar em choque com os EUA/ OTAN que claramente ambicionam alguns dos nossos recursos naturais. A Rússia e a China certamente também os ambicionam, mas pela distância não constituem ameaça. Ao contrário, formam um contraponto semelhante ao exercido pela Alemanha antes de sermos envolvidos por eficiente manobra estadunidense que incluía planos de invasão no Nordeste.

 A cegueira dos EUA em pressionar o nosso País nos joga para o lado dos rivais deles mas sabemos que isto é uma parceria de circunstância. Entretanto, temos que ficar alerta para, em caso de nova guerra mundial, não sermos envolvidos pelos nossos tradicionais "amigos"; aliás, mui amigos.

 
Uma observação lúcida de um político
 
“Dizer que não precisamos de armas porque temos a polícia, é o mesmo que afirmar que não precisamos de extintores porque temos os bombeiros” – Deputado Federal Onyx Lorenzoni

Que Nosso Senhor nos inspire a coragem para mudar o hábito de falar mal de nós mesmos.

Gelio Fregapani